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Tales Torraga

6 a 1 do Palmeiras no Boca em 1994 ainda incomoda Menotti: 'Virou Carnaval'

Tales Torraga

Jornalista e escritor, Tales Torraga nasceu em Mogi das Cruzes (SP), mas é, segundo os colegas, "mais argentino que os próprios argentinos". Morou em Buenos Aires e Montevidéu, girou pela imprensa brasileira e portenha e escreveu 15 livros ? o último deles, Copa Loca, é sobre a...Argentina nos Mundiais.

Colunista do UOL

27/01/2021 05h54Atualizada em 27/01/2021 10h36

O Palmeiras busca nesta semana seu segundo título na Libertadores. Não valeu taça, mas olhando hoje, o massacre de 6 a 1 sobre o Boca Juniors em 1994 tem espaço especial nas memórias da equipe no torneio sul-americano.

O confronto valeu pela fase de grupos daquela edição, e o Palmeiras entrou no gramado do Parque Antarctica com a seguinte formação: Sérgio; Cláudio, Antônio Carlos, Cléber e Roberto Carlos; César Sampaio (Tonhão), Amaral, Mazinho (Jean Carlo) e Zinho; Edílson e Evair. O técnico era Vanderlei Luxemburgo, desfalcado de Rincón e Edmundo.

Do outro lado do campo estava aquele que é considerado até hoje como o "pai do futebol argentino" pelo seu título na Copa do Mundo de 1978: o Boca era treinado por César Luis Menotti. Hoje com 82 anos e vivendo em Buenos Aires, onde tem uma escola de técnicos com seu nome, ele relembrou à coluna a partida realizada em 9 de março de 1994: "O Palmeiras tinha um timaço. Lembro bem. César Sampaio, Zinho, Evair...como jogaram naquele dia".

"Este placar de 6 a 1 é duro de aguentar até hoje, porque em determinado momento da partida virou mesmo um Carnaval. Tentei fazer o time jogar pressionando o adversário, mas não deu certo. Era um Boca inconstante. No domingo seguinte, fizemos 6 a 0 no Racing na Bombonera."

"Outro exemplo da nossa inconstância? Nossa diferença de nível para o Palmeiras não era de seis gols. Na Bombonera, ganhamos por 2 a 1. Duvido que tanta gente lembre disso."

No Brasil, é bastante citada até hoje a conversa entre Menotti e Luxemburgo depois do famoso 6 a 1. Luxemburgo costuma repetir que um dos maiores orgulhos da carreira foi ter sido procurado - e parabenizado - pelo colega argentino depois da goleada. "É verdade, ocorreu isso sim, fui procurá-lo, conversamos só nós dois. Lembro que nem a gente acreditava no placar...", conclui César, que contou com a formação principal que possuía na época: Navarro Montoya; Soñora, Noriega, Giuntini e Mac Allister; Peralta, Mancuso, Márcico e Carranza; Martinez e Da Silva (Acosta). O ponto fraco da equipe era o vulnerável lateral-direito Soñora, dominado pelos apoios de Roberto Carlos ao ataque. Difícil de acreditar, o Boca saiu de campo com os 11 jogadores, sem expulsões.

Apenas 18.285 pagantes comemoraram os gols de Cléber (21min do primeiro tempo), Roberto Carlos (7 do segundo), Edílson (9 do segundo), Evair (18 e 26 do segundo tempo) e Jean Carlo (32 do segundo). O gol de honra do Boca foi de Manteca Martínez, de pênalti, aos 34 da etapa final.

Embora brilhante, aquele Palmeiras parou nas oitavas de final, eliminado pelo São Paulo que chegaria à decisão perdida para o Vélez Sarsfield de Carlos Bianchi e José Chilavert.