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Vinte e Dois

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Analisando a primeira rodada dos playoffs na Conferência Leste da NBA

Kyrie Irving, do Brooklyn Nets, encara a marcação de Ben Simmons, do Philadelphia 76ers, em jogo da NBA - Mitchell Leff/Getty Images/AFP
Kyrie Irving, do Brooklyn Nets, encara a marcação de Ben Simmons, do Philadelphia 76ers, em jogo da NBA Imagem: Mitchell Leff/Getty Images/AFP
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Vitor Camargo

Colunista do UOL

20/05/2021 04h00

Com dois jogos dos play-ins do Leste já realizados e mais um dos participantes dos playoffs conhecido (no caso, o Boston Celtics), chegou a hora de passar pelos quatro confrontos de primeira rodada dos playoffs da Conferência Leste e ver o que nos espera. Começando com...

#2 Brooklyn Nets vs #7 Boston Celtics

Boston venceu o Wizards com propriedade na terça à noite no primeiro jogo dos play-ins, e o motivo para isso foi relativamente simples: Boston tinha o melhor jogador em quadra, com Tatum enfiando 50 pontos para cima de um time de Washington que simplesmente não tinha resposta para ele. Mas contra um time de Brooklyn que tem Kevin Durant e James Harden? As coisas ficam muito mais difíceis.

Embora o Nets seria favorito de qualquer modo, a lesão de Jaylen Brown é particularmente triste aqui porque, com ele saudável, Boston é um dos pouquíssimos times da NBA com jogadores capazes de defender o Big Three de Brooklyn (ou pelo menos dentro do humanamente possível) diretamente, sem precisar enviar ajudas defensivas tão extremas que abram caminho para a movimentação de bola e os chutes livres nos quais Brooklyn é tão bom. O Nets teve o melhor ataque da NBA na temporada, mas também teve a nona pior defesa; Boston nunca seria capaz de parar o trio de estrelas do Nets, é claro, mas se conseguisse minimizar a ajuda o suficiente para evitar ser massacrado com chutes de fora poderia sonhar em fazer disso uma série disputada caso conseguisse se aproveitar das deficiências do Nets do outro lado da quadra.

Mas, do jeito que as coisas estão, Boston simplesmente não tem o poder de fogo para competir em uma série de placares altos. Para um time baseado em um trio de grandes estrelas, o Nets tem ótima profundidade; juntando suas boas opções secundárias e separando os minutos das suas estrelas, Brooklyn consegue manter seu poder de fogo por 48 minutos sem perder o embalo, enquanto ao longo do ano Boston sofreu para sequer sobreviver nos minutos que dependeu do seu banco. Existe uma versão hipotética do Boston Celtics capaz de bater de frente com o Nets, mas não é essa de 2021.

Para o Nets, a outra questão além da defesa pairando sobre o time é o entrosamento das suas estrelas. Devido a lesões e ao timing da troca que trouxe Harden para o Brooklyn, seu Big Three jogou apenas 8 partidas juntos. Talento bruto importa, e o Nets tem de sobra, mas nos playoffs é importante também os pequenos ajustes e respostas que maximizam esse talento, e a única forma de desenvolver isso é com repetições e entrosamento. O Nets não tem isso dominado no momento e sabe que não vai chegar no ponto ideal ainda esse ano, mas cada pequeno avanço conta; nesse sentido, o Celtics pode ser um excelente adversário para Brooklyn começar a encontrar as respostas que provavelmente não precisará ainda na primeira rodada, mas certamente serão cruciais no futuro.

Palpite: Nets em 5

#3 Milwaukee Bucks vs #6 Miami Heat

Nenhuma série na primeira rodada dos playoffs vai carregar mais drama do que essa. Na temporada passada, Heat e Bucks se enfrentaram nos playoffs e Miami não só bateu o Bucks na série; foi uma verdadeira humilhação, expondo cada mínima fraqueza de Milwaukee com uma brutalidade que deixou marcas profundas na equipe de Wisconsin. Agora os dois times voltam a se encontrar na pós-temporada, e para o Bucks esse pode ser um momento decisivo: a chance de exorcizar seus demônios de uma vez por todas e provar para si mesmo que esse time é diferente em relação aos últimos anos, ou então um risco precoce de ver todos seus problemas do passado voltando com força.

Desde a derrota nas mãos do Heat ano passado, tudo que o Bucks fez foi para mudar sua identidade e evitar outro vexame. O time sacrificou sua profundidade em troca de mais opções de alto nível, e trouxe Jrue Holiday para complementar Giannis e Middleton e dar ao time mais uma terceira opção confiável para ficar em quadra nos fins de jogos (PJ Tucker pode ser a quarta). Ao invés de dominar a temporada regular com um estilo constante e eficiente, o Bucks usou esse ano para experimentar com diferentes variações e abordagens, deixando de lado sua defesa conservadora do passado para experimentar com mais trocas de marcação, testando diferentes formações e jogadas do outro lado. Se por um lado isso levou a menos vitórias e alguns momentos difíceis de aprendizado, a esperança é que também torne o time mais flexível e menos previsível nos playoffs contra adversários mais bem preparados.

Se vai funcionar, é impossível dizer; é justo, depois dos dois últimos anos, ter um pé atrás com relação ao Bucks na pós-temporada. Mas eles fizeram o que podiam para se preparar, e por mais que muitos estejam preocupados com o Bucks enfrentar um desafio como o Heat logo na primeira rodada, eu acho que é uma excelente oportunidade: um time que quer ser campeão deveria ser capaz de vencer qualquer adversário, e pegar Miami logo de cara oferece ao Bucks um excelente teste para todo esse processo de transformação pelo qual passaram - e um que pode fortalecer demais o time caso consigam a vitória.

Do lado do Heat, Miami não tem nada a perder; o time é azarão, enfrenta um dos favoritos e que por acaso é um time que já venceram no passado com propriedade. Miami teve um ano complicado entre lesões e COVID, mas o Heat sob Spolestra sempre teve a tendência de melhorar ao longo da temporada, e chegam nos playoffs jogando seu melhor basquete do ano. Essa tem meu voto para série mais interessante da primeira rodada.

Palpite: Bucks em 7

#4 New York Knicks vs #5 Atlanta Hawks

Embora seja talvez a série menos antecipada da primeira rodada, em parte por não ter um legítimo candidato ao título em quadra, essa talvez seja a série mais equilibrada do Leste e com duas de suas melhores histórias. O Knicks talvez tenha sido A grande história do ano, não só saindo do fundo do poço mas virando um legítimo time de playoffs sob o comando de Tom Thibodeau, com uma das melhores defesas da liga e um ataque que vem ascendendo desde que trouxe Derrick Rose. O Knicks tendo mando de quadra em uma série de playoffs é algo que ninguém esperava antes do ano começar, e um testamento ao ano incrível da franquia.

Conseguiria o Knicks continuar esse bom momento rumo a voos mais altos? Bem... eu admito que estou um pouco cético. Eu também estava cético com o time antes do ano começar, então leve isso com um grão de sal, mas a temporada regular tende a premiar times que são muito consistentes com um estilo de jogo bem definido; nos playoffs, no entanto, a variabilidade e capacidade de adaptação tendem a pesar mais. O Bucks dos últimos anos e o melhor exemplo disso, o que o Draymond Green chamou de "Times (ou jogadores) de 82 jogos" contra "Times (ou jogadores) de 16 jogos": certos times são encaixes melhores para o estilo de jogo da temporada regular, outros para os playoffs. Isso não quer dizer que o Knicks possa (ou deva) ser descartado, especialmente considerando o quão boa sua defesa é; é só algo que vale a pena ficar de olho.

O Hawks, por outro lado, tem meu voto para elenco mais subestimado da NBA. Trae Young recebe a maior parte da atenção, e não sem motivos, mas o elenco é insanamente profundo. Clint Capela mereceu votos para All-NBA e All-Defense, enquanto Bogdanovic talvez tenha sido o melhor jogador do time no ano e teria recebido votos para All-NBA em um ano menos competitivo; isso sem entrar em nomes como John Collins, Kevin Huerter e DeAndre Hunter. O Hawks tem 10 ou 11 legítimos jogadores de rotação, e embora obviamente eles não possam usar todos eles por muitos minutos ao mesmo tempo na pós-temporada, isso oferece uma flexibilidade e variabilidade importantíssima para Atlanta.

O Hawks ainda é um time muito baseado em Young segurando muito a bola e tomando decisões, o que é um perigo contra uma defesa tão boa como o Knicks que tende a tirar as principais opções adversárias do jogo, mas desde que Nate McMillan chegou o Hawks tem mostrado muito mais variação nesse sentido, deixando a bola nas mãos de seus playmakers secundários (em especial Bogdan) e usando Trae fora da bola. O Knicks certamente vai buscar forçar isso a níveis extremos, e vai ser um bom teste para ver o quão pronto o elenco do Hawks está em geral, mas me parece que o Hawks simplesmente tem um elenco mais completo que o do Knicks.

Palpite: Hawks em 6

#1 Philadelphia 76ers vs #8 TBD

Philadelphia enfrenta o vencedor do último jogo dos play-ins do Leste, entre Indiana Pacers e Washington Wizards, e é difícil imaginar qualquer um dos dois dando muito trabalho ao Sixers.

Tradicionalmente, a oitava seed costuma ser apenas um sacrifício para esquentar o melhor time da conferência, e embora existam exceções (o Oeste inclusive pode ser um ótimo exemplo disso esse ano), os play-ins não devem mudar muito essa equação. Philly é o único time na NBA inteira que deve realmente ter vida tranquila na primeira rodada; o desnível em relação aos dois possíveis adversários é muito grande, e o encaixe taticamente também é favorável ao Sixers tanto contra Westbrook como contra Sabonis.

Palpite: Sixers em 4

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL