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Wimbledon mostrou novamente por que 'Enigma Djokovic' segue indecifrável

Novak Djokovic come grama da Quadra Central de Wimbledon após conquistar o hepta  - Reuters
Novak Djokovic come grama da Quadra Central de Wimbledon após conquistar o hepta Imagem: Reuters
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

11/07/2022 04h00

Diz a mitologia grega que a Esfinge guardava a entrada da cidade de Tebas e só permitia a entrada de quem decifrasse seu enigma. Ela estrangulava e devorava quem não conseguisse dar a resposta correta. Na versão mais conhecida desse enigma, a pergunta era: "Que criatura pela manhã tem quatro pés, ao meio-dia tem dois, e à tarde tem três?"

Se existe um equivalente no tênis e, sobretudo na grama, a velha frase "decifra-me ou devoro-te" deve ser pronunciada por um certo sérvio na sede do All England Club, na entrada para a Quadra Central. Desde 2016, quando Sam Querrey bateu um errático número 1 do mundo, ninguém encontrou uma resposta para o Enigma Djokovic.

"Que criatura tem um saque potente o bastante para superar a melhor devolução do mundo; golpes de fundo capazes de desequilibrar o atleta mais consistente do planeta; versatilidade para tirar o mais duro dos oponentes de seu jogo preferido; e a inteligência para criar um plano de jogo capaz de fazer tudo acima funcionar?"

Desde o abandono de 2017, causado pela lesão no cotovelo, 28 tentaram decifrar o enigma e 28 foram devorados por Novak Djokovic. Rafael Nadal chegou perto em 2018, em um quinto set, mas acabou sucumbindo. Em 2019, Roger Federer foi além e teve "aquele" 40/15, mas foi igualmente digerido pelo sérvio. Em 2020 e 2021, os saques de Berrettini e Kyrgios foram domados, e Sinner foi engolido após um toilet break magistral. Ninguém mais sequer chegou perto.

O título deste domingo, o sétimo dessa esfinge tenística em Wimbledon, nunca esteve realmente em risco. O Enigma Djokovic segue indecifrável e assim será por pelo menos mais um ano.

Coisas que eu acho que acho:

- Se alguém não sabe a resposta para o enigme da esfinge grega (não confundir com a Esfinge de Gizé, no Egito, famoso ponto turístico do país), a solução é simples: o homem, que engatinha como bebê, anda sobre dois pés como adulto e se apoia em uma bengala quando velho.

- Nadal foi derrotado em Roland Garros pelo próprio Djokovic no ano passado. Logo, parece justo afirmar que decifrar o Enigma Djokovic é a tarefa mais árdua do tênis masculino de hoje.

- Dadas as circunstâncias - primeira final de slam, nível do adversário e sua bem conhecida fragilidade mental - Nick Kyrgios fez uma apresentação bastante digna deste domingo. Abuso esperar muito mais do que isso do australiano.

- Com o 21º slam, Nole volta a se aproximar de Rafael Nadal na corrida para ser o homem com mais títulos em simples na história. Se puder disputar o US Open, Djokovic vai a Nova York como favorito para igualar o espanhol. Até hoje, contudo, as autoridades americanas não permitem a entrada de estrangeiros não-vacinados contra covid-19 em seus aeroportos. Nole já descarou a possibilidade de se vacinar.

- Não se trata de comparar as substâncias, mas o mesmo Djokovic que não aceita injeção contra covid (nenhuma, de nenhum laboratório) e trata todas vacinas como se fossem iguais, é o mesmo que come um pedacinho de grama (pisada por tanta gente) cada vez que conquista Wimbledon. Desde 2011. Repito: não comparemos. Apenas admiremos.

- Som de hoje no meu Kuba Disco: Riding a Wave (Love, Fame, Tragedy)

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