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Vinte e Dois

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Os pontos críticos para o Jogo 7 entre Milwaukee Bucks e Brooklyn Nets

Khris Middleton brilhou em vitória dos Bucks sobre os Nets - Jonathan Daniel/Getty Images
Khris Middleton brilhou em vitória dos Bucks sobre os Nets Imagem: Jonathan Daniel/Getty Images
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Vitor Camargo

Colunista do UOL

19/06/2021 04h00

As duas melhores palavras da língua portuguesa: Jogo 7.

E, em preparação para o jogão decisivo entre Nets e Bucks, vamos dar uma olhada em alguns pontos críticos que podem definir o resultado da partida, começando com...

Como os Bucks podem defender Durant

O grande problema para os Bucks nesse Jogo 7 é que Brooklyn tem o melhor jogador. Nos dias bons, Durant é imparável. Nós vimos ele ganhar sozinho o Jogo 5 com uma atuação lendária, e mesmo em um Jogo 6 mais apagado ele ainda anotou 32 pontos e ameaçou trazer o time de volta no quarto período. Parar KD é impossível, mas Milwaukee precisa encontrar urgentemente algumas respostas para não deixar que faça 49 pontos de novo e ganhe o jogo por conta própria.

Uma das grandes críticas aos Bucks depois do Jogo 5 foi que o time deveria usar mais Giannis —o Defensor do Ano de 2020— em Durant, o que no papel faz sentido: Giannis é um grande defensor, um dos poucos seres humanos do planeta com tamanho e alcance capaz de incomodar o chute de KD, e ele foi quem segurou Durant ao seu pior aproveitamento em arremessos como defensor primário nos últimos anos.

Mas, na prática, isso tem dois problemas. Primeiro que Giannis, como defensor, está no seu melhor SEM ser o defensor primário da jogada —marcando um jogador secundário e usando essa liberdade para se movimentar pela quadra, oferecer ajuda, cortar linha de passes e proteger o aro. Colocar Giannis em KD em tempo integral pode tirar esse elemento da boa defesa dos Bucks, e colocar o grego em uma situação que não é a melhor para ele. Segundo porque defesa hoje é coletiva demais, envolve muitas trocas de marcação em ações fora da bola, então, mesmo que Giannis comece a jogada como defensor de Durant, os Nets têm formas de simplesmente evitar esse missmatch.

Isso não quer dizer, é claro, que eu não gostaria de ver Giannis marcando KD mais nesse Jogo 7, mas deixar o grego direto em KD não é a resposta. Ao invés disso, os Bucks precisam colocar Giannis em uma posição primária de ajuda onde ele possa trocar em KD e contestar o arremesso quando o relógio de posse chega perto do fim, assim:

KD acerta o chute, mas é como você quer colocar Giannis em cima dele —como uma reação à jogada inicial dos Nets.

Outra alternativa que os Bucks não exploraram o suficiente é simplesmente enviar dobras de marcação contra KD. Eu entendo a hesitação, e eu mesmo escrevi que os Nets são mortais quando rodam a bola contra ajudas defensivas, mas com o time tão baleado e obrigado a usar mais formações desequilibradas é um recurso que pode ser mais explorado. Milwaukee forçou 7 TOs de Durant no G6 sendo um pouco mais agressivo com as ajudas defensivas durante infiltrações, e se KD começar a pegar fogo de novo, os Bucks podem usar mais disso —e de forma ainda mais agressiva— para transformar KD em passador e obrigar o resto dos Nets a vencer o jogo.

O que James Harden pode oferecer

Tem sido bastante esquisito ver Harden jogar nessas duas partidas, visivelmente no sacrifício e com a mobilidade limitada. Saudável, Harden leva essa bola para dentro da cesta na hora. Baleado...

Sua combinação de passe, domínio de bola e arremesso ainda fazem dele perigoso, mas nos dois jogos desde sua volta, Harden tem alternado bons momentos com sequências horrendas, especialmente de turnovers. No Jogo 6, começou péssimo com 3 TOs, de repente emendou uma sequência dominante de passes e pontos, e depois voltou a ser um não-fator até quase o garbage time. Brooklyn precisa do desafogo que ele traz para KD iniciando jogadas e com seus chutes, mas é difícil saber o que dá para esperar dele a essa altura.

E isso não é uma crítica a Harden, que não tinha sido liberado pelo departamento médico antes do Jogo 5 e jogou 86 minutos desde então —ele está no sacrifício, e fazendo isso porque o time precisa de ajuda sem Kyrie. O que ele trouxer é bônus. Mas o Harden do Jogo 5 foi uma desvantagem para os Nets, e mesmo no Jogo 6 ainda não foi realmente um fator construtivo. O quanto a mais ele pode oferecer e o quanto mais sua perna melhora desde o Jogo 6 são fatores cruciais.

Giannis jogando de pivô

Eu escrevi antes sobre como essa é a formação mais mortal dos Bucks, e ela tem aparecido cada vez mais. Depois de praticamente inexistir nos primeiros três jogos, ela foi fundamental para os Bucks no Jogo 4. No Jogo 5, não funcionou porque Durant foi fantástico aproveitando as trocas de marcação para caçar os elos fracos e arremessar por cima de Connaughton, mas os Bucks novamente recorreram a ela no Jogo 6, e com muito sucesso. Foram 13 minutos com Giannis de pivô, a maior marca da formação na série, e dessa vez Milwaukee estava muito mais bem preparado para impedir que KD conseguisse os mismatches que queria, usando a maior mobilidade e atleticismo do quinteto para pressionar Durant nas trocas.

Nesses 13 minutos, os Bucks foram +9 em quadra, e não é à toa que Giannis teve seu melhor perfil de arremessos em toda a série —incluindo zero chutes de três pontos, e a menor distância média nos seus arremessos desde a primeira rodada.

Ao longo da série, eu tenho insistido na importância dos Bucks gerarem cestas mais fáceis perto do aro para Giannis, ao invés de limitar o grego a chutes de fora ou jogadas de isolação contra um garrafão congestionado. Sair em transição, como sempre digo, é uma alternativa, mas jogar com Giannis de pivô também é uma forma de conseguir esses chutes mais livres. Com mais arremessadores e jogadores capazes de infiltrar e passar a bola, a defesa dos Nets é obrigada a se abrir mais, e você não precisa executar ações complexas para Giannis pegar a bola em boa posição para atacar —o espaçamento é natural, e é questão de direcionar o ataque para o lado certo.

Espere ver bastante dessa formação no Jogo 7.

Quais coadjuvantes vão aparecer?

Durant e Giannis são as duas grandes estrelas dos times e da série, mas basquete é um esporte coletivo. Por melhor que Durant tenha sido no Jogo 5, os Nets ainda precisaram dos 27 pontos de Jeff Green para sobreviver. Por mais que Giannis tenha finalmente jogado mais dentro do garrafão no Jogo 6, os Bucks não vencem com tanta facilidade sem a ótima performance de Khris Middleton. Parece idiota colocar assim, mas além dos elementos táticos e das grandes estrelas, muitas vezes, um jogo de basquete se resume a acertar ou não os arremessos disponíveis.

Khris Middleton é um ótimo exemplo. Ele desempenha um papel fundamental em um time dos Bucks que depende demais dos chutes perto do aro ou de três pontos —alguém capaz de criar o próprio chute, arremessar da meia distância e desafogar o ataque. O problema é que esses chutes, que decidiram o Jogo 6 quando caíram, também foram os mesmos chutes que deram errado e afundaram o time no Jogo 5. Nas três vitórias dos Bucks na série, Middleton tem média de 31 pontos com 53 FG% e 50 3PT%. Nas três derrotas, são 18 pontos por jogo com 32 FG% e 26 3PT%. E, na sua maioria, são os mesmos arremessos, só que essa flutuação deixa os Bucks muitas vezes sem plano B. Na verdade, os problemas gerais dos Bucks na série também estão relacionados com o time estar arremessando apenas 28% de três pontos depois de passar o ano chutando 39%; mesmo que os chutes agora sejam mais contestados, ainda é uma queda excessiva. Assim como Middleton, às vezes é só questão de acertar ou não os mesmos chutes.

No lado dos Nets, os holofotes estão sobre Joe Harris. Depois de fazer 32 pontos nos Jogos 1 e 2 com 53 3PT%, Harris anotou apenas 6 pontos por jogo com 21 3PT% nos seguintes. Harris é parte importante da movimentação de bola dos Nets, e se essas bolas não caírem, as chances de Brooklyn despencam consideravelmente. No Jogo 5, quem salvou os Nets com as bolas longas foi Jeff Green, mas ele não tem sido esse jogador na carreira. Se Harris continuar mal, quem pode aparecer para aproveitar os chutes que KD e Harden gerarão? Shamet? Será que Blake Griffin pode redescobrir a mágica do Jogo 1? Sem essas bolas longas, fica difícil para os Nets com Kyrie fora e Harden baleado.

Como os coadjuvantes (ou até as estrelas secundárias como Middleton, Harden e o apagado Jrue Holiday) aparecem para a ocasião, a história nos ensina, pode ser o fator decisivo nesse Jogo 7.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL