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'Diferentão', Hamilton é mistério até para os companheiros de grid na F-1

Charles Coates/Getty Images
Imagem: Charles Coates/Getty Images

Julianne Cerasoli

Do UOL, em São Paulo

18/10/2016 06h00

A cena já virou um clássico na Fórmula 1: quando o desfile de pilotos, que antecede as largadas, é feito em um caminhão, Lewis Hamilton é sempre o último a subir e se posiciona no mesmo canto, afastado dos demais pilotos, usando seu inseparável fone de ouvido.

No grid, Hamilton não tem amigos e os colegas reconhecem que pouco sabem sobre o piloto que faz sua décima temporada na categoria - e luta pelo quarto título. 

“Ele é isolado, tem o jeito dele de ser. Não acho que ele tem relação com nenhum piloto da Fórmula 1”, revela Felipe Massa. “Respeito-o por como ele é. Cada um tem seu jeito, assim como tem aquele cara que sorri demais e você não sabe se é pelo jeito dele mesmo ou outra coisa. “

Mesmo quem correu na mesma equipe com Hamilton diz não ter desenvolvido qualquer relação fora do âmbito profissional com o piloto. “Não passo tempo nenhum com Lewis. Não sei a pessoa que ele é, não o conheço”, disse Jenson Button ao UOL Esporte. Os dois foram companheiros entre 2010 e 2012 na McLaren. “Ele é mantém sua vida privada longe de nós. Sempre que conversamos ele é amigável, como deve ser, afinal estamos fazendo a mesma coisa e estamos no nível máximo do esporte que amamos.”

O isolamento de Hamilton foi acontecendo aos poucos e veio junto com uma mudança de postura do inglês, que passou a adotar um visual diferente ao longo dos anos, especialmente depois que deixou a McLaren, no final de 2012. Nas mídias sociais, Lewis também passou a expor mais seus gostos e sua vida pessoal, deixando claro que é o ‘diferentão’ da turma.

Hamilton voa com seu próprio avião, é músico nas horas vagas e não esconde que curte a vida de solteiro. No paddock, ele se destaca com seus tênis de cano alto, meias coloridas, bermudões rasgados e valiosíssimas correntes cravejadas de diamantes. Um visual bem diferente do garoto de 22 anos protegido pela McLaren que chegou à Fórmula 1 em 2007.

“Só de olhar dá para ver que ele mudou”, lembra Massa. “Fez várias tatuagens, hoje se veste de um jeito bem diferente. Mas a gente não convive, então é difícil dizer.”

Quem sentiu bastante essa mudança foi seu atual companheiro, Nico Rosberg. O alemão conheceu Hamilton ainda na adolescência, quando os dois faziam parte da equipe de kart da Mercedes. Mas a relação de amizade que existia entre os dois, que são vizinhos em Mônaco, hoje é diferente. “A dificuldade entre nós dois é que ambos somos muito competitivos então é difícil ter uma amizade no momento”, explicou o líder do campeonato, que tenta, no quarto ano em que divide a Mercedes com Hamilton, batê-lo pela primeira vez.

Com ou sem amigos no grid, a abordagem de Hamilton parece estar dando certo para o piloto, que é o mais vencedor do atual grid e o terceiro com mais vitórias na história. Seu momento no atual campeonato, contudo, não é dos melhores: sem vencer desde julho, Lewis tem 33 pontos de desvantagem para Rosberg e tenta começar a reverter o quadro neste final de semana, no GP dos Estados Unidos.

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