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Tales Torraga

REPORTAGEM

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Alvo do Palmeiras antes de Abel, Heinze hoje lida com rejeição e desemprego

Gabriel Heinze se destacou no Vélez e recusou proposta do Palmeiras - Divulgação/Vélez
Gabriel Heinze se destacou no Vélez e recusou proposta do Palmeiras Imagem: Divulgação/Vélez
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Tales Torraga

Jornalista e escritor, Tales Torraga nasceu em Mogi das Cruzes (SP), mas é, segundo os colegas, "mais argentino que os próprios argentinos". Morou em Buenos Aires e Montevidéu, girou pela imprensa brasileira e portenha e escreveu 15 livros ? o último deles, Copa Loca, é sobre a...Argentina nos Mundiais.

Colunista do UOL

28/11/2021 09h12

Era 29 de outubro de 2020, e o Palmeiras anunciava a contratação do técnico que mudaria sua história, o português Abel Ferreira. Entre a sua chegada e a saída de Vanderlei Luxemburgo, duas semanas antes, nomes como os dos argentinos Ariel Holan e Sebastián Becaccece foram cogitados, e outros dois estiveram ainda mais próximos: Miguel Ángel Ramírez e Gabriel Heinze.

O espanhol Ramírez fechou com o Internacional, foi demitido em março e acertou com o Charlotte, da MLS, em agosto.

Já o argentino Heinze cumpriu um caminho ainda mais fora do comum, bem ao seu estilo, como destrinchamos quando ele era aposta firme no Palmeiras.

Embora o Alviverde tenha adotado o silêncio nas negociações, soube-se que o treinador que se destacara no Vélez Sarsfield recusou o projeto apresentado pelo Palmeiras alegando não se interessar com a proposta. Reconhecido por um perfil excêntrico e difícil de lidar, ele acertou com o Atlanta United, também dos Estados Unidos, em 25 de janeiro. E durou apenas seis meses, sendo demitido depois de uma polêmica digna de um livro argentino de ficção, repleto de escândalos.

Loucura até com a água

Heinze durou somente seis meses no Atlanta, período em que disputou 17 jogos e arrumou mil confusões. O argentino não se dava bem com os jogadores e dirigentes, e ele chegou ao cúmulo de limitar a quantidade de água que os atletas podiam beber na pré-temporada. Uma das suas notórias obsessões era o peso de cada jogador.

Outros motivos de conflitos foram as folgas cassadas e a disciplina marcial que exigia dos comandados, que tinham pouquíssimas concessões.

O perfil de Heinze caiu tão mal no clube que seus atletas emitiram uma queixa formal contra o argentino citando "violações do acordo coletivo de trabalho". O canal Fox Sports foi além, apresentando uma matéria contextualizando que o trabalho do argentino "era um inferno, esgotando todo mundo a cada dia."

Desde sua saída do Atlanta, em julho, Heinze está desempregado. Teve seu nome cogitado nos últimos meses no San Lorenzo, no Racing e no Newell's Old Boys, mas as negociações tampouco evoluíram, e não se sabe qual clube estará disposto a contar com seus trabalhos depois de tamanha confusão e rejeição em seu último emprego.