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Tales Torraga

TV argentina: 'Relação estreita entre Boca e Conmebol condiciona árbitros'

Riquelme recebe réplica da Libertadores das mãos de Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol - Divulgação Conmebol
Riquelme recebe réplica da Libertadores das mãos de Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol Imagem: Divulgação Conmebol
Tales Torraga

Jornalista e escritor, Tales Torraga nasceu em Mogi das Cruzes (SP), mas é, segundo os colegas, "mais argentino que os próprios argentinos". Morou em Buenos Aires e Montevidéu, girou pela imprensa brasileira e portenha e escreveu 15 livros ? o último deles, Copa Loca, é sobre a...Argentina nos Mundiais.

Colunista do UOL

13/01/2021 04h01Atualizada em 13/01/2021 10h30

O Boca Juniors visita o Santos na Vila Belmiro às 19h15 (de Brasília) de hoje (13) precisando de uma vitória simples para se classificar para a decisão da Libertadores da América. O empate por 0 a 0 na Bombonera na semana passada gerou muitas críticas na Argentina pelo pênalti não marcado sobre Marinho - a ESPN, que transmite os jogos da competição para o país, foi além: assegurou que existe "uma estreita relação entre o Boca e a Conmebol".

A afirmação partiu do jornalista Leo Paradizo, um dos principais da Argentina, no programa F12, sucesso de audiência ao meio-dia: "Falam do VAR, mas o problema está na raiz, não na tecnologia. Por muito tempo condicionaram os árbitros dizendo que entre River e Conmebol havia uma relação estreita. E agora entre Boca e Conmebol também existe uma relação estreita".

"Belloso, Riquelme [dirigentes do Boca] e Domínguez [presidente da Conmebol] estão em comunicação permanente, e os árbitros sabem disso. É uma realidade, os árbitros ficam sabendo, isto não os condiciona? Ou alguém me diz que não pesa na cabeça de um árbitro saber que Riquelme, Domínguez e Belloso se falam sempre? E Russo [técnico do Boca], que dirigiu Belloso, vocês pensam que não se falam?", concluiu Paradizo, tendo o aval do ex-árbitro Javier Castrilli, comentarista da emissora: "Os árbitros convivem com as autoridades da FIFA e da Conmebol e veem os movimentos e aproximações, conhecem as questões institucionais íntimas da própria Conmebol".

Em entrevista publicada no jornal "Clarín" em novembro passado, o presidente da Conmebol afirmou: "Meus pais eram compadres de Alberto Jacinto Armando [histórico presidente do Boca]. Tampouco vou esconder minha amizade com Mauricio Macri [outro mandatário de peso na história xeneize]".

Domínguez seguiu: "Miguel Ángel Russo é um grande amigo, tem grande capacidade, está demonstrando que é o técnico adequado. E Román como jogador era meu ídolo, porém eu não o conhecia. O clube está em boas mãos", seguiu, não sem antes refutar qualquer conspiração: "É a fantasia popular, o que posso dizer? Os torcedores se deixam levar porque há gente irresponsável que faz com que eles acreditem que existem coisas que não são assim".

Longe de esconder a relação com Riquelme, o presidente da Conmebol foi além ao "Clarín" - disse que vê o ex-10 do Boca como seu sucessor na entidade. "Talvez ele possa ser presidente, eu não ficarei no cargo para sempre. Román é um luxo para a Argentina e para a América do Sul. Não é fácil converter-se de jogador ou técnico a um dirigente e ele tem todas as condições para ser. É magnífico que haja assumido este compromisso".

O árbitro do Santos x Boca de hoje será o colombiano Wilmar Roldán, de 40 anos. Na Fifa desde 2008, apitou três finais de Libertadores, duas da Recopa, uma da Copa América e outra da Sul-Americana.