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Tales Torraga

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

O dia em que Hernán Crespo apanhou no meio da torcida do Cruzeiro

Hernan Crespo, ainda adolescente em seus inícios no River Plate - Reprodução Panini
Hernan Crespo, ainda adolescente em seus inícios no River Plate Imagem: Reprodução Panini
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Tales Torraga

Jornalista e escritor, Tales Torraga nasceu em Mogi das Cruzes (SP), mas é, segundo os colegas, "mais argentino que os próprios argentinos". Morou em Buenos Aires e Montevidéu, girou pela imprensa brasileira e portenha e escreveu 15 livros ? o último deles, Copa Loca, é sobre a...Argentina nos Mundiais.

Colunista do UOL

24/08/2021 04h00

A confusão de Jorge Sampaoli anteontem (22) na França fez a Argentina revirar os baús para encontrar outros casos de técnicos que enfrentaram torcedores. E um nome resgatado em Buenos Aires pela Rádio La Red causou surpresa: o de Hernán Crespo, hoje um dândi no comando do São Paulo.

A história é das mais inusitadas e foi publicada pela extinta revista El Gráfico em maio de 2008. Ou seja: a confusão de Crespo não foi necessariamente como técnico, mas mesmo assim merece ser contada. Em novembro de 1991, o River Plate recebeu o Cruzeiro no Monumental de Núñez na primeira das duas partidas da decisão da também extinta Supercopa da Libertadores.

Crespo tinha 16 anos e estava lá, dando o seguinte depoimento à publicação:

"Como eu jogava nas divisões de base, tinha o carnê dos jogadores e entrava grátis nos jogos profissionais. Na final, eu e meus amigos dissemos: 'vamos lá para a arquibancada visitante, vai estar mais tranquilo', mas que nada", recordou Hernán. As imagens da final comprovam que o Monumental estava apinhado, com uns 80.000 torcedores (a partida está na íntegra aqui).

"A entrada era uma bagunça, com a polícia enfrentando a torcida visitante [do Cruzeiro]. Veio a cavalaria e, sem eu fazer nada, me comí un palazo [gíria portenha que em português seria algo como 'me desceram o cacete']. Eu estava na minha, não era um louquinho. Não passou disso, felizmente. Conseguimos sair dali e ver o jogo. Essas finais na Argentina eram quentes."

riv - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Cobertura da vitória do River sobre o Cruzeiro na revista El Gráfico
Imagem: Acervo pessoal

Virada histórica

A final da Supercopa da Libertadores de 1991 foi uma das mais sensacionais envolvendo brasileiros e argentinos. A ida, no Monumental, terminou 2 a 0 para o River então comandando por Daniel Passarella, que iniciava como técnico. Os gols foram de Rivarola e Jorge Higuaín (pai de Gonzalo Higuaín).

O Mineirão vibrou com uma reviravolta difícil de acreditar. Precisando ganhar por dois de diferença, o Cruzeiro fez 3 a 0 (Ademir, Mário Tilico (2).

O Cruzeiro campeão atuou com: Paulo César; Nonato, Adilson Batista, Paulão e Célio Gaúcho; Ademir, Marco Antônio Boiadeiro e Luiz Fernando (Macalé); Mário Tilico (Paulinho), Charles e Marquinhos. O técnico era Ênio Andrade.

O River de Passarella teve: Ángel Comizzo; Jorge Gordillo, Jorge Higuaín, Guillermo Rivarola e Carlos Enrique; Hernán Diaz (Berti), Leonardo Astrada e Gustavo Zapata (Toresani); Juan José Borelli, Medina Bello e Ramón Díaz.