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REPORTAGEM

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'Campeão do sorteio', Tsitsipas sai de buraco e sobrevive em Roland Garros

Reuters
Imagem: Reuters
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

24/05/2022 19h33

Quando a chave masculina de Roland Garros foi revelada com Novak Djokovic, Rafael Nadal e Carlos Alcaraz do mesmo lado, o sorteio teve um "vencedor" claro: Stefanos Tsitsipas, número 4 do mundo, que caiu na metade de baixo da chave, junto com o vice-líder do ranking - mas azarão no saibro - Daniil Medvedev. Logo, o grego subiu nas cotações e passou a ser favoritíssimo para alcançar a decisão do torneio.

Pois nesta terça-feira, ainda na primeira rodada, os prognósticos quase se transformaram em um retumbante fracasso. Tsitsipas esteve perdendo por 2 sets a 0 para o talentoso italiano Lorenzo Musetti (20 anos, #66 do mundo), mas encontrou seu tênis a tempo de sair do buraco e avançar à segunda rodada por 5/7, 4/6, 6/2, 6/3 e 6/2.

Foi a segunda derrota seguida de Musetti após abrir dois sets de vantagem contra um favorito em Roland Garros. No ano passado, o italiano teve Novak Djokovic nas cordas, mas também permitiu que o sérvio virasse e abandonou a partida quando perdia o quinto set por 4/0. Enquanto isso, Tsitsipas vai à segunda fase encarar o tcheco Zdenek Kolar (25 anos, #134), que saiu do qualifying e, na chave principal, superou o francês Lucas Pouille por 6/3, 4/6, 7/5 e 6/4.

Como aconteceu

Tsitsipas, que somou um retrospecto respeitável no saibro este ano (14 vitórias, três derrotas e título do Masters 1000 de Monte Carlo), entrou mais "quente" na partida, mostrando convicção e rapidamente abriu uma quebra de saque no embalo de dois erros não forçados de Musetti. Stefanos abriu 4/1 e tinha o controle da partida, mas um péssimo sétimo game, com quatro erros não forçados, começou a mudar o jogo. O italiano devolveu a quebra, igualou o placar depois de salvar três break points e ganhou confiança. No 11º game, Musetti voltou a ameaçar o saque do grego e conquistou um break point após disparar uma paralela de direita indefensável. Outro erro de Tsitsipas valeu a quebra, e o italiano fechou a parcial em seguida: 7/5.

O momento ruim de Tsitsipas continuou no começo do segundo set, e Musetti aproveitou para abrir 4/0. Aos poucos, o grego foi reencontrando seu tênis, mas já era tarde para salvar a parcial, Stefanos ainda devolveu uma das quebras e forçou o jovem desafiante a sacar para o set, mas o italiano não bobeou no décimo game e fez 6/4 para abrir 2 sets a 0.

O terceiro set foi bem diferente, com Tsitsipas subindo de nível e melhorando sobretudo em dois quesitos. Passou a sacar melhor e errar menos do fundo de quadra. A partida mudou radicalmente. O grego venceu todos os 14 pontos com o primeiro serviço (havia vencido apenas 53% na parcial anterior) e cometeu apenas dois erros não forçados (somou 23 nos dois sets iniciais). Musetti também errou pouco, mas deixou de ganhar pontos de graça e sentiu o momento. O número 4 do mundo fez 6/2 rapidamente e estendeu a partida.

O quarto set continuou no mesmo tom, com Tsitsipas abrindo 3/0. Desta vez, porém, Musetti devolveu a quebra e parecia confiante o bastante para brecar de vez a reação do oponente. No entanto, o italiano tampouco fez seu game de serviço no sexto game, e o grego quebrou de novo para abrir 4/2. Já dando sinais de desgaste físico, Musetti não conseguiu mais reagir na parcial.

O quinto set começou com um winner de devolução e um recado claro de Tsitsipas, que se mostrava inteiro fisicamente e disposto a pontos longos. A cada rali perdido, Musetti se mostrava mais frustrado e sem recursos. No quinto game, sacando em 1/3 e diante de um break point, o italiano errou um smash fácil, e o ponto, na prática, carimbou a vaga de Tsitsipas na segunda rodada.

Medvedev também avança

Cabeça de chave número 2 do torneio, Daniil Medvedev não está na lista dos principais candidatos ao título por causa de seu histórico modesto no saibro. Além de não gostar do piso, o russo teve uma lesão e jogou pouco na terra batida antes de Roland Garros. Ainda assim, fez uma boa estreia e avançou sem sustos.

O vice-líder do ranking fez triplo 6/2 em cima do argentino Facundo Bagnis (32 anos, #103 do mundo) e vai encarar o sérvio Laslo Djere na sequência. Medvedev tem um caminho nada simples nesta primeira semana em Paris. Djere tem bons resultados no saibro (já foi campeão do Rio Open, o ATP 500 do Rio de Janeiro). Caso passe à terceira rodada, o russo pode ter de enfrentar o também sérvio Miomir Kecmanovic (22 anos, #31), que também tem um histórico de boas atuações na superfície e é treinado pelo argentino David Nalbandian.

Brasil vence com dois duplistas

O saldo foi positivo para o Brasil nesta terça-feira, na chave de duplas masculinas. Rafael Matos, em parceria com o espanhol David Vega Hernández, derrotou os cabeças de chave 13, Santiago González e Andres Molteni, por 6/2 e 6/3. Foi o primeiro triunfo do gaúcho, atual número 3 do Brasil e 52 do mundo na modalidade, no slam do saibro.

Quem também avançou foi o número 2 do Brasil e 40 do mundo, Marcelo Melo. Em parceria com o argentino Máximo González, ele aplicou 6/4 e 6/2 sobre Aljaz Bedene e Filip Krajinovic. Cabeças 15 do torneio, Melo e González vão encarar na sequência o americano Maxime Cressy e o espanhol Feliciano López.

Felipe Meligeni não teve a mesma sorte. Junto ao argentino Sebastián Báez, o campineiro, número 4 do Brasil e 78 do mundo nas duplas, perdeu para Andrey Golubev e Fabrice Martin por 7/5 e 6/3.

Tsonga dá adeus às lágrimas

Campeão de Copa Davis, vice-campeão olímpico, ex-número 5 do mundo, semifinalista seis vezes em torneios do Grand Slam, quadrifinalista em cada um dos quatro slams, vencedor de dois Masters 1000, finalista do ATP Finals e ocupante do top 10 por 260 semanas (ufa!), Jo-Wilfried Tsonga fez a última partida de sua carreira nesta terça, em Roland Garros.

Em uma partida emocionante diante do atual #8 do mundo, Casper Ruud, Tsonga teve bons momentos, venceu o set inicial e forçou o rival a jogar três tie-breaks, mas acabou perdendo por 6/7(6), 7/6(4), 6/2 e 7/6(0). Antes do último ponto, o francês de 37 anos já chorava em quadra enquanto o público aplaudia de pé. Após o match point, Jo recebeu uma justa homenagem da organização do torneio, com direito e mensagens do Big Four e tenistas franceses de sua geração entrando em quadra para saudá-lo.

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