PUBLICIDADE
Topo

Tales Torraga

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Por que a Colômbia perdeu a sede da Copa América e hoje jogará com torcida?

Capa do jornal argentino "Olé" desta terça (8) - Reprodução
Capa do jornal argentino "Olé" desta terça (8) Imagem: Reprodução
Tales Torraga

Jornalista e escritor, Tales Torraga nasceu em Mogi das Cruzes (SP), mas é, segundo os colegas, "mais argentino que os próprios argentinos". Morou em Buenos Aires e Montevidéu, girou pela imprensa brasileira e portenha e escreveu 15 livros ? o último deles, Copa Loca, é sobre a...Argentina nos Mundiais.

Colunista do UOL

08/06/2021 12h00

Até o último minuto, a Colômbia insistia em sediar a Copa América em meio a uma crise social com dezenas de mortos, mas o gás lacrimogêneo que repeliu os manifestantes contra o governo invadiu os estádios e afastou o torneio continental oficialmente em 21 de maio, mediante comunicado da Conmebol.

A entidade rejeitou o pedido do governo colombiano de adiar para "o final deste ano" a competição continental, em que pese o total de pessoas em situação de pobreza saltar de 37% para 42% da população da Colômbia.

O curioso é que hoje (8), às 20h, em Barranquilla, a seleção colombiana vai receber a Argentina de Lionel Messi com 10.000 pessoas nas arquibancadas, o que causou a ira do técnico argentino Lionel Scaloni: "Muito não tenho para dizer. Tomarão as medidas necessárias. Não deixa de ser estranho porque estamos atravessando um momento delicado em toda a América do Sul. Falou-se muito e as dúvidas estão geradas. Que tomem as medidas para quem vai ao estádio e para a gente".

A justificativa colombiana é a aprovação de lei que estabelece: nas cidades com taxa de ocupação de leitos de UTI menor que 85%, está autorizada a ocupação de 25% do estádio. O Metropolitano, onde hoje ocorre a partida em Barranquilla, tem capacidade para 40.000 pessoas, daí a chegada aos 10.000.

A cidade, é verdade, vive um momento menos complicado com a pandemia, saindo agora da terceira onda de contágios. Nesta segunda-feira (7), houve cerca de 300 casos. Dois meses atrás, a cifra ultrapassava os 2.000.

O jogo da seleção servirá para o governo permitir torcedores também nas competições locais.

Não houve venda de ingressos e nem bilheterias. Os torcedores nesta terça serão convidados pelos patrocinadores da seleção da Colômbia, que agora poderão cumprir acordos financeiros fechados antes das Eliminatórias.

Nas redes sociais e nas rádios colombianas, há um forte protesto para que a partida não seja realizada. O efetivo policial será de 4.500 profissionais, quase um para cada dois torcedores.

A previsão é de calor e cerca de 26 graus no começo da partida (18h locais, 20h de Brasília). Será a primeira vez que Messi jogará com público desde março de 2020, quando apareceu a pandemia, incluindo aí suas atuações pelo Barcelona.

Dúvidas na Argentina

Segunda colocada na classificação das Eliminatórias, com três vitórias e dois empates, a Argentina não teve sua escalação confirmada para o jogo desta noite. O técnico Scaloni cogita aplicar uma linha de três zagueiros e escalar dois alas, o que faria o time mudar bastante com relação ao 1 a 1 contra o Chile na semana passada em Santiago del Estero.

A escalação mais provável para enfrentar a Colômbia é a seguinte: o goleiro será Emiliano Martínez, com Gonzalo Montiel, Cristian Romero, Nicolás Otamendi, Lucas Martínez Quarta e Marcos Acuña como defensores; Rodrigo De Paul e Leandro Paredes serão os volantes, e Giovani Lo Celso aparece como o armador das jogadas para os atacantes Lionel Messi e Lautaro Martínez.