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10 anos após Brawn GP, como o próprio Ross se armou para evitar trapaças

Ross Brawn na época em que era chefe da equipe que levava seu nome, com Jenson Button - Eduardo Knapp/Folhapress
Ross Brawn na época em que era chefe da equipe que levava seu nome, com Jenson Button Imagem: Eduardo Knapp/Folhapress

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Londres (ING)

06/03/2019 18h07

Uma mudança de regras para aumentar o número de ultrapassagens como a Fórmula 1 vive em 2019 sempre gera muita preocupação entre as equipes grandes. Ainda mais depois da verdadeira revolução que aconteceu em um cenário muito semelhante 10 anos atrás, quando a quase falida Brawn GP apareceu nos testes da pré-temporada dominando, e fechou o ano com os títulos de pilotos e construtores. Tudo, com um carro, tecnicamente, ilegal.

As equipes que tinham dominado os campeonatos anteriores - McLaren e Ferrari - começaram o ano ficando para trás: nenhum dos quatro carros dos grandes sequer cruzou a linha de chegada na primeira corrida de 2009, em Melbourne.

Mas logo ficou claro que aquele carro da Brawn - que tinha ficado à deriva depois da saída da Honda e só foi resgatada a poucas semanas do início da temporada - se aproveitava de uma brecha que existia nas regras. Na verdade, o chefe Ross Brawn interpretou o texto de um jeito  que sabia que não era o que a regra pretendia. É como foi desenvolvido o conceito de difusor duplo, que dava muito mais aderência ao carro da Brawn e de outras duas equipes que perceberam a mesma oportunidade - Toyota e Williams.

Apesar da ilegalidade do carro, a Brawn continuou competindo normalmente devido a uma decisão política da FIA, na época comandada por Max Mosley, que travava uma disputa por poder justamente com os times grandes. O caso chegou a ser julgado, mas ficou por isso. E todas as demais equipes gastaram milhões para copiar o carro ilegal da Brawn.

Mas agora Ross Brawn está do outro lado: ele é o chefe da parte técnica da FOM, a Formula One Management, e tem grande responsabilidade na criação de novas regras. Para evitar o nascimento de uma "nova Brawn", o que significaria uma escalada de custos dos demais no desenvolvimento dos carros, o chefão, junto à FIA (Federação Internacional de Automobilismo) fez o que já está sendo considerada a regra mais restritiva da história da Fórmula 1.

É o texto que dita as regras da asa dianteira, principal alvo das regras que estreiam nesta temporada, que começa dia 17 de março, na Austrália: são mais de 2300 palavras e quase seis páginas apenas para explicar a asa.

A ideia era não dar espaço para que ninguém "desse uma de Brawn" e aparecesse com uma solução que estragasse o efeito desejado, de diminuir a turbulência gerada pelos carros, e gerasse um aumento de gastos.

Pelo menos até agora, parece que Brawn teve sucesso. "Avaliamos várias possibilidades e o grande risco quando se tem uma regra assim é quando você ver uma grande brecha, como aconteceu em 2009. E estamos com a mente aberta para ver o que os outros fizeram", afirmou o chefe da Mercedes, Toto Wolff, que adotou um dos dois desenhos mais radicais de asa. O outro é da Alfa Romeo, cujo diretor técnico Simone Resta se disse surpreso pelos rivais terem aparecido com desenhos tão convencionais.

Ainda assim, pelo menos o que se viu até agora não é comparável ao que aconteceu em 2009. "As regras da asa dianteira estavam muito restritas. Diria que até de um jeito exagerado. Então foi muito difícil desenhar algo além do que as equipes já colocaram na pista", explicou o diretor técnico da Racing Point, Andrew Green. "Mas ainda está cedo e suspeito que vários times, se não todos, estão escondendo o jogo. Acho que as coisas boas vão aparecer nos carros só em Melbourne."
 

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