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25/05/2006 - 07h15

No agito de Weggis, Rogério Ceni dá fama a gandula que o ignora

Daniel Tozzi e João Henrique Medice
Enviados especiais do UOL
Em Weggis (Suíça)
Rogério Ceni foi a grande atração do treino do Brasil na manhã desta quinta-feira, em Weggis. O goleiro do São Paulo conquistou a torcida local ao "imitar" Ronaldinho Gaúcho e consagrar internacionalmente o gandula Kevin Walchli, de 13 anos.

João Henrique Medice/UOL

Kevin Walchli teve seus minutos de fama durante treinamento do Brasil

Ao final do treino, o reserva imediato de Dida no time de Carlos Alberto Parreira convidou o tímido garoto para brincar no gol. Kevin aceitou, mas deixou escapar que pouco, ou nada, sabe sobre o "manager".

"Não, acho que não", respondeu o jovem suíço sobre a questão. Depois de alguns minutos disse que "o nome não lhe parecia estranho".

Rogério chutava colocado e o goleiro-mirim defendia com segurança. O são-paulino, então, pediu para Kevin colocar as luvas que estavam atrás do gol e a torcida aprovou o gesto com muitas palmas.

Kevin era homenageado a cada intervenção e foi vazado apenas uma vez, quando Ceni o encobriu e provocou o riso dos torcedores.

Assim que o brasileiro deixou o campo, um batalhão de jornalistas foi entrevistar o jovem suíço. Kevin, assustado, foi socorrido por um funcionário do estádio Thermoplan, que traduzia perguntas e respostas.

Diante do assédio e para não tumultuar ainda mais o trabalho físico comandando por Moraci Sant'Anna, Kevin foi trazido à sala de imprensa do complexo e se sentou no lugar reservado a Parreira.

"Adorei, foi muito bom. Jamais esquecerei esse dia", disse o garoto, que se inscreveu para ser gandula e soube há uma semana que trabalharia no treino do Brasil.

Kevin mora em Halten, cidade que fica a 1h30 de Weggis. O gandula foi trazido pelo pai e tem acompanhado diariamente os trabalhos da seleção, que se prepara para a Copa do Mundo da Alemanha.

CIRCO?

A preparação do Brasil em Weggis ganha, a cada dia, status de entretenimento.

Os organizadores do evento venderam ingressos para os treinos e o estádio tem recebido uma média de três mil torcedores por período.

Tudo é motivo para festa. Entrada dos jogadores em campo, gols sem goleiro, treinos físicos e acenos dos atletas.

O técnico Carlos Alberto Parreira já adiantou que poderá recorrer a trabalhos sem a presença da torcida caso a superexposição atrapalhe a seleção.

Treinar em outra cidade não está descartado. Por enquanto, os jogadores não reclamaram publicamente do assédio.
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A nova celebridade local admitiu estar gostando do assédio. "É algo incomum, mas pode me ajudar muito. Principalmente com as garotas", brincou Kevin, que estuda e disputa um torneio de futebol promovido por uma empresa de telefonia móvel.

Ceni não deixou as luvas com o garoto, mas Kevin afirmou que o importante mesmo foi o carinho dos torcedores. "Os aplausos vão ficar para sempre na minha memória. Foi algo inesquecível mesmo".

Ronaldinho faz escola
Antes de conhecer Kevin, Rogério demonstrou estar com a pontaria afiada. De frente para o gol, acertou o travessão quatro vezes em cinco chutes - errou apenas a quarta tentativa.

O lance se assemelha ao protagonizado por Ronaldinho Gaúcho. Um vídeo divulgado pela internet no ano passado mostrava o melhor jogador do mundo acertando o travessão quatro vezes, mas sem deixar a bola cair no chão. A cada rebote, o camisa 10 do Barcelona dominava no peito e repetia o chute.

À ocasião, Ronaldinho afirmou que o vídeo não foi uma montagem do seu patrocinador pessoal.

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