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Tales Torraga

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

10 anos hoje: 5 histórias esquecidas do título do Corinthians sobre o Boca

Corinthians e Boca Juniors na final da Libertadores em 2012 (Foto: Divulgação/TV Globo) - Reprodução / Internet
Corinthians e Boca Juniors na final da Libertadores em 2012 (Foto: Divulgação/TV Globo) Imagem: Reprodução / Internet
Tales Torraga

Jornalista e escritor, Tales Torraga nasceu em Mogi das Cruzes (SP), mas é, segundo os colegas, "mais argentino que os próprios argentinos". Morou em Buenos Aires e Montevidéu, girou pela imprensa brasileira e portenha e escreveu 15 livros ? o último deles, Copa Loca, é sobre a...Argentina nos Mundiais.

Colunista do UOL

04/07/2022 12h00

O Corinthians se prepara para encarar o Boca Juniors amanhã (5) na Bombonera, mas a segunda-feira (4) é dia de festa para a torcida do Timão. Afinal, o ápice na Libertadores foi alcançado justamente diante do Boca na épica noite de 4 de julho de 2012 no Pacaembu. O título invicto, a volta olímpica diante do "bando de loucos" e os gols de Emerson Sheik continuam vivos na memória do brasileiro que acompanha futebol.

Mergulhada na rotina argentina (e nos arquivos dos jornais "Olé", "Clarín" e "La Nación"), a coluna em abril resgatou cinco histórias que atravessam o tempo no país vizinho. Para corintianos especialmente mais novos, alguns causos são até mesmo desconhecidos.

Vale a pena relembrar:

Bomba-relógio

Noite de terça-feira, véspera da decisão. O Boca do técnico Julio César Falcioni e do meia Juan Román Riquelme fazia o reconhecimento do gramado do Pacaembu. Durante o treino da equipe argentina, torcedores que estavam do lado de fora do estádio jogaram rojões em direção às arquibancadas. Foram quatro bombas arremessadas para dentro do estádio, sendo que duas caíram nas arquibancadas vermelhas, sem danificar os assentos.

O episódio não atrapalhou o treino xeneize. Alguns jogadores apenas olharam para o local após ouvirem o barulho, continuando suas atividades. Os principais jornais argentinos aproveitaram a ocasião para carregar nas tintas e anunciar "um clima de guerra" para a decisão, dizendo que o Pacaembu era uma "bomba-relógio prestes a explodir".

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Romarinho faz o gol de empate durante a partida entre Boca Juniors x Corinthians realizada esta noite no Estádio de La Bombonera, jogo de ida da final da Libertadores da América 2012
Imagem: Daniel Augusto Jr.

Frio e calculista

Antes de começar a partida do Pacaembu, as conversas sobre futebol em Buenos Aires ainda falavam sobre um "lance de sorte" na Bombonera. O jogador em questão era o ex-atacante Romarinho, hoje no Al-Ittihad, da Arábia Saudita.

Foi o primeiro toque de Romarinho na bola naquela decisão — e a sua finalização perfeita para as redes do goleiro Orión é um exemplo de frieza e oportunismo quando o assunto é a eficiência de um reserva em um momento crucial.

As marcas de Romarinho na Argentina são tão resistentes que geraram até uma gafe na Libertadores deste ano. Nos dois jogos do Fortaleza contra o River Plate, a transmissão da rádio La Red, a líder em esportes em Buenos Aires, afirmou que o Romarinho hoje no Tricolor do Ceará era aquele que surpreendeu o Boca há dez anos.

São jogadores diferentes. O Romarinho hoje no Fortaleza sequer jogava em 2012 — estreou no ABC em 2013 e depois defendeu o Fluminense até integrar o elenco do Fortaleza em agosto de 2018.

Guerra e paz

Um retrato fixo daquela final para os argentinos foi o desempenho de Ralf e Paulinho, a dupla de volantes do Corinthians. Os argentinos têm certa obsessão pelos volantes. "É a sala de máquinas", costumam dizer, para ilustrar que o funcionamento dos times depende demais dos jogadores que antigamente carregavam as camisas 5 e 8.

"Ralf e Paulinho parecem que estão numa guerra; já Ledesma, Somoza e Erviti [os volantes do Boca], que estão passeando no parque", falou Mariano Closs, principal locutor da Argentina, na FOX Sports.

O "Clarín" do dia seguinte reforçou esta visão: "Uma pobre noite para o histórico espírito combativo argentino".

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Leandro Castan protege a bola na partida entre Corinthians e Boca Juniors, na final da Libertadores 2012
Imagem: Nacho Doce/Reuters

Tanque em fúria

No melhor estilo "Jonathan Calleri versus Palmeiras", o atacante do Boca Santiago Silva roubou uma câmera fotográfica de um jornalista na entrada do vestiário do Pacaembu ao perder a final.

Ao passar pelo corredor que liga o campo ao vestiário, o jogador esticou o braço e pegou uma câmera. Uma parede separava o jogador do repórter, impossibilitando o jornalista de se aproximar de Silva.

Imediatamente, o jornalista pediu o objeto de volta, mas não foi atendido pelo atleta do clube argentino. "Dá aí!!!", esbravejou o jornalista. "Ladrão, né?".

Posteriormente, a diretoria do Boca foi notificada, e a câmera foi devolvida para o profissional de imprensa.

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O futebolista Diego Maradona
Imagem: Getty Images

A bênção de 'Dios'

Torcedor-símbolo do Boca Juniors, Diego Armando Maradona esteve em seu famoso camarote na Bombonera na primeira partida da final. Na segunda, no Pacaembu, sofreu com o Corinthians pela TV, fazendo muitos elogios ao time de Tite nos dias seguintes.

Bem-humorado, Diego disse à Rádio Metro, da Argentina, que Ralf e Paulinho eram dois "orangotangos" em campo, impedindo qualquer avanço dos jogadores do Boca.

"É uma equipe totalmente atípica das demais brasileiras. Ele se parece muito mais como um time italiano do que de seu país. Uma equipe muito organizada, que sai em contragolpe, preenche os espaços e que tem dois orangotangos no meio de campo. Eles chegam a todas as bolas. O Corinthians tem também um goleiro que abre os braços e alcança as duas traves", comentou Maradona.

Tite concordou com a análise feita por Maradona sobre o "Corinthians italiano". O treinador ressaltou que todos os 11 titulares tinham dever de marcar intensamente e que jamais a equipe partia para o ataque de maneira desordenada.

"O Maradona observou bem", resumiu Tite, devolvendo o afago.

A libertação corintiana

Dez anos depois do primeiro título do Corinthians na Copa Libertadores, o UOL lança "A libertação corintiana", um documentário que reúne as histórias nunca contadas daquela partida. Produzido por MOV, a produtora audiovisual do UOL, o filme está disponível para assinantes do UOL Play.