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Surfe 360°

REPORTAGEM

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Filipe Toledo afia as garras para conquistar o inédito título mundial

Filipe Toledo México - WSL
Filipe Toledo México Imagem: WSL
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Thiago Blum

É jornalista esportivo desde 1992, mas acompanha o surfe há quatro décadas. Trabalhou por 19 anos na ESPN e atualmente é editor de esportes do Jornal da Band. Cobriu cinco Copas do Mundo e cinco edições dos Jogos Olímpicos.

Colunista do UOL

06/09/2021 04h00

Falta menos de uma semana. E o cara tá tranquilo.

Surfe no pé ele tem de sobra. Foco na missão, não falta.

E ele vai disputar o título "em casa".

Essa é a vibe de Filipe Toledo às vésperas do WSL Finals, a decisão do tour de 2021.

Filipe Toledo - WSL - WSL
Filipe Toledo durante a vitória em Margaret River
Imagem: WSL

Confiante na preparação e no trabalho realizado desde o início da temporada, o paulista de Ubatuba está pronto para se tornar o 4º brasileiro campeão mundial de surfe.

Nas clássicas direitas e esquerdas high-performance de Lowers, em Trestles, ele terá os já campeões Italo Ferreira e Gabriel Medina pela frente, além do australiano Moragn Cibilic e o americano Conner Coffin.

Direto da Califórnia - onde já vive há alguns anos - Filipinho conversou com o @surf360_

Como estão corpo e mente para a competição?

Tenho treinado bastante, tanto s parte física, parte psicológica e dentro d'água. Tem sido um processo muito tranquilo, pelo fato de estar em casa com a minha família. E eu tenho aproveitado cada minuto disso, e acho que isso vai refletir no meu surfe.

Você já esteve numa decisão de mundial em Pipeline, em um formato diferente. Você acha que o novo formato das finais te deixa mais perto do título?

Acho que sim. Pelo fato de ser o último campeonato e só com 5 atletas, acaba ficando mais próximo. Acho legal, porque testa todas as áreas de um surfista profissional. Esse ano vai ser em Trestles, ano que vem pode ser em um point-break de direita, no outro pode ser pra esquerda ou um beach-break no Brasil. Então acaba testando o atleta durante o ano todo, com todas as etapas que a gente já tem e ainda mais essa etapa surpresa no final. É um formato legal, que vai trazer muita emoção.

Filipe Toledo - WSL - WSL
Filipe Toledo celebra vitória no Surf Ranch
Imagem: WSL

Você planeja alguma tática diferente do habitual, por ser tudo no mesmo dia?

Pode ser um pouco diferente do planejamento e da estratégia do ano todo, que a gente faz sempre. Agora é um dia só, é focar, prestar atenção em tudo o que está acontecendo. Prancha boa eu tenho, estou em casa e me sentindo confortável. O foco realmente é nas ondas, é no mar, ir lá dentro e fazer o meu melhor... com sorriso no rosto.

Para ser campeão, você vai ter que vencer 4 baterias. Primeiro, o vencedor de Morgan Cibilic-Conner Coffin, se passar eliminar o Italo ferreira, e depois duas baterias contra o Gabriel Medina. Você pode chegar embalado, mas ao mesmo tempo mais cansado. Essa questão física pode ser decisiva?

Quatro ou cinco baterias... foi algo que a gente já competiu em um dia, e é pra isso que tenho treinado. Estou contando com 4 baterias, é o que eu preciso. Mas o meio treino, a minha dedicação está sendo pra cinco, porque se precisar... vou ter gás e força, o meu cansaço vai estar tranquilo.

Acha que a final sendo em Trestles, surfando "em casa", você leva vantagem?

Sim. O fato de estar em casa, dormindo na minha própria cama, com minha família... meus pais, filhos, meus amigos vão estar aqui. Então, a vantagem de estar no conforto, é grande. Isso pode sim influenciar na minha performance.

Filipe Toledo - WSL - WSL
Filipe Toledo campeão em Margaret River
Imagem: WSL

E a tática dentro da água? O que é melhor? Direita, esquerda... variar? O que normalmente rende mais pontuação?

Depende muito do que você faz na onda. O cara pode pegar uma esquerda de três manobras, dar um 'aéreozão', rasgar e finalizar com um layback, enquanto o cara da direita pode só passar, passar, passar... e não fazer muita coisa. Mas pra potencial de nota, acho que a direita é melhor. Mas depende também da direção do swell, como vai estar a maré e a quantidade de ondas que vai ter na bateria. Depende muito, estamos lidando com a mãe natureza. Mas se for mesmo só por escolher, direita é a onda.

Você teve duas vitórias nesta temporada. Teve alguma etapa no ano que você acha que seu desempenho ficou abaixo do que esperava? E que tenha servido de exemplo para não se repetir na final?

O México foi difícil de aceitar, de engolir. Era um campeonato que eu estava muito focado e dedicado, e acabou não dando certo. Foi uma etapa que deixei a desejar. Mas isso não muda nada, o foco era estar dentro dos Top 5 e eu tô aqui hoje. O que passou, passou, foco no que vai vir, isso não abala minha estratégia, meu psicológico, a minha performance para esse evento.