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01/07/2006 - 20h59

Rendimento de Ronaldinho desaba no adeus à "sua" Copa

Daniel Tozzi e João Henrique Medice
Enviados especiais do UOL
Em Frankfurt (Alemanha)

AFP

AFP

Atônito na derrota para a França, Ronaldinho esteve em baixa

Dos 23 jogadores da seleção brasileira, Ronaldinho Gaúcho é o que mais perdeu nesta Copa. Seus dois prêmios consecutivos de Melhor Jogador do Ano da Fifa não se refletiram em nenhuma de suas cinco atuações. Pior ainda: se nos últimos dias ele afirmava que não vinha brilhando porque estava atuando de forma diferente da que tem no Barcelona, seu desempenho foi inferior justamente quando, contra a França, foi escalado na função à qual está acostumado.

Muito decepcionado com o resultado final naquela que era para ser "sua" Copa, Ronaldinho deu breves declarações após a partida e cortou a entrevista após poucas frases.

O RENDIMENTO DE RONALDINHO

Média dos 4 jogos anterioresContra a França
Gols00
Finalizações1,81
Bolas recebidas60,232
Bolas perdidas5,55
Passes57,227
Passes errados5,56
Lançamentos6,86,5
Dribles6,53
Jogadas de linha de fundo3,24
Cruzamentos4,25
Total de atuações84,249
"Estamos muito abatidos, mas o que temos a fazer agora é pensar na próxima Copa. Nenhum jogador gosta de perder competições tão importantes como esta. Acho que agora não é momento de dizer o que faltou, ou o que não faltou. Desde o goleiro até os atacantes todos tentaram fazer o melhor para passar à próxima fase, para ajudar o Brasil", disse Ronaldinho.

Segundo levantamentos do instituto Datafolha, diante dos franceses Ronaldinho finalizou menos, recebeu menos bolas, driblou menos, fez menos lançamentos, deu menos passes e seu total de atuações na partida foi bem menor (veja comparativo no quadro ao lado).

Seus números só se mantiveram próximos à sua média nas quatro partidas anteriores em bolas perdidas (5 no jogo, com média 5,5 nas quatro partidas anteriores), passes errados (6, contra 5,5 dos outros jogos) e jogadas de linha de fundo. E, claro, gols: nenhum, mesmo número que nos outros jogos.

A queda no rendimento se nota especialmente no fundamento em que Ronaldinho predominava na equipe: passes. Ele passou quatro jogos concentrando as ações no meio-campo, recebendo 60,2 bolas em média e dando 57,2 passes, dos quais 51,7 eram certos. Contra os franceses, recebeu 32 bolas e deu 27 passes, dos quais 21 foram certos.

Ele já tivera um rendimento menor contra Gana, quando recebeu 42 bolas e deu 38 passes, errando sete. Seu melhor índice de passes foi contra a Croácia, na estréia, quando errou apenas três em 63 passes.

Os índices fracos nessas partidas fizeram com que Ronaldinho encerre a Copa com uma média de passes dados inferior ao meia Ballack, figura central da Alemanha, que chegou à semifinal (veja abaixo a comparação dos números de Ronaldinho, Zidane e Ballack).

Nos cinco jogos, a atuação de Ronaldinho esteve muito longe de todo o brilho que o mundo todo esperava dele. Não foi nem o mestre do controle de bola que pratica malabarismos em treinos e comerciais de TV, nem o jogador de talento raro capaz de definir uma partida com um lance inspirado, imprevisível e de beleza plástica incomum, como no Barcelona.

Nem mesmo como na Copa de 2002, quando decidiu o jogo de quartas-de-final contra a Inglaterra. Deu uma pedalada no lance do gol de Rivaldo e, depois, fez o segundo gol num chute de curva que pegou o goleiro Seaman desprevenido.

RONALDINHO x ASTROS SEMIFINALISTAS

Ronaldinho (BRA)Zidane (FRA)Ballack (ALE)
Gols010
Finalizações1,425,2
Lançamentos5,84,26,2
Dribles5,841,5
Passes51,247,859
Passes errados5,65,88
Embora tenha sido um jogador importante para o funcionamento da equipe, Ronaldinho quase nunca apareceu em lances capitais nesta Copa. Nem mesmo ganhou um único prêmio de melhor jogador da partida, honraria que foi conferida a Zé Roberto (contra Austrália e Gana), Kaká (contra Croácia) e Ronaldo (contra Japão).

O Ronaldinho "apagado" já preocupava Parreira semanas antes da Copa. O jogador vinha de uma exaustiva, porém vitoriosa, pelo Barcelona, quando sagrou-se campeão espanhol e da Liga dos Campeões da Europa.

Na final do torneio europeu de clubes, Ronaldinho já teve uma atuação mais discreta que a esperada. O jogador mais decisivo na vitória de 2 a 1 sobre o Arsenal foi o sueco Larsson, que fez as jogadas dos dois gols.

Na fase inicial de treinamentos, em Weggis, na Suíça, Ronaldinho foi poupado de exercícios mais puxados para não desgastar sua resistência. Suas atuações nos amistosos preparatórios também foram insuficientes.

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