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Tales Torraga

'Até rezei'. O dia em que Maradona tremeu no meio da torcida do Palmeiras

Taça Libertadores da América 2000: o ex-jogador argentino Diego Maradona ao lado de sua filha Dalma, no estádio do Morumbi, em São Paulo (SP); Maradona comentou o jogo entre Palmeiras e Boca Juniors para o canal de esportes PSN - Evelson de Freitas/Folhapress
Taça Libertadores da América 2000: o ex-jogador argentino Diego Maradona ao lado de sua filha Dalma, no estádio do Morumbi, em São Paulo (SP); Maradona comentou o jogo entre Palmeiras e Boca Juniors para o canal de esportes PSN Imagem: Evelson de Freitas/Folhapress
Tales Torraga

Jornalista e escritor, Tales Torraga nasceu em Mogi das Cruzes (SP), mas é, segundo os colegas, "mais argentino que os próprios argentinos". Morou em Buenos Aires e Montevidéu, girou pela imprensa brasileira e portenha e escreveu 15 livros ? o último deles, Copa Loca, é sobre a...Argentina nos Mundiais.

Colunista do UOL

22/01/2021 12h00

A TV argentina abriu 2021 com algo em comum entre os diversos canais: cultuar Diego Armando Maradona. As emissoras de esporte, então, recheiam suas programações com várias reprises de entrevistas do Diez. A ESPN nesta semana resgatou uma participação sua de 2005 ao lado dos antigos zagueiros Roberto Perfumo e Patrón Bermúdez - e nela, Maradona confessou um momento de terror vivido no Morumbi no meio da torcida do Palmeiras.

Ocorreu em 2000, na final da Libertadores entre o Boca e o Alviverde. Maradona vivia em Cuba, em uma clínica de desintoxicação, e foi trazido a São Paulo pela PSN para comentar aquela final. Ao chegar ao estádio, o Diez passou pelo sufoco que narrou, rindo, a Bermúdez e Perfumo. "Roberto, você sabe o que era o Morumbi? Era um mar verde! E eu levei minha filha, Dalma, com a camisa do Boca, ela é fanática pelo Boca", contou Diego. O público oficial daquela histórica decisão foi de 75.000 pessoas.

"E Dalma fazia assim [agitando] com a camisa do Boca aos de verde. Eu dizia, esconda a camisa, vão fazer purê do seu pai, e ela passava, beijando a camisa, no meio de dez gorilas, e eu tanto insisti que ela tapou a camisa. Quando ela escondeu, que alívio, Roberto [Perfumo], eu tremia, você nem imagina...Até rezei! Ou melhor, nunca rezei tanto", riu, e concluiu, Maradona.

A lembrança repercutiu entre a torcida do Boca, que começou um movimento nas redes sociais pedindo um cargo no clube à filha de Maradona - Dalma hoje está com 33 anos e tinha só 13 no Palmeiras x Boca de 2000.

Por sorte - e bem-vinda educação dos palmeirenses -, o pânico de Maradona gerou apenas a cara assustada que ele e Dalma demonstraram na foto acima. Vista hoje, a decisão da Libertadores de 2000 acabou sendo mais uma das enormes loucuras da vida de Maradona. A final foi em 21 de junho, seis meses depois de ele sofrer sua pior overdose (o famoso Réveillon de Punta del Este) e ser diagnosticado com apenas 38% do coração saudável.

Além da petulância da filha, Maradona, lendário torcedor do Boca, daqueles de arquibancada, quase surtou depois nos pênaltis - a transmissão original é desopilante e está aqui. "Não aguento mais, não aguento mais", repetia Diego, que previu, e acertou, o erro da cobrança do palmeirense Faustino Asprilla.

A moral de Maradona com o Boca era tão grande que os jogadores campeões foram até a cabine da PSN depois da volta olímpica, como contou o narrador Téo José ao OtaLab, aqui no UOL.