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Carro da F-1 terá proteção no cockpit. Mas qual é melhor: halo ou aerotela?

Proteções testadas pela Red Bull (aerotela) e pela Ferrari (halo) - Alexander Nemenov e Eric Alonso/AFP
Proteções testadas pela Red Bull (aerotela) e pela Ferrari (halo) Imagem: Alexander Nemenov e Eric Alonso/AFP

Julianne Cerasoli

Do UOL, em São Paulo

29/04/2016 10h09

A Federação Internacional de Automobilismo está convencida de que os carros da Fórmula 1 terão algum tipo de proteção extra para a cabeça dos pilotos já a partir da próxima temporada. Mas está longe de decidir o que será utilizado.

Nesta sexta-feira, nos treinos livres para o GP da Rússia, a Red Bull testou pela primeira vez sua solução, que chamou de ‘aerotela’. O sistema, que se assemelha à cabine de um avião de caça, mas com uma abertura no topo para facilitar a saída do piloto, é o segundo que chega a ir à pista. O primeiro foi o chamado ‘halo’, uma haste de fibra de carbono desenvolvida pela Mercedes e testada pela Ferrari durante a pré-temporada.

Após a FIA ter pedido às equipes que desenvolvessem ideias de proteção, tais opções foram as que mais avançaram. A ideia de fechar totalmente o cockpit, como a McLaren e a própria Red Bull chegaram a aventar, traria muitos desafios para a extração dos pilotos e acabou ficando de lado.

Prós e contras

Proteção testada pela Ferrari - Getty Images - Getty Images
Proteção testada pela Ferrari
Imagem: Getty Images
Quando a Ferrari testou o halo, uma coisa ficou clara: os fãs da F-1 não gostaram da novidade do ponto de vista estético - e até muitos pilotos torceram o nariz mesmo com as melhorias em termos de segurança. Além disso, Kimi Raikkonen e Sebastian Vettel admitiram uma maior dificuldade em termos de visibilidade, ainda que contornável, em sua opinião.

Porém, o halo tem como principal vantagem não apresentar problemas em condições de chuva, diferentes tipos de condições de luz, e por não acumular detritos - principalmente restos de pneu. Isso, em comparação com a aerotela da Red Bull.

Depois de testar o modelo na pista, Daniel Ricciardo elogiou a solução. "Acho que em termos de visibilidade é muito bom", disse em entrevista coletiva nesta sexta-feira em Sochi. "A visão periférica era boa. Eles colocaram os pilares estruturais alinhados com os espelhos retrovisores, então você não tem a visão mais encoberta do que agora. É claro que é estranho ter uma estrutura [protegendo o cockpit], mas dá para se acostumar. Foi diferente, mas ainda assim foi muito bom."

 

Quem vai decidir?
A FIA garante que a decisão sobre qual sistema será adotado vai atender, prioritariamente, padrões de segurança. Tanto o halo, quanto a aerotela foram testados pela federação e aguentaram impactos de grandes detritos e de pneus, grande preocupação da federação.

Os testes em pista, porém, servirão para tirar outras dúvidas, como a questão da chuva, luminosidade e sujeira. O processo de remoção do piloto em caso de acidentes em que ele não consegue sair sozinho também será analisado. Segundo o diretor de provas da FIA, Charlie Withing,

Para o chefe da Red Bull, Christian Horner, contudo, a decisão não pode demorar. "Acho que isso precisa ser feito nas próximas seis a oito semanas", afirmou à Motorsport. "[A aerotela] passou os testes de impactos, andou na pista pela primeira vez. Então daremos as informações à FIA e eles vão usá-las da maneira que quiserem."

Resistência
Mas não são todos os pilotos que aprovam a ideia. Lewis Hamilton, que já havia criticado o halo, disse que a solução da Red Bull é “horrível” e defende que a F-1 continue usando cockpits abertos.

“Se eles vão fazer isso, que feche o cockpit de uma vez”, disse Hamilton em coletiva de imprensa nesta quinta-feira em Sochi, que recebe a quarta etapa do campeonato. “Não façam as coisas pela metade. Ou faz direito, ou não faz. Essa tela é horrível, parece uma porcaria de escudo de choque”, criticou.

Mesmo reconhecendo a importância de melhorar a segurança, Hamilton acredita que qualquer barreira no cockpit seria ir longe demais. “Quando criança, você vê um carro de F-1 e pensa ‘esses caras são loucos, poderiam morrer a qualquer momento’. Todo mundo quando começa a ver F-1 vem me dizer que é perigoso. É uma grande parte da razão pelas pessoas gostarem”, defendeu.

Outro grande crítico das proteções no cockpit, Nico Hulkenberg se mostrou menos resistente à solução apresentada pela Red Bull. "A proteção ao cockpit é algo que vai acontecer, é uma realidade, não adianta lutar contra isso. Então é bom já testarmos tudo de uma vez. Acho que essa da Red Bull vai ser minha opção favorita", afirmou em entrevista coletiva na Rússia. 

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