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Tales Torraga

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Tudo sobre o Boca: como os argentinos buscam revanche contra Corinthians

Jogadores do Boca Juniors comemoram vitória nos pênaltis sobre o Racing na Argentina - Gustavo Ortiz/Jam Media/Getty Images
Jogadores do Boca Juniors comemoram vitória nos pênaltis sobre o Racing na Argentina Imagem: Gustavo Ortiz/Jam Media/Getty Images
Tales Torraga

Jornalista e escritor, Tales Torraga nasceu em Mogi das Cruzes (SP), mas é, segundo os colegas, "mais argentino que os próprios argentinos". Morou em Buenos Aires e Montevidéu, girou pela imprensa brasileira e portenha e escreveu 15 livros ? o último deles, Copa Loca, é sobre a...Argentina nos Mundiais.

Colunista do UOL

17/05/2022 04h00

A coluna repassa agora cada um dos titulares do Boca Juniors contra o Corinthians hoje (17), às 21h30 (de Brasília), na Bombonera. Saiba também quais são os pontos fracos e fortes de cada setor e as principais estratégias do técnico Sebastián Battaglia para sair do clássico com os três pontos.

Defesa

Vinha sendo o pior setor da equipe e, desde a derrota para o Corinthians, vem sendo o melhor. Está sem levar gols há cinco jogos. Outro ponto forte: as subidas do lateral Fabra pela esquerda.

AGUSTÍN ROSSI - 26 anos - 1,90m / 85 kg - no Boca desde jan.2021 (atual passagem)
Estava machucado no jogo de Itaquera e, desde que voltou, vem demonstrando o nível que o coloca como um dos melhores goleiros da Argentina na atualidade. Foi o herói da classificação à final do Campeonato Argentino (versão Copa da Liga Profissional) na decisão por pênaltis contra o Racing.

LUIS ADVINCULA - 32 anos - 1,80m / 80 kg - no Boca desde ago.2021
O lateral-direito peruano é um trator de pura força no ataque. Chuta forte e tem um pulmão infinito, mas possui técnica escassa e pode ser um alvo fácil do ataque corintiano nas suas costas. Outro defeito: o jogo excessivamente brusco e constantemente à beira da expulsão.

CARLOS ZAMBRANO - 32 anos - 1,85m / 77 kg - no Boca desde mar.2020
Também peruano, é irritadiço e desfere pontapés absurdos. Joga sempre de cara fechada e prefere fazer o simples. Foi para o sacrifício em Itaquera (por uma lesão muscular) e melhorou bastante desde então.

CALI IZQUIERDOZ - 33 anos - 1,85m / 86 kg - no Boca desde jul.2018
É o capitão da equipe e um exemplo de raça, liderança e bom posicionamento. Acabou de voltar de lesão (por um pé quebrado) e ainda está reencontrando o ritmo depois de parar por dois meses. Costumava ser lento normalmente -- é provável que hoje demonstre uma velocidade ainda aquém.

FRANK FABRA - 31 anos - 1,74m / 73 kg - no Boca desde fev.2016
Imprevisível. Tem nível para apoiar o ataque, mas sua fraqueza defensiva é crônica. Um árbitro mais rigoroso pode expulsá-lo ainda no primeiro tempo. Ficou famoso por levar o vermelho ao pisar em Marinho caído na Vila Belmiro. Apesar de tudo, vinha sendo o capitão.

fab - Luis ROBAYO / AFP - Luis ROBAYO / AFP
Yony Gonzalez (à esquerda), do Deportivo Cali, tenta se desvencilhar da marcação de Fabra (á direita), do Boca Juniors, em jogo da Libertadores
Imagem: Luis ROBAYO / AFP

Meio-campo

Bastante alterado por Battaglia, que ainda busca uma proteção mais eficiente para os defensores, em que pese os ótimos números de gols sofridos.

ALAN VARELA - 20 anos - 1,75m / 72 kg - no Boca desde dez.2020
Tem um estilo muito mais técnico que de marcação. O fôlego dos 20 anos é admirável, a capacidade de raciocínio também. O técnico Battaglia, que era ex-volante, aposta demais nele.

GUILLERMO "POL" FERNÁNDEZ - 30 anos - 1,76m / 74 kg - no Boca desde jan.2022 (atual passagem)
Sabe o que fazer com a bola e parece estar em várias partes do campo ao mesmo tempo. Jogador de decisões, chuta bem e costuma fazer gols de longe.

JUAN RAMÍREZ - 28 anos - 1,74m / 72 kg - no Boca desde ago.2021
É amigo de Juan Román Riquelme, um declarado fã seu. Arrasta uma grave lesão no tornozelo e joga no sacrifício. Em forma, é capaz de proezas como dominar a marcação no meio e ainda apoiar o ataque.

ÓSCAR ROMERO - 29 anos - 1,76m / 73 kg - no Boca desde mar.2022
Começa muito bem e vai se apagando, a ponto de sua presença sequer ser notada na segunda metade. Também forma boas jogadas com os atacantes, mas não tem cacoete nenhum para recuar e ajudar na marcação. Costuma ser apático.

oscar - Divulgação Boca Juniors - Divulgação Boca Juniors
Óscar Romero em ação pelo Boca Juniors, seu novo clube
Imagem: Divulgação Boca Juniors

Ataque

Vai com dois homens, e ambos experientes. Muda o sistema com relação ao que vem apresentado no Campeonato Argentino, com três atacantes (o que não é possível na Libertadores pela suspensão do colombiano Villa).

EDUARDO "TOTO" SALVIO - 31 anos - 1,73m / 71 kg - no Boca desde jul.2019
Joga demais e está precisando se redimir depois de ser acusado de atropelar a ex-esposa. Defendeu a Argentina na última Copa do Mundo e tem excelente técnica -- o físico frágil não costuma ajudá-lo, especialmente no segundo tempo.

DARÍO "PIPA" BENEDETTO - 31 anos - 1,75m / 75 kg - no Boca desde fev.2022 (atual passagem)
Outro que sempre está com algum incômodo físico. Pode deixar o campo como herói tocando na bola duas vezes e fazendo dois gols. Ou simplesmente sumir, perdido na marcação adversária. Seus substitutos são os pratas da casa Vázquez (mais oportunista) e Zeballos (rápido e aberto nas pontas).

seba - Divulgação CABJ - Divulgação CABJ
Sebastián Battaglia, técnico do Boca Juniors
Imagem: Divulgação CABJ

Técnico

SEBÁSTIAN BATTAGLIA - 41 anos - no cargo desde ago.2021
Vinha sendo tão questionado que quase caiu depois da derrota para o Corinthians. É sua primeira experiência como treinador principal de um clube grande. Em que pese a ida do Boca à final na Argentina, ninguém no país está satisfeito com a maneira com a qual a equipe tem jogado.

Troca demais o esquema e as características do seu jogo. Todos na Argentina concordam: se os dois times são equivalentes, o Corinthians conta com um técnico mais experiente e capaz na figura de Vítor Pereira. A análise da primeira partida não mudou desde então.