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Tales Torraga

Cuca: 'Se Deus quiser, um dia vou ser técnico do Boca'

Cuca beija imagem de Santa em classificação contra o Boca Juniors - Ivan Storti
Cuca beija imagem de Santa em classificação contra o Boca Juniors Imagem: Ivan Storti
Tales Torraga

Jornalista e escritor, Tales Torraga nasceu em Mogi das Cruzes (SP), mas é, segundo os colegas, "mais argentino que os próprios argentinos". Morou em Buenos Aires e Montevidéu, girou pela imprensa brasileira e portenha e escreveu 15 livros ? o último deles, Copa Loca, é sobre a...Argentina nos Mundiais.

Colunista do UOL

19/01/2021 12h00Atualizada em 19/01/2021 12h33

Reconhecido no Brasil, Cuca vem ganhando aplausos também na Argentina, referência mundial quando o assunto são os técnicos de futebol. Nesta terça (19), o Infobae, principal portal de notícias do país, publicou uma entrevista com o treinador do Santos, que sonha em comandar o...Boca Juniors.

"O Boca é gigante, nunca vai deixar de ser porque perdeu o jogo. É apenas uma derrota. Para mim, o Boca é muito grande, e vou comandá-lo, se Deus quiser. Gostaria, mas nunca me chamaram", afirmou o treinador de 57 anos.

Confira os principais trechos da entrevista de Cuca publicada pelo Infobae:

PRELEÇÃO DE PELÉ
Foi uma motivação para o grupo. Participou da nossa conquista motivando os jogadores. Como brasileiros, é o único orgulho que temos, dizer que somos brasileiros como Pelé. Participou nessa conquista, debilitado como está. Dedicamos a vitória a ele. Na preleção, falou sobre Deus e disse coisas íntimas que não queremos comentar. O Santos é o clube do Rei.

CAMISETA ESPECIAL
Ponho uma camiseta da Virgem Maria em todos os jogos da Libertadores. O povo argentino deve acreditar na fé, como eu. É para dar confiança durante os jogos. Coloquei durante toda essa Copa e também utilizei na Libertadores de 2013, quando dirigia o Atlético-MG e fomos campeões. É a mesma camisa, tenho faz tempo. Adoro a Virgem Maria.

ANÁLISE DA CLASSIFICAÇÃO CONTRA O BOCA
Foram 180 minutos. Os primeiros 90, um 0 a 0 muito parelho. Foi um bom resultado para a gente, mas sabíamos que se o Boca fizesse um gol na Vila, se classificaria. Era um resultado perigoso, também. Não pensamos em só nos defender na Vila Belmiro. Pelo contrário, saímos para atacar e pressionar, e no primeiro minuto já acertamos a trave. Criamos oportunidades e abrimos 1 a 0. Com esse placar, já não tínhamos mas a chance dos pênaltis. Virou um jogo aberto, e o Santos se impôs, repetindo o que fez contra o Grêmio. Um jogo de muita intensidade, ganhamos com justiça. Fizemos uma Libertadores perfeita, perdemos só uma partida, jogamos bem contra todos os times que enfrentamos. Merecemos ser finalistas.

FOI FÁCIL?
Não foi fácil. O 1 a 0 era perigoso. Villa esteve perto de empatar. Empatando, o 1 a 1 animaria o Boca e desanimaria a gente. Quando temos o fator emocional do nosso lado, o jogo fica mais fácil, porque não precisamos fazer mais gols, e sim defender e contra-atacar. Tivemos o controle emocional do jogo, sem considerar se o Boca teve ou não atitude. Se seguia 0 a 0, era muito perigoso para o Santos. Se o Boca fazia o 1 a 1, era outro jogo. Não posso dizer que o Boca não jogou nada ou que não teve vontade, foi um rival difícil para a gente.

INTERVALO NO GRAMADO DA BOMBONERA
Gosto de ficar em campo. Ali, na Bombonera, havia um banheiro perto, atrás do banco de reservas dos visitantes. Era o lugar ideal para continuar a conversa. Na minha próxima vez na Bombonera, prometo que vou ao vestiário no intervalo. Não é a primeira vez que faço isso, fiz muitas vezes em outros clubes. Assim, o jogador não perde a concentração. Não sei por que falaram tantas barbaridades. Recomendo aos técnicos argentinos que façam isso quando quiserem manter o calor do jogo. É brincadeira que falem do covid. Se estive com os jogadores antes da partida, porque não estaria no intervalo? É preciso ter um pouco mais de respeito com o que se diz. Nós, em Buenos Aires, recebemos uma pedrada quando estávamos no ônibus e por pouco o Soteldo não se machuca. Depois, o motorista diz que foi um galho de árvore, mas parou o ônibus por uma pedra. Dessas coisas ninguém fala nada...

O Boca contou com apenas dois técnicos brasileiros, e ambos duraram pouco no cargo. O primeiro foi Vicente Feola, de abril a dezembro de 1961; o segundo, Dino Sani, de maio a outubro de 1984.