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23/05/2006 - 13h08

Superexposição faz Brasil admitir treino secreto fora de Weggis

Daniel Tozzi e João Henrique Medice
Enviados especiais do UOL
Em Weggis (Suíça)
A seleção brasileira não tem o que esconder, gosta de dizer o técnico Carlos Alberto Parreira. Mas os cerca de 750 jornalistas credenciados para a cobertura da preparação para a Copa, os milhares de torcedores que acompanharão os treinamentos e o mau tempo em Weggis, local da concentração, fazem a comissão técnica deixar escapar a existência de um plano B. Com direito a treino secreto.

Antonio Gauderio/Folha Imagem

Parreira gesticula em entrevista coletiva à imprensa na cidade suíça de Weggis

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Tal possibilidade foi revelada nesta terça-feira pelo supervisor Américo Faria, responsável pela logística da delegação. Questionado se o clima chuvoso e o conseqüente mal estado do gramado poderia, junto da baladação prevista para a outrora bucólica cidade, mudar o local das atividades, Faria tentou, sem sucesso, se esquivar.

"Vamos aguardar, existe a possibilidade de um treino secreto...", comentou o supervisor, para em seguida trocar olhares com Parreira e o coordenador-técnico Mario Jorge Lobo Zagallo, também presentes à entrevista coletiva. Segundo Faria, Weggis não era a primeira opção de treinamento. "Existem outros dois (locais). Se houver necessidade, vocês saberão", completou.

Mas o que realmente incomoda Parreira é a possibilidade de uma festa generalizada na cidade suíça enquanto a seleção estiver por lá.

"Se houver necessidade, a gente interrompe (o treino)", afirmou o treinador, numa referência ao barulho e agitação que cinco mil torcedores podem fazer numa simples atividade física. "O que nós queremos é tranquilidade. Se houver algo que atrapalhe, a gente muda", enfatizou Parreira.

RONALDO JOGA


Carlos Alberto Parreira descartou nesta terça-feira preservar Ronaldo nos treinamentos e amistosos do Brasil antes da Copa do Mundo. O técnico acredita que o atacante, sem atuar desde o dia 8 de abril, quando sofreu uma lesão na coxa direita, precisa justamente de ritmo de jogo.
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De fato, o único local no qual a seleção com certeza não será incomodada é o Park Hotel Weggis, onde a delegação está hospedada.

Apesar da recepção sem maiores tumultos por parte da população local na segunda-feira, nesta terça a polícia fez de Hertensteinstrasse, número 34, o endereço mais vigiado da Suíça. "Isso é em função do que o Brasil representa no futebol mundial", comentou Parreira. "Mas tranquilidade só teremos mesmo dentro do hotel", completou.

A reportagem do UOL Esporte esteve na manhã desta terça-feira no hotel. Após alguns minutos à frente da entrada principal da concentração, policiais "pediram licença" aos jornalistas e fecharam a rua.

Ninguém, exceção feita aos profissionais das Organizações Globo, podia circular próximo ao portão principal. Barricadas foram armadas nas duas extremidades da rua. Em cada ponto, três policiais se revezam na vigilância.

Carros e pedestres que se locomoviam nas redondezas podiam atravessar a área, desde que não parassem para tirar fotos ou observar o vai e vem dos funcionários do hotel. Tentar flagrar algum jogador, então, nem pensar. De acordo com os policiais, a medida foi tomada para preservar a intimidade e tranqüilidade da seleção.



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