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13/03/2006 - 08h01

Fifa cede e desiste de restringir fotos da Copa para jornais e sites

Da Redação
Em São Paulo
A Fifa e a WAN (sigla em inglês de Associação Mundial de Jornais) anunciaram nesta segunda-feira que as duas entidades chegaram a um acordo, derrubando qualquer restrição de publicação de fotos da Copa do Mundo da Alemanha.

CRONOLOGIA
Junho.05 - Apesar das restrições da Fifa, nenhum meio de comunicação obedece a regra de publicar fotos só duas horas após as partidas da Copa das Confederações
Setembro.05 - A Fifa anuncia que a Copa do Mundo terá embargo de fotos e, dessa vez, agora punição a quem não seguir a regra
Outubro.05 - A Fifa abranda embargo e permite a publicação de cinco fotos do primeiro tempo logo após o jogo -as imagens do segundo tempo só 45 minutos após o fito final
Fevereiro.06 - A Fifa abandona as negociações com a WAN e anuncia que manterá restrição. A WAN declara que procurará políticos, patrocinadores e advogados para dissuadir a entidade esportiva
Março.06 - A Fifa recua de posição e, após reunião com a WAN, anuncia o fim do embargo de fotos
O acerto aconteceu após um acordo privado entre Joseph Blatter, presidente da Fifa, e Timothy Balding, executivo-chefe da WAN, que também representou nas negociações as agências internacionais de notícias.

"As conversas foram muito construtivas e chegaram a uma solução de benefício mútuo", disse Blatter. "Nós compreendemos que a publicação de fotos e textos deve ser tratada com a mesma política de respeito à liberdade de imprensa", completou o máximo dirigente do futebol no mundo.

Na verdade, a Fifa cedeu à pressão da entidade que congrega mais de 18 mil jornais de 102 países. A entidade esportiva anunciou em setembro último que os portais de Internet só poderiam publicar fotos duas horas após o fim das partidas do Mundial.

Em meados de fevereiro, a Fifa abandonou as negociações e afirmou que manteria suas restrições, um pouco mais brandas (cinco fotos por tempo de jogo e só as imagens do segundo tempo entrando no ar 45 minutos após o apito final). Como reação, a WAN anunciou que procuraria políticos da União Européia e patrocinadores da Fifa para mostrar a arbitrariedade que os dirigentes esportivos estavam cometendo.

A entidade jornalística também estudava ações legais para poder manter a liberdade de publicação de fotos -entre as medidas mais estranhas do embargo da Fifa estava a proibição de sobrepôr títulos ou palavras sobre as fotografias do evento, intervindo até na diagramação dos jornais em todo o mundo.

"Com a eliminação de limites no número de fotos, a Fifa mostra que respeita a liberdade de imprensa e quer preservar o fluxo livre de informação. Foi uma decisão sábia do senhor Blatter", afirmou Balding.

A Fifa, porém, acena com uma volta ao tema após a Copa, que acontece de 9 de junho a 9 de julho. "Quero que no futuro aconteça um diálogo aberto e permanente com a WAN, para evitar mal-entendidos. Sugeri à WAN para ter um membro dentro do comitê de mídia da Fifa", disse Blatter.

O que moveu a Fifa a tentar restringir a publicação de fotos foi proteger os interesses da empresa Infront para a qual a entidade esportiva vendeu a exclusividade de veiculação de imagens digitais para telefonia celular.

A entidade com sede em Zurique (Suíça) argumentava que os sites de Internet usariam as fotos em serviços restritos para os quais cobrariam um preço a mais para seus assinantes.

Desde a Copa das Confederações de 2005, a Fifa tenta criar embargos para a publicação de fotografias de seus eventos. Na ocasião, os meios noticiosos não seguiram as restrições e, mesmo assim, a Fifa não estipulou nenhuma punição.

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