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Tales Torraga

REPORTAGEM

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Silas: Neste superclássico, eu seria uma mescla entre Álvarez e De La Cruz

Julian Álvarez e Nicolás de La Cruz comemoram gol do River Plate - Divulgação CARP
Julian Álvarez e Nicolás de La Cruz comemoram gol do River Plate Imagem: Divulgação CARP

Colunista do UOL

03/10/2021 04h00

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Hoje (3) é dia de River Plate x Boca Juniors, o "superclássico" argentino que chega às TVs do Brasil pela ESPN Brasil e Star +. A partida começa às 17h (de Brasília) e será comentada por um velho conhecido no país vizinho.

Estamos falando de Paulo Silas, que brilhou no San Lorenzo entre 1995 e 1997 e hoje é analista dos canais esportivos da Disney. Voz mais que autorizada para opinar sobre o futebol argentino, ele conversou com a coluna na prévia deste River x Boca. Os melhores trechos da sua entrevista:

Você concorda com quem chama o Monumental de "cancha fria", um estádio que não traz a típica paixão argentina?
Paulo Silas - Isso vem do tempo em que chamavam o River de "galinha", por pipocarem nas decisões. Mas dos últimos dez anos para cá, o River ganhou muito, especialmente com o Marcelo Gallardo. Os rivais continuam gozando, mas o apelido não condiz mais.

O River é favorito no superclássico de hoje? Joga junto há mais tempo e tem o Gallardo há mais de sete anos...
Não é favorito. É sempre um grande clássico, o maior da Argentina. Como todos sabem, em um jogo deste tamanho nem sempre o melhor ganha. O River talvez leve esta pequena vantagem, por ter um técnico tão vencedor há sete anos, e por ter um time igualmente vencedor. Nos últimos dois anos, deu uma caída, mas é sempre o River. Vai ser um jogo muito emocionante.

silas - Reprodução TV - Reprodução TV
Paulo Silas mostra foto com Diego Maradona no futebol argentino
Imagem: Reprodução TV

Qual sua avaliação deste início de trabalho do Seba Battaglia no Boca?
O início de trabalho é sempre complicado. O Battaglia é um ex-jogador, um cara identificado com o Boca, estão dando oportunidade. Vamos ver. Tudo passa sempre pelo clássico. Para o Gallardo, não terá grandes proporções, mas para o Battaglia, perder seria um mau negócio. O River é o principal rival, e uma derrota geraria desconfiança.

Cardona, Carrascal, Álvarez ou outro? Por semelhança de estilo, quem seria o "Silas" deste superclássico? Os mais novos não viram você jogar...
Não sei se tem alguém com característica parecida comigo neste superclássico. O Cardona lateraliza mais, é de jogo mais lento, o Carrascal é mais de jogo curto, um jogo apoiado, de posse de bola. O Alvarez é um garoto, é mais atacante, colocam na seleção argentina e no River aberto na direita, como segunda ponta, mas ele é um 9, mais incisivo, mas não joga como eu, que pensava mais o jogo.

E, talvez, uma outra alternativa nesta comparação seja o Nicolás de La Cruz, que tem uma dinâmica parecida com a minha, um jogador até mais rápido que eu, mas um jogador que não tinha tanto gol. Na Argentina, pude fazer muitos gols, principalmente contra os times grandes, River e Boca, e fiquei marcado também por isso. Então eu seria uma mistura do De La Cruz com o Julián Álvarez, por posição não, o Alvarez é mais atacante e o De La Cruz é mais um jogador pelas beiradas, um segundo atacante que não tem tanto faro de gol e que não dá a assistência pensada como eu conseguia fazer

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Paulo Silas visita o San Lorenzo depois de título da Libertadores
Imagem: Divulgação CASLA

Para você, os argentinos vão demorar muito a voltar a competir com os brasileiros, donos das atuais finais sul-americanas?
Em clubes, sim. O Brasil está melhor com o Palmeiras, Atlético-MG, Flamengo, e agora com a final da Sul-Americana entre o Athletico-PR e o Bragantino. O Brasil está melhor que a Argentina entre os times, mas vejo a seleção argentina à frente. Acabou de ser campeã da Copa América, tem jogadores em ascensão, o De Paul, Lo Celso, Nico Gonzalez, Huevo Acuña, Lautaro Martínez...São jogadores novos, estão em bom momento. A seleção argentina está um passo à frente, mas não sei se para ser campeã da próxima Copa.

Mais sobre o superclássico?

No podcast Futebol sem Fronteiras #21, o "trio elétrico" Julio Gomes, Jamil Chade e Ariel Palacios fala sobre a grandeza deste que clássico com ótimas histórias e muita informação. Confira aqui!