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Vitor Guedes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

10 erros da (já) era Paulo Sousa

Paulo Sousa, técnico do Flamengo, durante a derrota para o Red Bull Bragantino  - Diogo Reis/AGIF
Paulo Sousa, técnico do Flamengo, durante a derrota para o Red Bull Bragantino Imagem: Diogo Reis/AGIF
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Vitor Guedes

Vitor Guedes é jornalista e professor universitário pós-graduado em Português, Língua e Literatura pela UMESP, autor do livro "Paixão Corinthiana", com passagens por Jovem Pan, Lance!, Site do Corinthians, BandNews FM, Agora São Paulo, FAPSP e UNG. Com Copas do Mundo, Mundial Libertadores, Brasileiros e dezenas de Paulistas no currículo, Vitor Guedes é 1977, pai do Basílio, ZL e, atualmente, é colunista do UOL Esporte e comentarista do Baita Amigos no Bandsports

Colunista do UOL

08/06/2022 22h26Atualizada em 08/06/2022 22h55

Antes de tudo, brindemos o óbvio ululante:

1) Tempo livre para treinar é bom, muito bom, ótimo, supimpa, do balacobaco, da hora e maneiríssimo. Desde que, claro, o trinador saiba dar o treino. Não só na teoria, mas na prática, conquistando o grupo de jogadores que comanda e que será responsável pelo sucesso ou fracasso de seu trabalho.

2) A chance de um time funcionar escalando lateral na lateral, meia na meia, atacante que prefere jogar na direita na direita, atacante que rende melhor na esquerda na esquerda e centroavante de centroavante é consideravelmente maior do que inventar meia direita na lateral esquerda, lateral esquerdo na zaga, centroavante de meia e escolhendo errado o goleiro titular.

Dito isso, falemos do fiasco anunciado de Paulo Sousa

1) A diretoria que, supostamente foi buscar um treinador para virar a página Jorge Jesus, foi a Portugal encontrar Jesus e, pior e mais ridículo, fez selfie no estádio do Dragão antes de Porto x Benfica para registrar a obsessão. Nem Michael Douglas chegou a tanto em "Instinto Selvagem" e, com todo o respeito a Jorge Jesus, ele está muito longe de ser a Sharon Stone dos treinadores.

2) Sem Jorge Jesus, que usou o Flamengo para ganhar manchetes e ganhar escudo contra a pressão que sofria no Benfica, a opção da diretoria rubro-negra foi por Paulo Sousa. O que poderia ser pior que um treinador fraco, sem currículo e português, como Jesus, para fazer a torcida esquecer de Jesus?

3) A diretoria queria que Paulo Sousa, que não tem tamanho no futebol e chegou sem moral com a torcida, fosse a responsável por liderar um necessário processo de limpa e renovação do elenco vitorioso e envelhecido. Como um treinador fraco, e sem tamanho no Flamengo, vai renovar um grupo se a própria diretoria, que pediu isso, renovou o contrato de todos os veteranos acomodados?

4) O discurso de que continuidade é bom só vale se o técnico for bom e, mais do que isso, bom e tiver o grupo sob comando. Manter quem é fraco e não manda nada, nem tem a arquibancada do lado, é uma burrice, que só prolonga o problema. Aconteceu com Corinthians e Grêmio, que, burramente, viraram o ano com Siylvinho e Mancini quando era óbvio que teriam que o demiti-los em seguida. Em relação a Paulo Sousa, já que fizeram a bobagem de contratá-lo, poderiam ter abreviado o erro e acabado com o ciclo perdedor ao final do Campeonato Carioca, perdido para o Fluminense de Abel Braga. A estupidez de insistir na burrice jogou, além do Carioca e da Supercopa do Brasil, dez jogos do Brasileiro e mais de cinco meses de trabalho no lixo.

5) Só acabar com a era Paulo Sousa é pouco. Quem o contratou e insistiu na burrice por tanto tempo precisa ir junto.

6) Com todas as culpas da diretoria, é responsabilidade do treinador não culpar seus comandados em entrevista coletiva.

7) O Campeonato Português é disputado em Portugal, sob a cultura portuguesa. O da Escócia na Escócia, sob a cultura escocesa. Ao viajar para África do Sul, o brasileiro se submete as regras daquele país. Não dá para um treinador trabalhar no Brasil e o país amoldar sua cultura a ele e não ao contrário. No Brasil, não funciona em nenhum time, muito menos no Flamengo, com um grupo vencedor no clube, jogar jogador aos leões publicamente. Parece óbvio E é.

8) Diego Alves é o terceiro goleiro. Se for para não colocá-lo no banco, não espere o aquecimento no campo para depois cortar o jogador. Isso não é cultura. É burrice e falta de inteligência em lidar com grupo.

9) Xenofobia é crime. E estupidez. Tudo que o português Paulo Sousa fez de errado e que a diretoria brasileira rubro-negra fez de bobagens são motivos de críticas independentemente da nacionalidade dos envolvidos.

10) Paulo Sousa ter feito péssimo trabalho não transforma Mauricio Barbieri em gênio. Nem Jorge Jesus em bom caráter.

Beijos de luz!

Eu sou o Vitor Guedes e tenho um nome a zelar. E zelar, claro, vem de ZL! É nóis no UOL!

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Errata: o texto foi atualizado
Ao contrário do publicado, o técnico do Flamengo é Paulo Sousa, não Paulo Nunes. A informação foi corrigida.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL