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Tales Torraga

Maradona: filhas são contestadas sobre cuidados após cirurgia

Tales Torraga

Jornalista e escritor, Tales Torraga nasceu em Mogi das Cruzes (SP), mas é, segundo os colegas, "mais argentino que os próprios argentinos". Morou em Buenos Aires e Montevidéu, girou pela imprensa brasileira e portenha e escreveu 15 livros ? o último deles, Copa Loca, é sobre a...Argentina nos Mundiais.

Colunista do UOL

28/11/2020 04h01Atualizada em 28/11/2020 08h32

Entre a alta do hospital após a cirurgia no cérebro e a sua morte, passaram-se só duas semanas. Por que Diego Maradona foi para a sua casa, e não para uma clínica especializada?

Marado - Reprodução TV - Reprodução TV
Maradona é homenageado por seus 60 anos
Imagem: Reprodução TV

É esta a pergunta que toda a Argentina faz neste fim de semana, e a coluna foi atrás da resposta. Como já era do conhecimento de todos, Dalma e Giannina, suas filhas mais velhas, ficaram responsáveis pelos cuidados com o pai a partir de sua saída do hospital. A alta, inclusive, foi assinada por Dalma, a primogênita, de 34 anos, três a mais que a irmã.

Ambas alugaram uma casa à beira do rio e contrataram enfermeiras para ficar com o ex-craque 24 horas por dia, imaginando que sua recuperação transcorreria bem desta maneira. Em seus últimos instantes na Clínica Olivos, onde operou o cérebro, Maradona repetia às filhas que "não era bêbado ou drogado, que não precisava de clínica". Dalma e Giannina, distantes de Maradona e dispostas a assumir os cuidados no melhor ambiente possível, preferiram não contrariá-lo.

Embora parte da opinião pública aponte o dedo para Dalma e Giannina, Matías Morla, advogado e representante de Maradona, entende que o socorro falho foi culpa da enfermeira contratada para vigiá-lo na sua manhã fatídica, sem questionar a ida do Diez para uma residência.

O advogado entende que houve uma desatenção porque ninguém esteve com ele no momento de sua morte. Às 11h30 de quarta (25), quando o psicólogo, Carlos Díaz, e a psiquiatra, Agustina Cosachov, entraram no quarto de Maradona, ele já não apresentava sinais vitais - segundo o jornal "La Nación", foi a enfermeira que tentou reanimar o craque.

O que se sabe é que Maradona queria fazer, em casa, tudo da sua maneira, desobedecendo muitas vezes as orientações dos profissionais ao seu redor. Foi assim que ele recusou a presença da filha mais nova, Jana, de 24 anos, que se ofereceu para morar ali, o que o Diez por fim não quis.

Nas primeiras horas deste sábado, a América TV fez um debate entre profissionais da saúde e jornalistas experientes justamente para encontrar os motivos da ida de Maradona para sua casa, e não para uma clínica. E a conversa trouxe detalhes surpreendentes.

1) Diego teve duas crises violentas na Clínica Olivos, forçando sua saída desde o instante que recobrou a consciência depois de operar o cérebro. 2) Além da alta, as filhas assinaram também um termo de responsabilidade, pois a junta médica entendia que a continuidade deveria ser em um ambiente especializado, e não em uma residência. 3) Para garantir a segurança de Diego, a junta médica colocou um terapeuta na equipe de trabalho em sua casa, e Maradona exigiu a saída deste profissional no quinto dia.

Por último, a América TV detalhou o perfil do paciente Diego em seus dias finais como o de um "homem imperativo e angustiado, que causava problemas até para tomar os remédios que lhe davam".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.