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Tales Torraga

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Argentinos ex-Corinthians: como Sebá, Tevez e Mascherano viraram técnicos

Os argentinos Sebá, Mascherano e Tevez (da esq. para a dir.) em treino do Corinthians em 2005 - Fernando Santos/Folha Imagem
Os argentinos Sebá, Mascherano e Tevez (da esq. para a dir.) em treino do Corinthians em 2005 Imagem: Fernando Santos/Folha Imagem
Tales Torraga

Jornalista e escritor, Tales Torraga nasceu em Mogi das Cruzes (SP), mas é, segundo os colegas, "mais argentino que os próprios argentinos". Morou em Buenos Aires e Montevidéu, girou pela imprensa brasileira e portenha e escreveu 15 livros ? o último deles, Copa Loca, é sobre a...Argentina nos Mundiais.

Colunista do UOL

23/06/2022 04h00

Eles simbolizam uma era. Trazidos ao Corinthians no começo de 2005 por US$ 37,5 milhões (R$ 194,8 milhões), os argentinos Sebá Domínguez, Carlitos Tevez e Javier Mascherano são três dos nomes mais lembrados quando o assunto é a parceria do clube com o fundo de investimento MSI (Media Sport Investiment).

Em pleno 2022, 17 anos depois, um novo fato volta a unir o trio. Juntos no título do Corinthians no Brasileirão de 2005, eles hoje tentam se destacar nas recém-iniciadas carreiras como técnicos de futebol.

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Sebá Domínguez (esquerda) é assistente de Hernán Crespo no Al-Duahil, do Qatar
Imagem: Reprodução Facebook

O primeiro da turma

Dos três argentinos, quem permaneceu mais tempo no Corinthians foi Sebá Domínguez, dispensado por Emerson Leão no final do Brasileiro de 2006.

O zagueiro seguiu sua vigorosa carreira pela seleção argentina e por Estudiantes, Vélez Sarsfield e América (México), se aposentando em 2017, no Newell's Old Boys.

Fã de Jorge Amado, editou livros de contos e se tornou uma verdadeira estrela de TV como comentarista da ESPN na Argentina.

"Mas eu queria demais competir. Sempre foi minha paixão", comentou Sebá à coluna. E no começo deste ano, ele aceitou a proposta de Hernán Crespo para ser seu assistente no Al-Duhail, do Qatar.

Muito aplicado nos estudos desde a infância, Sebá se formou técnico em 2014, enquanto ainda jogava. "O que me deixava um pouco angustiado na TV era a possibilidade de não interferir no andamento das partidas. Agora tenho esta oportunidade", seguiu o ex-zagueiro, que está com 41 anos.

Discreto, Sebá é o típico profissional "passo a passo". Prefere não comentar se um dia será o técnico principal ou se tem ambições maiores para a carreira.

"A rotina aqui com Hernán é apaixonante o suficiente. Deixamos para pensar nisso outra hora", responde, quando é questionado sobre o futuro.

masc - Divulgação AFA - Divulgação AFA
Javier Mascherano treina a seleção argentina sub-20
Imagem: Divulgação AFA

O 'senhor seleção'

Mascherano saiu do Corinthians ao lado de Tevez, em agosto de 2006, rumo ao West Ham, da Inglaterra. O volante construiu então uma respeitável carreira na Europa, brilhando por Liverpool e Barcelona, além de jogar quatro Copas do Mundo com a seleção argentina (2006, 2010, 2014 e 2018).

Seleção argentina, aliás, que tinha em Mascherano o seu recordista em número de jogos: 147 (agora, atrás de Messi). Separar Mascherano da azul e branca é impossível. Nada mais natural, então, que sua carreira de técnico começasse sob o escudo da AFA na seleção sub-20.

Chamado de "Chefinho" desde a estreia, no River Plate, Mascherano sempre demonstrou tino para ser treinador. E formou-se como técnico quando atuava no futebol chinês, em 2019, estreando na atual função em janeiro deste 2022, com 38 anos.

Tinha propostas para ser técnico principal, por exemplo, do Racing, mas preferiu começar na base. Além de comandar o time, o ex-volante do Corinthians é responsável por um sofisticado sistema de captação de talentos em todo o mundo.

Seu primeiro torneio à frente da Argentina sub-20 foi neste mês de junho, em Toulon, na França, terminando em quinto.

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Carlitos Tevez comanda treino no Rosario Central
Imagem: Divulgação CARC

A surpresa

A paixão corintiana por Tevez foi intensa e traumática, com o jogador mandando a torcida se calar e tendo o seu carro chutado na saída do Morumbi em agosto de 2006.

Pouco depois, ele iniciaria o périplo que envolveria passagens campeãs por Manchester United, Manchester City e Juventus, até retornar ao Boca Juniors, o clube dos seus amores.

Tevez jamais deu sinais de que seria técnico. A primeira pista foi quando ele anunciou sua aposentadoria como jogador, no começo deste mês de junho.

Sempre impulsivo, Carlitos surpreendeu a Argentina na semana passada ao fechar com o Rosario Central para ser o novo treinador da tradicional equipe do interior do país. Ele tem apenas um curso preliminar concluído (um ano e meio de duração de um total de três), gerando discussão sobre sua real capacidade para o cargo.

O ex-atacante corintiano está com 38 anos e sofreu uma grande decepção antes mesmo de começar.

Ele teria o xará Carlos "Chapa" Retegui como auxiliar. "Chapa" foi o técnico das vitoriosas seleções masculina e feminina de hóquei na grama da Argentina, e não pôde largar o cargo que exerce no Ministério do Esporte. Sua vaga ao lado de Tevez deve ser ocupada por Walter Erviti, ex-volante do Boca que perdeu a Libertadores de 2012 para o Corinthians.

Definindo-se como um discípulo do italiano Antonio Conte, seu técnico na Juventus, Carlitos fará sua estreia amanhã (24), às 19h (de Brasília), contra o Gimnasia y Esgrima, em casa, no Gigante de Arroyito.

coe - Diogo Reis/AGIF - Diogo Reis/AGIF
Dyego Coelho comanda o Corinthians contra o Red Bull Bragantino
Imagem: Diogo Reis/AGIF

E os demais?

Que ninguém espere Sebá, Tevez ou Mascherano citando como inspiração algum dos técnicos do Corinthians. Não faltou qualidade, mas sobrou rotatividade e desorganização.

Sebá, o mais longevo do trio, foi comandado por nada menos que sete treinadores diferentes nas duas temporadas de Corinthians.

A lista completa desafia até os mais fanáticos. Começou com Tite, seguindo depois com Daniel Passarella, Márcio Bittencourt, Antônio Lopes, Ademar Braga, Geninho e Emerson Leão.

Pegando como base o time que entrou em campo na última rodada contra o Goiás para conquistar o Brasileiro de 2005, outros dois nomes tentam hoje a carreira de técnico: o lateral-direito Coelho e o volante Rosinei.

Coelho trabalha no sub-23 do Portimoense, de Portugal, enquanto Rosinei está sem clube —mesma situação do ex-meia Ricardinho, que jogou a Libertadores de 2006 com Tevez, Sebá e Mascherano.