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REPORTAGEM

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Nadal evita virada de azarão em Wimbledon e iguala marca de Navratilova

Reuters
Imagem: Reuters
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

28/06/2022 14h59

Rafael Nadal precisou de toda sua experiência para evitar uma zebra gigante na Quadra Central de Wimbledon nesta segunda-feira. Depois de abrir 2 sets a 0, o atual campeão do Australian Open e de Roland Garros viu o argentino Francisco Cerúndolo (#41 do mundo) mudar o jogo e começar a dar as cartas. O sul-americano virou o terceiro set, abriu vantagem no quarto e parecia em forma para conseguir uma virada fenomenal. Rafa, no entanto, freou o azarão, evitou a eliminação precoce e triunfou por 6/4, 6/3, 3/6 e 6/4, depois de 3h33min de jogo.

Além de uma vaga na segunda rodada de Wimbledon, o triunfo desta segunda-feira contou como o 306º da carreira de Rafa em torneios do Grand Slam (Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open). O número o coloca empatado com Martina Navratilova em quarto lugar na lista de maiores vencedores de jogos em slams da história do tênis. Nadal e Navratilova ficam atrás apenas de Roger Federer (369), Serena Williams (365) e Novak Djokovic (328).

Bicampeão de Wimbledon (2008 e 2010) e atual campeão do Australian Open e Roland Garros, Nadal mantém viva a esperança de completar o Grand Slam de fato - feito em que alguém vence os quatro slams na mesma temporada e não acontece no tênis masculino desde 1969, com o australiano Rod Laver. Na segunda rodada de Wimbledon este ano, ele vai enfrentar o lituano Ricardas Berankis, que vem de vitória sobre o americano Sam Querrey por 6/4, 7/5 e 6/3.

Como aconteceu

Parecia um começo de jogo tranquilo quando Rafael Nadal anotou a primeira quebra da partida e abriu 3/1 diante de um Cerúndolo que fazia sua estreia em Wimbledon. O argentino, no entanto, mostrou-se o tenista mais consistente em quadra, alongando as trocas de bola e errando menos do que o espanhol. Nadal cometeu um par de erros no quinto game e cedeu a quebra de volta imediatamente. Depois disso, jogo ficou tenso e equilibrado, com longas trocas e mais erros do que winners. Na reta final, porém, Rafa foi melhor. Primeiro, saiu de 15/40 e salvou três break points quando sacava em 4/4. Depois, com o argentino pressionado e sacando em 4/5, o espanhol foi à rede e conquistou um set point. Em seguida, encaixou uma esquerda indefensável na cruzada e fechou o set: 6/4.

Cerúndolo seguiu fazendo uma partida sólida e inteligente, errando pouco e agredindo quando possível. Contudo, as margens para enfrentar alguém do nível de Nadal são sempre pequenas. Isso ficou evidente no sexto game, quando o argentino jogou dois ralis de forma impecável, mas perdeu ambos pontos com direitas que saíram por muito pouco. Diante de um break point, Cerúndolo agrediu de novo com uma direita, mas novamente a bola saiu por muito pouco, e Nadal chegou a quebra, abrindo 4/2. O veterano venceu outro game apertado para abrir 5/2 e, pouco depois, fazer 6/3 e abrir 2 sets a 0.

O argentino seguiu jogando em um nível altíssimo e com uma sequência de pontos espetaculares, saiu na frente no quarto set, quebrando o saque de Nadal no terceiro game e salvando dois break points para abrir 3/1. O momento era todo de Cerúndolo, que ainda teve quatro break points para fazer 4/1. Rafa, porém, não se entregou. Salvou todos e manteve-se vivo na parcial, aguardando uma queda de rendimento do oponente. E ela veio. No oitavo game, Cerúndolo cometeu três erros de direita tentando ser agressivo e cedeu a quebra. Com o placar em 4/4, de repente Nadal era o favorito outra vez, e a experiência pesou. Rafa confirmou o serviço de zero para abrir 5/4 e quebrou de novo na sequência para fechar o jogo em 6/4.

Desistências deixam caminho menos duro

Duas desistências por casos de covid-19 deixaram o caminho de Rafael Nadal menos complicado este ano. O primeiro a ser anunciado foi o do croata Marin Cilic, vice-campeão de Roland Garros. Ele era o favorito para encontrar o espanhol nas oitavas de final. O croata foi substituído na chave pelo português Nuno Borges, que já foi eliminado pelo americano Mackenzie McDonald.

Nesta segunda-feira, um candidato ainda maior ao título de Wimbledon anunciou sua desistência: Matteo Berrettini, vice-campeão de Wimbledon no ano passado e campeão de dos torneios na grama este ano, era o favorito para enfrentar Rafael Nadal nas semifinais. No lugar do italiano entrou o sueco Elias Ymer, que perdeu na primeira rodada para o chileno Cristian Garín.

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