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Não adianta mudar as regras: especialistas veem Mercedes na frente em 2017

 AFP PHOTO / MOHD RASFAN
Imagem: AFP PHOTO / MOHD RASFAN

Julianne Cerasoli

Do UOL, em São Paulo

23/12/2016 06h00

Há quem diga - como o diretor técnico da Toro Rosso, James Key - que a mudança de regulamento pela qual a Fórmula 1 vai passar em 2017 é a “maior das últimas décadas”. Elas incluem alterações aerodinâmicas, que vão mudar bastante o visual dos carros, nas suspensões, pneus mais largos e maior liberdade no desenvolvimento dos motores. Porém, mesmo com tanta coisa diferente, não são poucos os que defendem que a Mercedes continuará dominando.

A preocupação do promotor Bernie Ecclestone é tanta que ele tem pressionado o time tricampeão do mundo a contratar um piloto de ponta para ser companheiro de Lewis Hamilton, uma vez que o atual campeão Nico Rosberg decidiu se aposentar. “Caso contrário Lewis vai dar uma volta em todo mundo e ninguém vai querer comprar ingresso”, justifica.

“Se eles escolherem um novato [referindo-se a Pascal Wehrlein, que tem uma temporada de experiência e é cotado por fazer parte do programa de desenvolvimento de pilotos da Mercedes] não tenho certeza se vão ganhar o Mundial de Construtores, mas o de Pilotos certamente. Espero que esteja completamente errado, mas minha opinião pessoal é de que ninguém conseguirá bater Lewis.”

Foi justamente em uma grande mudança de regulamento, quando a Fórmula 1 adotou os motores V6 turbo híbridos, em 2014, que a Mercedes começou seu domínio, mexendo com a relação de forças entre as equipes. O mesmo aconteceu em outro grande pacote de regras, em 2009, quando a Brawn apareceu como grande força, muito em função de ter encontrado uma brecha nas regras.

O ‘arquiteto’ daquele domínio, Ross Brawn, que depois vendeu a equipe justamente para a Mercedes, onde continuou até se aposentar em 2013, acredita que toda a estrutura montada desde então confere uma vantagem importante ao time.

“A Mercedes realocou os recursos do programa deste ano muito cedo, assim que eles viram a vantagem que tinham com o carro”, explicou Brawn à Auto Magazine, da Federação Internacional de Automobilismo. “Se eu estivesse lá, e tenho certeza de que eles têm uma filosofia parecida, eu teria dito ‘temos um carro forte, só podemos bater nós mesmos, então vamos focar no programa do ano que vem’. E não sei quem mais pode ter feito isso. O sucesso gera mais sucesso e a Mercedes será forte ano que vem.”

De fato, enquanto ficou claro logo no começo do ano que a Mercedes era superior - tanto, que o time conquistou mais pontos do que nos outros dois anos em que havia dominado - Red Bull e Ferrari tiveram de levar o desenvolvimento de seus carros de 2016 adiante pois brigavam entre si pelo vice, enquanto, mais atrás, Williams e Force India faziam o mesmo pela luta pelo quarto posto.

Porém, para o chefe da Toro Rosso, Franz Tost, este não é o único fator. O dirigente acredita que, para que a Mercedes deixe de dominar, a única solução é igualar os motores, pois a vantagem obtida desde a mudança de regulamento de 2014 ainda é fundamental. “Se quiserem melhorar o espetáculo, a primeira medida tem que ser equalizar os motores”, defendeu. “A Fórmula 1 hoje é um campeonato de motores.”

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