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Tales Torraga

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Jogam amanhã pela Libertadores: como o River tentou tirar Rivellino do Flu

Roberto Rivellino em ação com a camisa do Fluminense - Reprodução
Roberto Rivellino em ação com a camisa do Fluminense Imagem: Reprodução
Tales Torraga

Jornalista e escritor, Tales Torraga nasceu em Mogi das Cruzes (SP), mas é, segundo os colegas, "mais argentino que os próprios argentinos". Morou em Buenos Aires e Montevidéu, girou pela imprensa brasileira e portenha e escreveu 15 livros ? o último deles, Copa Loca, é sobre a...Argentina nos Mundiais.

Colunista do UOL

21/04/2021 12h00

Um dos mitos da história do Fluminense, Roberto Rivellino goza de enorme admiração na Argentina, que venera sua condição de ídolo de infância de ninguém menos que Diego Armando Maradona. Poucos no Brasil sabem, mas o "Reizinho" esteve na mira do River Plate em 1975, e a negociação só não foi adiante porque um importante jogador do time argentino bateu o pé e fez o clube desistir do brasileiro, que enfim acertaria com o Fluminense.

A revelação veio exatamente do jogador importante em questão: o meia Beto Alonso, chamado na Argentina de "Pelé branco" (contamos o porquê deste apelido aqui). Em 2003, em extensa entrevista à revista El Gráfico, ele comentou: "Os dirigentes queriam Rivellino de qualquer jeito, ele estava para chegar, e eu sairia do clube. Ángel Labruna [então técnico do River] me contou isso em Necochea [onde o time fazia pré-temporada]. Respondi: 'Ángel, não quero sair do River, quero ficar e ser campeão'. E ele me disse que se eu ficasse e treinasse firme, eu arrebentaria de volta. E assim foi."

A voz de Alonso não é a única a registrar o desvio de rota nas histórias de River e Fluminense. A negociação faz parte também do documentário argentino "1975 - la vuelta", que resgata o título do River naquele ano, colocando fim a uma fila de 18 anos sem conquistas do gigante de Núñez.

O River em 1975 havia acabado de trocar de presidente (Julian Kent saiu e assumiu o histórico Aragón Cabrera). E o golpe de efeito do novo mandatário seria atravessar o Fluminense nas negociações por Rivellino, que saía do Corinthians. Aquele primeiro bimestre foi agitado no Brasil e também na Argentina: o Campeonato Metropolitano enfim vencido pelo River começou em 16 de fevereiro. No dia 8, Rivellino estrearia pelo Fluminense fazendo três gols contra o Corinthians no célebre amistoso vencido por 4 a 1 no Maracanã.

Os torcedores mais antigos do River, daqueles que parecem ter a Wikipedia na cabeça, repetem sempre que foi no Monumental de Núñez que Rivellino se despediu da seleção brasileira, na disputa pelo Terceiro Lugar da Copa do Mundo de 1978 contra a Itália - um palco à altura de um adeus tão marcante.

Pela mescla de técnica e rebeldia que historicamente alimenta o futebol na Argentina, não é difícil imaginar o que seria de Rivellino no River: ele seria não só um enorme ídolo do clube, mas também de toda história do esporte no país.