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Tales Torraga

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Tudo sobre o Boca: o que mudou no gigante argentino desde a fase de grupos

Jogadores do Boca Juniors celebram gol marcado na partida contra o Deportivo Cali - Agustin Marcarian/Reuters
Jogadores do Boca Juniors celebram gol marcado na partida contra o Deportivo Cali Imagem: Agustin Marcarian/Reuters

Colunista do UOL

28/06/2022 04h02

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A coluna repassa agora os 11 titulares do Boca Juniors contra o Corinthians hoje (28), às 21h30 (de Brasília), na Neo Química Arena. Saiba também os pontos fracos e fortes de cada setor e as principais estratégias do técnico Sebastián Battaglia para abrir o mata-mata na frente.

Defesa

Vinha bem no começo do mês, tomando gols em apenas um de sete jogos, mas a sequência recente não é positiva —levou seis tentos nos últimos três jogos (contando com reservas em algumas partidas). Sabe jogar fechado e defendendo condições favoráveis no mata-mata (vide o duplo 0 a 0 com o Atlético-MG nas oitavas da Libertadores passada com o técnico Miguel Ángel Russo)

AGUSTÍN ROSSI - 26 anos - 1,90m / 85 kg - no Boca desde jan.2021 (atual passagem)
É um dos melhores da Argentina. Excelente sob as traves e na saída do gol. Quando está inspirado, brilha, especialmente nos pênaltis. Ainda sofre de certa instabilidade, mas que já está menor que antes.

LUIS ADVÍNCULA - 32 anos - 1,80m / 80 kg - no Boca desde ago.2021
O lateral-direito peruano é um trator de pura força no ataque. Chuta forte e tem um pulmão infinito, mas possui técnica escassa e pode ser um alvo fácil do ataque corintiano nas suas costas. Outro defeito: o jogo excessivamente brusco e constantemente à beira da expulsão. Ganhou férias para superar o trauma da eliminação peruana, mas pediu para jogar.

cali - Divulgação AFA - Divulgação AFA
Zagueiro e capitão do Boca, Cáli Izquierdoz é símbolo de raça na Argentina
Imagem: Divulgação AFA

CALI IZQUIERDOZ - 33 anos - 1,85m / 86 kg - no Boca desde jul.2018
É o capitão da equipe e um exemplo de raça, liderança e bom posicionamento. Acabou de voltar de lesão (por um pé quebrado e distensão muscular) e ainda está reencontrando o ritmo depois de ficar parado por dois meses. É lento, mas ótimo no jogo aéreo.

MARCOS ROJO - 32 anos - 1,87m / 77 kg - no Boca desde fev.2021
É irritadiço e desfere pontapés absurdos. Joga sempre de cara fechada e prefere fazer o simples, no estilo "passa a bola, mas não o adversário". Tem muita presença física, mas sua conduta beira a irresponsabilidade nas entradas desleais. Não atuou contra o Corinthians na primeira fase por estar suspenso pela briga do ano passado contra o Atlético-MG no Mineirão.

AGUSTÍN SÁNDEZ - 21 anos - 1,84m / 73 kg - no Boca desde abr.2021
Joga no lugar do titular Frank Fabra. Prata da casa, é firme na marcação e apoia pouco. Chama a atenção pela maturidade e pelo fôlego, e fará hoje o jogo mais importante da sua carreira.

Meio-campo

Encaixou como queria Battaglia (que era volante e por algo foi o atleta mais vezes campeão com a camisa do Boca). Desarma e roda a bola com eficiência, mas peca por certa limitação defensiva.

ALAN VARELA - 20 anos - 1,75m / 72 kg - no Boca desde dez.2020
Tem um estilo muito mais técnico que de marcação. O fôlego dos 20 anos é admirável, a capacidade de raciocínio também. O técnico Battaglia aposta demais nele.

GUILLERMO "POL" FERNÁNDEZ - 30 anos - 1,76m / 74 kg - no Boca desde jan.2022 (atual passagem)
Sabe o que fazer com a bola e parece estar em várias partes do campo ao mesmo tempo. Jogador de decisões, chuta bem e costuma fazer gols de longe.

ÓSCAR ROMERO - 29 anos - 1,76m / 73 kg - no Boca desde mar.2022
Começa muito bem e vai se apagando, a ponto de sua presença sequer ser notada na segunda metade. Também monta boas jogadas com os atacantes, mas não tem cacoete nenhum para recuar e ajudar na marcação. Costuma ser apático.

benedetto - ALEJANDRO PAGNI / AFP - ALEJANDRO PAGNI / AFP
Benedetto comemora gol do Boca Juniors diante do Corinthians, em jogo da Libertadores
Imagem: ALEJANDRO PAGNI / AFP

Ataque

É o mais forte do Boca nos últimos tempos. Os três homens de frente atravessam grande fase e são capazes de chegar ao gol com naturalidade.

EXEQUIEL ZEBALLOS - 20 anos - 1,74m / 71 kg - no Boca desde dez.2020
É a grande revelação recente do Boca. Técnico, rápido e oportunista, dificilmente há quem aponte como melhor jogador do Campeonato Argentino um outro nome que não o dele. Precisa demonstrar autoridade em decisões, mas seu entrosamento com Benedetto e Villa já está dando resultados.

DARÍO "PIPA" BENEDETTO - 31 anos - 1,75m / 75 kg - no Boca desde fev.2022 (atual passagem)
Sempre está com algum incômodo físico. Pode deixar o campo como herói tocando na bola duas vezes e fazendo dois gols. Ou simplesmente sumir, perdido na marcação adversária. Briga como poucos, e também está pressionado como poucos. Sabe que agora é a hora de recompensar o investimento do clube em seu futebol.

SEBASTIÁN VILLA - 26 anos - 1,79m / 75 kg - no Boca desde jul.2018
Na semana passada, foi denunciado por violência sexual pela terceira mulher diferente, e nem assim o Boca o afasta --a postura do clube foi condenada até por Mauricio Macri, ex-presidente da Argentina. Em campo, tem rendido como nunca, acelerando, sendo oportunista e sabendo o que fazer com a bola, incluindo golaços inéditos. Outro que não entrou em campo na primeira fase por suspensão.

Técnico

SEBÁSTIAN BATTAGLIA - 41 anos - no cargo desde ago.2021
Vinha sendo tão questionado que quase caiu depois da derrota para o Corinthians. É sua primeira experiência como treinador principal de um clube grande. O título do Boca no Campeonato Argentino (versão Copa da Liga Profissional) mostrou que é um time que não precisa brilhar para ganhar.

Este é um Boca que "sabe sofrer", algo valorizado na Argentina. Não se entrega e nem se desespera sob dificuldades. Há uma pressão local insana sobre o clube —afinal, são 15 anos sem conquistar uma Libertadores. Battaglia ainda precisa provar que tem capacidade como técnico para suportar tal carga, algo que ele cansou de fazer em seus tempos de jogador.