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Jimmy Butler ameaça usar trunfo do último título de LeBron contra LeBron

Jimmy Butler, do Miami Heat, ataca a marcação de LeBron James, do Cleveland Cavaliers - Douglas P. DeFelice/Getty Images North America/AFP
Jimmy Butler, do Miami Heat, ataca a marcação de LeBron James, do Cleveland Cavaliers Imagem: Douglas P. DeFelice/Getty Images North America/AFP

Lucas Pastore

Colunista do UOL

06/10/2020 04h00

O famoso toco sobre Andre Iguodala no jogo 7 das finais de 2016 é a imagem eternizada do mais improvável título da carreira de LeBron James. Depois de ver o favorito Golden State Warriors abrir 3 a 1 na série decisiva, disputada em formato melhor de sete, o astro comandou a virada do Cleveland Cavaliers mostrando uma impressionante força mental. Agora no Los Angeles Lakers, o camisa 23 vê Jimmy Butler, destaque do Miami Heat, ameaçar fazer o mesmo contra ele.

Há quatro anos, LeBron enfrentava um estrelar time dos Warriors que havia vencido 73 jogos na temporada regular, recorde da história da NBA. Mas a equipe da Califórnia chegou à decisão com Stephen Curry e Andre Iguodala baleados, o que se tornou ainda mais difícil com o jogo físico dos Cavaliers.

Enquanto o time de Cleveland castigava o corpo dos oponentes, que tinham cada vez mais dificuldade com o passar dos jogos, LeBron tentava entrar na mente dos adversários. Conseguiu cavar a falta técnica de Draymond Green que o suspendeu por um jogo e mostrou confiança e liderança mesmo quando seu time perdia por 3 a 1. Com médias de 29,7 pontos, 11,3 rebotes e 8,9 assistências por exibição, foi eleito o melhor jogador da final, como não poderia deixar de ser.

Agora, é Jimmy Butler que ameaça fazer o mesmo. Os Lakers ficaram ainda mais favoritos quando o Heat perdeu os lesionados Goran Dragic e Bam Adebayo, e o time da Califórnia abriu 2 a 0 na final. Mas o astro da equipe de Miami não baixou a guarda e, com uma atuação histórica, comandou a vitória no jogo 3, que reacendeu a esperança da franquia da Flórida.

Butler deixou a quadra com um triplo-duplo: 40 pontos, 13 assistências e 11 rebotes em 45 minutos, além de dois tocos e duas roubadas de bola. O fez com incrível aproveitamento: converteu 14 dos 20 arremessos de quadra que tentou, todos de dois pontos, e 12 dos 14 lances livres que cobrou. Tudo isso sendo um dos responsáveis por marcar LeBron do outro lado da quadra.

Além da excelência técnica, Butler também levou vantagem no duelo mental. No primeiro tempo do jogo, LeBron o provocou dizendo que o Heat estava em apuros. Mas o ala do time de Miami devolveu as mesmas palavras na reta final do quarto período, quando a vitória já estava encaminhada. Ainda viu o astro dos Lakers deixar a quadra em direção ao vestiário quando ainda restavam dez segundos no cronômetro.

As qualidades intangíveis de Butler ajudam a explicar o sucesso do casamento com o Heat. O ala chegou à primeira final de sua carreira depois de passar por Chicago Bulls, Minnesota Timberwolves e Philadelphia 76ers. Nas três franquias, teve problemas de relacionamento com colegas de equipe e/ou treinadores, ganhando a fama de tóxico no vestiário.

O sucesso imediato no Heat se explica pela união entre a competitividade de Butler e a cultura do Heat, que ajudou LeBron a ganhar seus dois primeiros títulos da NBA em 2012 e 2013. Sob a liderança de Pat Riley e Erik Spoelstra, a franquia prega trabalho duro e exige que seus jogadores estejam sempre em forma. Recentemente, barrou Dion Waiter e James Johnson depois que os dois não atingiram as metas físicas impostas pela comissão técnica.

Também faz parte da cultura da franquia a excelência em encontrar e desenvolver talento. Não à toa, estão entre as peças importantes da equipe nos playoffs os novatos Tyler Herro e Kendrick Nunn e os segundanistas Bam Adebayo e Duncan Robinson.

Soma-se a isso a excelência do técnico Erik Spoelstra de rodar seu elenco e adaptar as rotações para explorar as fraquezas do adversário, e o que se tem é uma série de jogadores talentosos, dedicados e consequentemente confiantes em quadra. Se os Lakers têm méritos na contratação de astros como LeBron James e Anthony Davis, o Heat tem como um de seus maiores trunfos na arrancada rumo à final sua própria cultura.

LeBron é um dos jogadores com maior força mental em toda a NBA. Chegou à liga logo depois de encerrar sua trajetória no basquete colegial americano, sem passar pela universidade, e enfrentou doses pesadas de criticismo. Nada que o impediu de triunfar e de se estabelecer como melhor jogador do mundo.

Mas, agora, o astro terá que testar essa força mental contra Butler e o Heat. O jogo 4 da final será disputado hoje (6), às 22h (de Brasília), com transmissão de Band, ESPN e Watch ESPN, serviço disponível para assinantes do UOL Esporte Clube.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.