PUBLICIDADE
Topo

Saque e Voleio

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Bia Haddad e Danilina levam virada e são vice no Australian Open

Getty Images
Imagem: Getty Images
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

30/01/2022 03h56

A improvável parceria entre Bia Haddad Maia e Anna Danilina, que aconteceu por um acidente do destino, esteve perto de completar seu conto de fadas com final feliz. No entanto, diante das tchecas Katerina Siniakova e Barbora Krejcikova, números 1 e 2 do mundo na modalidade, brasileira e cazaque levaram a virada e terminaram com o vice. Por 6/7(3), 6/4 e 6/4, as tchecas, atuais campeãs de Roland Garros e medalhistas de ouro em Tóquio-2020, levantaram também o troféu do slam australiano.

Na história

Ao alcançar a final em Melbourne, Haddad Maia tornou-se a primeira mulher brasileira a disputar uma decisão de duplas desde 1968, quando Maria Esther Bueno brigou pelo troféu do US Open. Na Austrália, a última final de duplas femininas com uma brasileira havia sido em 1960, também com Maria Esther.

O destino

Bia não tinha intenção de jogar ao lado de Danilina neste começo de ano. Antes do Australian Open, a brasileira disputaria o WTA 500 de Sydney, há três semanas, junto com a argentina Nadia Podoroska. A hermana, contudo, sofreu uma lesão pouco antes do torneio, e Danilina, que estava inscrita em um torneio na Tunísia, viajou de última hora para atuar ao lado da paulista. As duas foram campeãs do WTA de Sydney e decidiram repetir a parceria em Melbourne. Elas acumularam nove triunfos consecutivos até a derrota deste domingo.

Como aconteceu

A partida começou melhor para Haddad Maia e Danilina. Com boas devoluções agressivas da brasileira, o time ameaçou o saque de Krejcikova logo no game inicial da partida e, em seguida, conseguiu quebrar Siniakova com uma boa aparição de Danilina junto à rede. Brasileira e cazaque mantiveram a dianteira com certa tranquilidade até o oitavo game, quando Danilina errou duas direitas seguidas. As tchecas conseguiram seu primeiro break point quando Siniakova definiu um belo ponto junto à rede. Na sequência, a mesma Siniakova encaixou uma ótima devolução que forçou uma falha de Danilina e igualou o set em 4/4.

Katerina, no entanto, não aproveitou o bom momento. Desperdiçou um game point no 11º game e acabou quebrada pouco depois. Coube a Danilina sacar para o set, com 6/5 de vantagem, mas a cazaque novamente foi superada do fundo de quadra. Ao cometer mais dois erros não forçados, foi quebrada, e a decisão da parcial só veio no tie-break. Até então, Krejcikova, número 4 do mundo em simples e número 2 em duplas, era quem mais deixava a desejar, e isso ficou evidente no tie-break. Duas falhas de Barbora deram uma enorme vantagem a Haddad Maia e Danilina, que aproveitaram e fizeram 7/6(3), fechando a parcial com um excelente saque angulado da brasileira.

A segunda parcial não começou tão bem. Já no primeiro game, Haddad Maia cometeu três duplas faltas e perdeu seu serviço. Em seguida, Krejcikova confirmou e abriu 2/0. Pouco depois de pedir atendimento médico, a mesma Krejcikova quase comprometeu a vantagem ao cometer duas duplas faltas e errar uma direita fácil no sexto game. Siniakova, porém, salvou um break point com um bom voleio. Foi a única chance de Haddad Maia e Danilina na parcial. As campeãs olímpicas mantiveram a dianteira e forçaram o terceiro set fazendo 6/4 na parcial.

O jogo ganhou em nervosismo no set decisivo, e as tchecas tinham a pressão adicional de sacarem sempre atrás no placar. Siniakova sentiu e cometeu três duplas faltas no quarto game. Desta vez, porém, foi Krejcikova quem salvou break point com um belo voleio. Ao todo, desde o começo do segundo set, foram 13 games seguidos sem quebras.

No quinto game da parcial decisiva, porém, a brasileira cometeu uma dupla falta no primeiro ponto, e as tchecas capitalizaram, ganhando dois belos pontos do fundo de quadra. Com 15/40 no placar, Krejcikova fez uma boa devolução, e Bia mandou uma bola na rede. Com a quebra de frente, as tchecas abriram 4/2 pouco depois, quando Krejcikova encaixou uma bela paralela de backhand no corredor da brasileira.

A vantagem deixou as favoritas ainda mais à vontade para arriscar e cruzar a rede. Foi assim, no sétimo game, que elas quebraram também o serviço de Danilina. Krejcikova dominou do fundo de quadra, e Siniakova controlou a rede. Com um break point, a própria Siniakova disparou uma devolução vencedora para abrir 5/2. O título parecia definido, mas um par de erros de Siniakova colocou Haddad Maia e Danilina de volta no jogo e, com um belo voleio da cazaque, a parceria devolveu uma das quebras. A brasileira, então, confirmou seu saque, forçando Krejcikova a sacar para o título em 5/4. A torcida brasileira fazia barulho e pressionava mais a cada ponto, mas não adiantou. No match point, Krehjicoka deu uma série de balões que confundiu Haddad Maia e Danilina. O último dos balões foi na linha e matou a partida. O título ficou mesmo com as favoritas.

Salto no ranking e prêmio milionário

A campanha em Melbourne significa um enorme salto para Bia Haddad Maia e Anna Danilina no ranking de duplas. A brasileira, que começou o torneio como #150 do mundo, aparecerá no 41º posto na próxima segunda-feira, quando o ranking for atualizado. Danilina, que entrou no Australian Open como #53, subirá para o 25º lugar.

No lado financeiro, o vice em Melbourne também tem muito valor. Haddad Maia e Danilina dividirão 360 mil dólares australianos, o que equivale a cerca de R$ 1,35 milhão. Ou seja, só pela participação na chave de duplas, a brasileira embolsa R$ 675 mil (menos os impostos, é claro).

.

Quer saber mais? Conheça o programa de financiamento coletivo do Saque e Voleio e torne-se um apoiador. Com pelo menos R$ 15 mensais, apoiadores têm acesso a conteúdo exclusivo (newsletter, podcast e Saque e Voleio TV), lives restritas a apoiadores, além de ingresso em grupo de bate-papo no Telegram, participação no Circuito dos Palpitões e promoções imperdíveis como esta.

Acompanhe o Saque e Voleio no Twitter, no Facebook e no Instagram.