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Djokovic pode jogar o US Open, mas prefere insistir no papel da vítima

Reuters
Imagem: Reuters
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

31/07/2022 04h00

No fim da semana que marcou o começo da temporada de verão (no hemisfério norte) dos torneios de quadra dura e, logo, o início do aquecimento para o US Open, Novak Djokovic, atual número 7 do mundo, usou sua conta no Instagram para agradecer pelas mensagens de apoio que recebeu recentemente. No fim do post, escreveu assim: "Estou me preparando como se me fosse permitido competir enquanto espero para ouvir se há alguma brecha para eu viajar aos Estados Unidos. Dedos cruzados!"

Deixa eu te contar um segredinho, Nole: não tem brecha. Tem uma janela inteira, escancarada, para você viajar aos Estados Unidos e competir. Basta se vacinar contra covid-19. É um requisito do país para qualquer estrangeiro, não importa se é um fã de tênis que vai pagar sua viagem em 488 parcelas ou se é um atleta excepcional, multicampeão, dos maiores da história. Viver em sociedade é assim. Há casos em que todos precisamos de tratamento igual. E ninguém, a não ser você mesmo, meu caro Djokovic, está impedindo a sua entrada nos Estados Unidos (e no Canadá, ressaltemos) para jogar o US Open.

Novak continua um fora de série dentro de uma quadra de tênis. Foi campeão de Wimbledon dando a impressão que tinha margem para vencer com mais facilidade ainda. Soma 21 títulos de slam na carreira - número que poderia ser maior se ele tivesse competido na Austrália ou se não tivesse levado uma aula de postura e coragem nas quartas de final de Roland Garros. Já é e continuará sendo um dos maiores atletas da história, não só do tênis, não importa quantos recordes alcance ou deixe de alcançar até o fim da carreira. Ponto.

No entanto, o sérvio de 35 anos segue preferindo o papel de vítima. Sob o pretexto de não acreditar "na vacina" (Djokovic nunca explicou decentemente os porquês e tratou todas vacinas contra covid-19 como se fossem iguais) e de ter extremo cuidado com o que coloca em seu corpo, o mesmo cidadão que consome produtos como "Golden Mind" e "Coated Silver" insiste com o cansativo discurso dos perseguidos. Prefere o mimimi do "por quê não posso jogar?" e seu blablabla anticiência que, infelizmente, ainda arrasta uma quantidade de torcedores cegos pelo fanatismo. Um autoflagelo que não tem mais lugar em um planeta que convive há dois anos e meio com uma pandemia e viu mais de seis milhões de pessoas perderem a vida por causa de um vírus.

A chave principal do US Open começa no dia 29 de agosto, e se as autoridades americanas seguirem proibindo a entrada de estrangeiros não-vacinados no país, não há nada que a federação americana de tênis possa fazer em prol do sérvio. Se nada mudar, Djokovic vai ficar mais um tempinho no seu isolamento.