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Quem é quem nas oitavas de final masculinas em Wimbledon

Reuters
Imagem: Reuters
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

02/07/2022 18h00

A primeira semana de Wimbledon chegou ao fim neste sábado, e a chave masculina trouxe um punhado de surpresas, desde os casos de covid de Matteo Berrettini, Marin Cilic e Roberto Bautista Agut até as eliminações precoces de Hubert Hurkacz e Félix Auger-Aliassime, que não passaram da estreia.

Ainda assim, Novak Djokovic e Rafael Nadal seguem vivos, com Carlos Alcaraz, e Nick Kyrgios pintando como fortes candidatos. Mas como cada um deles chegou às oitavas? Quem mostrou mais tênis até agora? Spoiler: Djokovic. O que esperar de cada um dos 16 atletas ainda com chances na próxima fase? Venha ver!

[1] Novak Djokovic x Tim Van Rijthoven

Campeão das últimas três edições de Wimbledon e cabeça de chave 1, Novak Djokovic, atual número 3 do mundo, vem sobrando até aqui. Foi quem jogou em nível mais alto e oscilou menos. Perdeu, sim, um set na primeira rodada, para Kwon, mas isso pouco parece importar a essa altura. Nole dominou Kokkinakis e Kecmanovic e chega em excelente forma para oitavas e quartas, que parecem ser a parte mais dura da chave de cima.

Van Rijthoven é uma das sensações da temporada de grama. Saiu do "nada" - nunca havia jogado uma partida de nível ATP - quando ganhou um convite para o ATP de 's-Hertogenbosch e, até agora, não perdeu mais. Foi campeão lá e passou três rodadas em Wimbledon. Ainda está invicto em nível ATP. O holandês é um tenista competentíssimo na grama, já derrubou gente como Fritz, Auger-Aliassime, Medvedev, Opelka e Basilashvili e vai encarar Djokovic sem nada a perder. Obviamente, é o azarão neste duelo, mas, na pior das hipóteses, deve protagonizar momentos bacanas contra o favorito.

[10] Jannik Sinner x Carlos Alcaraz [5]

Sinner fez o seu com muita competência até agora, e não foi um caminho dos mais simples. O italiano estreou contra o sempre perigoso Wawrinka - ainda que, voltando ao circuito após lesões e cirurgias e longe "daquele" Wawrinka - e, na terceira rodada, bateu Isner, que vinha de uma apresentação soberba contra Andy Murray dois dias antes. É justo dizer que Sinner chega com moral e uma boa dose de confiança nas oitavas.

O desafio para o italiano, contudo, será bem diferente dos que ele encontrou em Wimbledon até agora. Carlos Alcaraz vem jogando melhor a cada rodada. Depois dos cinco sets contra Struff na estreia, bateu Griekspoor e Otte em três. Está mais firme, mais adaptado à grama e é justo imaginar que se a devolução do espanhol funcionar contra as bombas de Sinner no saque, Alcaraz tem boas chances de avançar aqui.

David Goffin x Frances Tiafoe [23]

Goffin é um caso curioso. Em abril do ano passado, entrou em uma sequência muito ruim e despencou no ranking, saindo do top 15 para além do 70º lugar. No entanto, o saibro trouxe de volta bons momentos. Depois que foi campeão do ATP de Marraquexe, o belga fez campanhas e apresentações melhores em Madri (furou o quali e quase bateu Nadal) e Roland Garros. Agora, em Wimbledon, volta a estar entre os 16 melhores e volta a encontrar...

Frances Tiafoe, que foi eliminado no saibro de Paris pelo mesmo Goffin. O americano, aliás, perdeu quatro dos cinco encontros com o belga e sua campanha aqui tem um gostinho de surpresa, já que ele foi derrotado por Bublik na estreia em Eastbourne e reencontrou o cazaque na terceira rodada em Wimbledon. Jogo difícil de prever aqui.

[9] Cameron Norrie x Tommy Paul [30]

Norrie fez o dever de casa em uma chave que, na grama, foi das mais generosas (Andújar, Munar e Steve Johnson), enquanto Paul foi quem melhor se aproveitou da queda precoce de Hubert Hurkacz, que era cotadíssimo para alcançar as semifinais, mas acabou superado por Alejandro Davidovich Fokina na estreia. Em vez de Hurkacz, Paul encarou Vesely na terceira rodada e passou em sets diretos (triplo 6/2). Norrie, que joga "em casa", é o favorito no papel, mas o americano tem boas chances aqui.

Cristian Garín x Alex de Minaur [19]

Chegamos à chave de baixo, que perdeu Matteo Berrettini, Marin Cilic e Roberto Bautista Agut para a covid. O primeiro grande beneficiado aqui é Garín, que avança onde Berrettini era favoritíssimo. Em vez de estrear contra o italiano, Garín pegou Elias Ymer. Depois, bateu Grenier e Brooksby. Não dá para querer chave muito melhor em um slam. De Minaur, por sua vez, era o favorito na sua seção e correspondeu. Superou Dellien, Draper e Broady. Será favorito mais uma vez aqui contra Garín, mas não por muito.

Brandon Nakashima x Nick Kyrgios

Nakashima foi o "campeão" da seção onde estava Bautista Agut. É bem verdade que o americano derrotou Shapovalov, mas o canadense vinha em má fase e ainda teve problemas físicos. De qualquer modo, Brandon tem seus méritos e não é tão azarão assim, já que teve boas atuações na temporada de grama (bateu Querrey, Johnson e Paul) e chegou a Wimbledon com bom ritmo no piso.

O favorito aqui, evidentemente, é Kyrgios, que venceu um nervoso, catimbado e dramático duelo com Tsitsipas. Ambos sabiam a importância do jogo, já que quem avançasse seria o maior favorito para chegar à semi. Agora, Nick chega às oitavas com moral, e o céu é o limite se o corpo aguentar (o que nem sempre acontece) a cabeça deixar. Afinal, quando tudo funciona no tênis do australiano, é difícil segurá-lo.

Jason Kubler x Taylor Fritz [11]

Taí um confronto que ninguém esperava. Não numa seção com Félix Auger-Aliassime, o principal cabeça de seção, e o excelente sacador Maxime Cressy, que eliminou Aliassime. Mas Cressy perdeu para Jack Sock (aquele!), e Kubler fez uma partida mais do que competente para derrubar seu compatriota fofo em cinco sets.

Qualquer um com o saque de Taylor Fritz seria favorito em sua seção, e o americano confirmou seu status sem perder sets. Bateu Musetti, Gray e Molcan, que podem não ser o trio mais complicado do torneio deste ano, mas o pouco tempo em quadra joga a favor do físico do americano. Ele é, sem dúvidas e com folgas, o mais cotado aqui.

[21] Botic van de Zandschulp x Rafael Nadal [2]

Van de Zandschulp não é o mais midiático nem espalhafatoso dos tenistas, então costuma passar por fora do radar (e, lembremos, Cilic era o mais cotado nesta parte da chave). Não que isso faça mal a seu jogo. Sem grande expectativa, VDZ passou por Feliciano López, Ruusuvuori e Gasquet e continua sem holofotes. Talvez isso mude se ele passar por seu próximo oponente, que é...

Rafael Nadal. O veterano deixou a desejar na primeira rodada e só encantou no último set da segunda fase, mas elevou o nível neste sábado, na terceira rodada, contra Sonego. Teve a seu favor o fato de não encarar nenhum sacador durante a primeira semana de Wimbledon (o que é sempre mais delicado) e, agora, torna-se mais perigoso à medida em que avança. É o claro favorito para chegar à semi e deve ser o mais cotado para alcançar a final, mesmo se for o perigoso Kyrgios do outro lado da rede.

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