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REPORTAGEM

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Nadal aguenta dor, consegue virada heroica e vai às semis em Wimbledon

Reuters
Imagem: Reuters
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

06/07/2022 15h30

Rafael Nadal fez um ótimo começo de partida nesta quarta-feira, nas quartas de final de Wimbledon, mas logo ficou claro que o espanhol não tinha as condições físicas ideais para competir com Taylor Fritz, (24 anos, #14 do mundo). Com dores no abdômen, o veterano de 36 anos decidiu não abandonar o duelo, mas precisou jogar sacando apenas na casa dos 160km/h e sempre do mesmo lado. Teve seu serviço quebrado oito vezes, viu o rival abrir 2 sets a 1 e, nem assim, desistiu. No fim, aguentou a dor e, com raça e inteligência, arrancou uma virada inesperada após 4h20min de jogo. Por 3/6, 7/5, 3/6, 7/5 e 7/6(10-4), bateu Fritz e avançou às semifinais mais uma vez no All England Club.

Campeão do Australian Open e de Roland Garros, Rafa agora soma 19 vitórias seguidas em slams. Ele continua com a esperança de completar o Grand Slam de fato - feito em que um tenista ganha os quatro maiores torneios do planeta na mesma temporada. O último homem a fazê-lo foi o australiano Rod Laver, em 1969. No ano passado, Novak Djokovic esteve a uma partida de completar o Grand Slam, mas perdeu a final do US Open.

Em sua oitava aparição nas semifinais de Wimbledon, Rafael Nadal vai encarar o australiano Nick Kyrgios, que passou sem grandes problemas pelo chileno Cristian Garín também nesta quarta-feira: 6/4, 6/3 e 7/6(5). Será o terceiro duelo entre eles no All England Club. Em 2014, Kyrgios levou a melhor nas oitavas de final. Em 2019, na segunda rodada, Nadal deu o troco.

Como aconteceu

Nadal fez um ótimo começo de jogo, devolvendo os saques de Fritz, tomando a dianteira nos ralis e partindo para winners. Foi assim que o espanhol quebrou o saque do americano logo no primeiro game e abriu 3/1. Aos poucos, porém, o nível de Rafa caiu, os erros começaram a aparecer, e o americano ganhou confiança. No sexto game, Nadal cometeu quatro erros não forçados e, mesmo depois de salvar três break points, acabou quebrado quando Fritz fez uma bela passada de direita. O veterano ainda conquistou uma chance de quebra no sétimo game, mas Fritz se salvou com um ótimo saque. No oitavo, mais erros de Nadal e, com uma dupla falta no break point, Rafa facilitou a vida do americano, que abriu 5/3 e sacou com maestria para fechar o set pouco depois: 6/3.

O segundo set começou da mesma maneira. Nadal foi impecável no segundo game e contou com dois erros de Fritz para conseguir a quebra e, na sequência, abrir 3/0. No entanto, no quinto game, o espanhol cometeu mais duas duplas faltas e um erro não forçado e cedeu a quebra de volta. Nesse momento, Nadal aparentava sentir dores na região abdominal. Seu primeiro saque perdeu velocidade, caindo para perto dos 170 km/h, e Fritz começou a ter ainda mais chances nos games de devolução. Depois de fazer 4/3, o espanhol pediu atendimento médico. Na volta, o incômodo ficava ainda mais claro. Rafa só conseguia sacar no backhand do adversário. Ainda assim, conseguiu confirmar seus saques e teve o esforço recompensando quando Fritz, sacando em 5/6, errou duas direitas não forçadas. Nadal ganhou um set point e aproveitou, subindo à rede e fechando a parcial com um voleio de backhand: 7/5.

Do fundo de quadra, Nadal conseguia trocar bolas e entrar nos ralis como antes. A dificuldade era mesmo no saque. No terceiro set, a velocidade média de seus serviços estava na casa dos 160 km/h. Fritz finalmente tirou vantagem disso no terceiro game, quando o veterano cometeu mais uma dupla falta em um break point. O americano abriu frente e não cedeu mais nenhum break point sequer até conseguir outra quebra no nono game e fechar o set.

Nadal, no entanto, não desistiu. Conversou com o fisioterapeuta no intervalo entre os sets, decidiu ficar em quadra e conseguiu quebrar o saque de Fritz no primeiro e no terceiro games do quarto set. Mesmo cedendo uma quebra, abriu 3/1 e manteve-se com esperanças. O americano devolveu a quebra e igualou o placar em 4/4. Em seguida, salvou um break point, fez 5/4 e jogou a pressão sobre Rafa. Ainda sacando na casa dos 160km/h e sempre do mesmo lado, Nadal não só sobreviveu como quebrou Fritz no 11º game e fechou o set pouco depois, fazendo 7/5 e forçando o quinto set.

O jogo seguiu nervoso e equilibrado, mas os dois confirmaram seus saques sem problemas na primeira metade da parcial decisiva. No sétimo game, Fritz encarou três break points, mas se salvou com dois saques excelentes e uma bola que tocou na fita e morreu do outro lado da rede, sem chances para Nadal. Na quarta chance, entretanto, Rafa não perdoou. Atacou com uma paralela de forehand e matou o ponto com uma curtinha para abrir 4/3. Fritz devolveu a quebra imediatamente após um par de jogadas ruins de Nadal (uma curtinha mal executava e um backhand na rede). A decisão só veio mesmo no tie-break jogado até 10 pontos.

Rara abriu o game decisivo de forma arrasadora, vencendo os cinco primeiros pontos - três deles, no saque de Fritz - e jogando sempre no ataque. O americano só saiu do zero quando agrediu com eficiência um segundo saque do veterano (5/1). O americano devolveu outra mini-quebra graças a um backhand longo do espanhol e, com um ace, diminuiu a diferença para 5/3. O maior rali de toda a partida veio no décimo ponto, e Nadal venceu a troca de 25 bolas com uma combinação sensacional de curtinha e voleio. Com 7/3 de vantagem, Nadal não bobeou mais.

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