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Tales Torraga

REPORTAGEM

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A 5 meses da estreia: o plano japonês de Messi para, enfim, ganhar a Copa

Lionel Messi em aquecimento antes de jogo entre Argentina e Estônia - Juan Manuel Serrano Arce/Getty Images
Lionel Messi em aquecimento antes de jogo entre Argentina e Estônia Imagem: Juan Manuel Serrano Arce/Getty Images

Colunista do UOL

22/06/2022 04h00

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Daqui a exatos 5 meses, no dia 22 de novembro, a seleção argentina entra no Estádio de Lusail, na cidade de mesmo nome, para enfrentar a Arábia Saudita e estrear na Copa do Mundo do Qatar.

O Mundial carrega na Argentina, desde já, a maior expectativa dos últimos 20 anos. A Copa de 2002, em que a seleção chegou como favorita e foi eliminada na primeira fase, acabou sendo a última do país sem Lionel Messi.

E se o assunto é "último Mundial", o do Qatar será também o capítulo final do gênio argentino no maior palco da bola. A ocasião merece desde já um cuidado extra na busca do único título expressivo que falta à sua lendária carreira.

Messi completará 35 anos nesta sexta (24), e a Copa do Mundo do Qatar será a sua quinta. Experiência não lhe falta. Condição física, também não. Apesar de ser caçado pelos adversários há longas temporadas, Messi jamais sofreu uma lesão grave, um enorme atestado dos seus cuidados com o corpo.

E nesses cinco meses, o gênio argentino vai levar adiante o que ele e os colegas da seleção chamam de "plano japonês", uma maneira descontraída de tratar o seu treinamento, que está mais para "polimento" até lá.

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Lionel Messi e Nicolás Tagliafico comemoram título da Copa América
Imagem: Reprodução Instagram

'Plano japonês'?

A ideia de chamar a preparação de "plano japonês" veio de Nicolás Tagliafico, o lateral-esquerdo do Ajax que está sempre por perto de Messi nas concentrações.

Leitor voraz, Tagliafico está para Messi como Jorge Valdano estava para Diego Maradona na Copa de 1986, aportando frases e conceitos ao que os gênios expressam com a bola nos pés.

"Nico", como Tagliafico é chamado, é fanático por filosofia oriental, tema de uma completa entrevista sua ao diário "Olé" na semana passada.

Sempre buscando referências "minimalistas" para colocar os ensinamentos orientais em prática, ele encontrou em Messi um interessado interlocutor para falar sobre o "menos é mais", "os pés no chão", "o passado pisado" e a "construção do futuro a partir do presente".

Tudo no melhor estilo "o poder do agora" —nome, aliás, de um dos seus livros preferidos, no qual o autor alemão Eckhart Tolle repassa uma série de conceitos das filosofias orientais.

Tais cuidados vêm sendo colocados em prática por Messi —e narrados com detalhes pelos jornais argentinos, que parecem ilustrar os preparativos como uma estrela do rock passando o som antes de sua turnê final.

Quem lê diariamente o "Clarín" e o "La Nación", por exemplo, acompanha os cuidados redobrados de Messi com a "siesta", o cochilo tipicamente argentino depois do almoço, e os limites no consumo de açúcar e gordura até mesmo nas férias que aproveita agora em Ibiza.

Colocar açúcar no mate, por exemplo, está vetado pelos nutricionistas da seleção, assim como uma quantidade exagerada de medialunas ou empanadas —as delícias argentinas têm farinha como base e são controladas semanalmente.

O "menos é mais" de Messi a caminho do Qatar se vê também no uso das redes sociais, cada vez mais limitado a ele e aos filhos, Thiago e Mateo (o caçula Ciro ainda não as acessa).

As emoções sempre a mil com a torcida argentina também terão um cuidado maior desta vez.

A logística da Europa para o Qatar, sem passar por Buenos Aires, também será uma aliada para este autocontrole mental que será realmente colocado à prova nos meses daqui à estreia da sua última Copa.

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Messi curte férias ao lado da esposa, Antonela
Imagem: Reprodução

Calendário favorável

No que diz respeito ao físico, uma mudança importante com relação aos últimos mundiais está no calendário.

Em vez de a Copa do Mundo ser no final da temporada europeia, o Mundial do Qatar, em novembro e dezembro, na metade do périplo, ajudará Messi a controlar seu desgaste no PSG e chegar à Copa nas melhores condições possíveis.

Para isso, segundo seu entorno, a sequência de Kylian Mbappé no PSG foi bem-vinda. Assim, ele conseguirá dividir as atenções e as pressões no clube.

Na seleção, os mais chegados também cumprirão este papel de dispersar as dificuldades e acolher suas angústias. Desde os veteranos, como Otamendi e Di María, aos mais jovens, como De Paul e Paredes.

Nas Copas passadas, Messi se apoiava principalmente na experiência de Javier Mascherano.

Agora, ele será "o" referente. Uma razão a mais para planejar cada passo daqui até lá. Um passo de cada vez. Como ensinam os orientais.