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Tales Torraga

Herança bilionária de Maradona deve opor filhas a ex-parceira e advogado

Tales Torraga

Jornalista e escritor, Tales Torraga nasceu em Mogi das Cruzes (SP), mas é, segundo os colegas, "mais argentino que os próprios argentinos". Morou em Buenos Aires e Montevidéu, girou pela imprensa brasileira e portenha e escreveu 15 livros ? o último deles, Copa Loca, é sobre a...Argentina nos Mundiais.

Colunista do UOL

28/11/2020 04h00Atualizada em 28/11/2020 13h35

Uma guerra. Pelo que a coluna apurou, assim será a disputa pela divisão dos bens de Diego Armando Maradona, morto na quarta-feira (25) depois de uma parada cardiorrespiratória.

Marado - Divulgação/Festival de Cannes - Divulgação/Festival de Cannes
Giannina, Diego e Dalma Maradona
Imagem: Divulgação/Festival de Cannes

Por estranho que pareça, Maradona não deixou nenhum testamento, o que vai abrir um verdadeiro vale-tudo pelos seus bilhões. A principal razão dos conflitos tem a ver com a desavença das filhas mais velhas de Maradona, Dalma e Giannina, com o advogado Matías Morla, representante de Diego na reta final da sua vida e responsável pela distribuição dos bens que serão calculados pela Justiça na Argentina.

Acusado pelas filhas de negligenciar os cuidados a Maradona, Morla é mais próximo de Rocío Oliva, a última namorada do Diez, também desafeta de Dalma e Giannina.

A disputa já tem duas trincheiras bem estabelecidas, a da "primeira família" de Maradona, com Dalma, Giannina e Claudia Villafañe, sua ex-esposa, de um lado, e o "entorno final" do outro, com Rocío Oliva e Matías Morla, que acompanharam de perto seus anos derradeiros. Barrada no velório e no enterro de Diego, Rocío declarou à ESPN que espera recompensa financeira pelo suporte a Maradona pelos cinco anos de namoro, e é incerto até mesmo o que vai acontecer com o vídeo gravado por Diego há exatamente um ano ameaçando deserdar as filhas mais velhas, que defenderam a mãe e se afastaram dele em uma das suas inúmeras brigas entre todos justamente por dinheiro.

A fortuna gerada por Maradona é incalculável até para a sempre detalhista imprensa argentina. Estimativas mais modestas, como a do "Clarín", maior jornal da Argentina, dizem que a herança esbarra em US$ 100 milhões (8,1 bilhões de pesos, equivalentes a R$ 535 milhões). Ela vem de imóveis na Argentina e em todo o mundo, além de carros, anéis, joias e relógios - tudo do mais alto luxo. Tal cálculo não inclui o direito de imagem, quantia sempre difícil de ser avaliada.

Já segundo a "Crônica TV", canal de Buenos Aires, são US$ 600 milhões em jogo (R$ 3,1 bilhões aproximadamente). De acordo com o site especializado em economia 'Celebrity Net Worth', o valor giraria em torno de 500 milhões de dólares (cerca de R$ 2,5 bilhões). Um dos esportistas mais lucrativos de todos os tempos, Diego amealhou cifrões em salários, patrocínios e direitos de imagem até seus dias finais - e a história mostra rios de dinheiro sendo gerados depois da morte de figuras da sua grandeza.

A lei argentina estabelece que dois terços dos bens são destinados aos filhos, e o terço final fica com pais ou cônjuges. Até a quantidade de herdeiros promete problemas. Maradona reconheceu cinco filhos: Diego Júnior (34 anos), Dalma (34), Giannina (31), Jana (24) e Dieguito Fernando (7), gerados por quatro mulheres. Outros seis estão em processo de filiação na Justiça (quatro homens e duas mulheres, de idades entre 19 e 24 anos), quatro em Cuba e dois na Argentina.