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Serena em São Paulo: "Precisamos mais mulheres dando grandes cheques"

Serena Williams em evento do Banco XP em São Paulo - RONALDO SILVA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Serena Williams em evento do Banco XP em São Paulo Imagem: RONALDO SILVA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

04/08/2022 20h10

Serena Williams esteve em São Paulo nesta quinta-feira como convidada especial do evento Expert XP 2022. A americana, ex-número 1 do mundo e segunda maior vencedora de slams em simples (23) na história do tênis, recentemente lançou um fundo que captou US$ 111 milhões e veio ao Brasil falar sobre sua experiência como investidora. O principal motivo para isso? A falta de mulheres no mundo dos VCs, os venture capitalists (em bom e simples português, gente com dinheiro e que investe em empresas em crescimento).

"Cerca de 4 ou 5 anos atrás, eu decidi lançar a Serena Ventures. Eu estava em Miami, em uma conferência do JP Morgan, porque eu já investia há uns quatro anos, e nessa conferência Jamie Dimon estava no palco conversando com Caryn Becker. Ela é CEO da Clear, e ela disse que menos de 2% de todo dinheiro de VC ia para mulheres. Estamos falando de bilhões de dólares, possivelmente até trilhões. Achei que ela tinha se confundido. É meio embaraçoso. Falei com ela depois, e ela disse 'É verdade. Menos de 2% do dinheiro de VC vai para mulheres.' Eu já tinha investido em Masterclass e outras empresas que estavam indo muito bem. Eu pensei 'Ok, a única maneira de mudar aquele número, aquela estatística, era ter gente como eu, uma mulher negra, passando cheques grandes. Homens gostam de passar cheques para outros homens. Mulheres gostam de dar cheques para outras mulheres. Para mim, precisamos de mais mulheres em grandes palcos, dando grandes cheques."

Quatro anos depois, Serena Ventures aconteceu, captando US$ 111 milhões. O número não é por acaso: "gosto do número 1", disse a tenista que liderou o ranking mundial por 319 semanas. Entrevistada por José Berenguer, CEO do Banco XP, e Betina Roxo, Head de Canais digitais do banco, a americana completou a história do nascimento de Serena Ventures.

"Eu sabia que para erguer essa empresa, isso tinha que ser feito da maneira certa, e tinha que ter muito sucesso. Eu também sabia que se fosse levantar dinheiro, eu queria que as pessoas vissem o que eu já tinha feito, meu histórico, o que eu era capaz de fazer e como eu podia montar uma equipe e ter sucesso. Então fizemos isso quatro anos depois porque eu queria ter certeza que eu sabia de tudo sobre o business. E decidimos buscar 111 milhões para o nosso primeiro fundo. Foi empolgante, e isso nos permite continuar a investir em mulheres e fintechs."

Serena ressaltou que não investe apenas em minorias, lembrando que seu marido, Alexis Ohanian, co-fundador do reddit, é branco, mas destacou que mulheres se sentem mais à vontade conversando sobre seus negócios com outras mulheres.

"As pessoas falam em inclusão e diversidade, mas nossa empresa investe em todos. Meu marido é branco, então investimos em homens brancos também. Mas por minha causa e por causa de minha sócia, Alison Rapaport Stillman, por causa de quem somos, naturalmente vemos mais mulheres. Mais mulheres vêm até nós e ficam mais à vontade conversando com a gente porque acreditam que têm uma chance, que é uma boa chance para que elas sejam ouvidas e vistas. E essa é a nossa tese. Acho que agora nosso portfólio tem mais de 60% de fundadores mulheres ou pessoas de cor, o que nunca se viu no mundo de VC. Nós fazemos o que dizemos que vamos fazer."

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