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Laura elogia posição da WTA na China: 'Direitos humanos em primeiro lugar'

Gaspar Nóbrega/COB
Imagem: Gaspar Nóbrega/COB
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Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

05/12/2021 04h00

A WTA anunciou durante a semana a suspensão de todos seus torneios em território chinês. A medida é considerada bastante corajosa e um tanto ousada, já que o calendário do tênis feminino tinha dez eventos no país asiático, incluindo o WTA Finals, torneio que reúne as oito melhores tenistas do mundo e distribuía US$ 14 milhões em prêmios.

A medida foi elogiada por tenistas brasileiras. Laura Pigossi, medalhista de bronze nas duplas nos Jogos Olímpicos Tóquio-2020, foi enfática ao apoiar a entidade em entrevista concedida recentemente ao Saque e Voleio (a íntegra será publicada em breve). A paulista de 27 anos não competiu na China nos últimos anos, mas isso não muda sua posição.

"Não me afeta, mas não é nem uma questão de me afetar. Eu concordo com a WTA. Acima de qualquer coisa, a tenista é humana. Direitos humanos sempre vêm em primeiro lugar. Acho que a WTA está super certa em fazer isso, em tirar os torneios da China. E se não conseguirem fazer isso, vai muito das jogadoras também de quererem estar num lugar assim ou não."

A campineira Carol Meligeni também falou ao Saque e Voleio sobre o assunto e mostrou uma postura parecida com a da compatriota.

"É uma forma de tentar fazer um movimento de algum jeito, já que é difícil controlar o que eles fazem lá na China com cada pessoa que eles querem silenciar ou o que for, então acho que é um bom boicote", afirmou a sobrinha do ex-tenista Fernando Meligeni.

"Existe um movimento muito grande agora de as mulheres tomarem o seu lugar e lutarem pelos seus direitos", continuou Carol. "Qualquer tipo de agressão é horrivelmente visto. Se ela [Shuai Peng] se sentiu mal com algo que fizeram com ela, é muito válido ela ter denunciado. É claro que a gente está falando de outra cultura, de outro tipo de regime político, então ela infelizmente está sofrendo as consequências, mas é um exemplo de que todas mulheres deveriam denunciar para que cada vez a gente tenha menos casos como esse. Acho que ela fez certo e espero muito que ela esteja bem e saia dessa situação o mais rápido possível e tenha segurança e seja protegida de alguma forma."

No dia 2 de novembro, a tenista chinesa Shuai Peng, ex-número 1 do mundo em duplas e top 15 de simples algum tempo atrás, usou sua conta na rede social chinesa Weibo para contar que teve uma relação com o ex-vice-premier chinês Zhang Gaoli e que ele abusou sexualmente dela em 2017. O post da tenista foi apagado cerca de meia hora depois, e Peng não foi encontrada para falar sobre o assunto depois disso.

A WTA fez vários apelos, tentando entrar em contato diretamente com a tenista e pedindo ao governo chinês uma investigação completa sobre o caso. Peng não chegou a conversar pessoalmente com a entidade depois disso. A tenista teve fotos e vídeos divulgados por veículos de imprensa estatais chineses e, segundo o Comitê Olímpico Internacional (COI, que tem o interesse na realização dos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim-2022, marcados para fevereiro), participou de uma videoconferência com o órgão.

Nada disso, contudo, satisfez a WTA, que então anunciou a suspensão de todos seus torneios em solo chinês.

Coisas que eu acho que acho:

- Bom ver que dois dos principais nomes do tênis brasileiro não tiveram meias palavras para abordarem um assunto tão sério quanto este. As entrevistas com Laura e Carol serão publicadas na íntegra em breve aqui no blog - assim como no podcast Saque e Voleio, exclusivo para apoiadores do blog.

- Som de agora no meu Kuba Disco: "Partiu", de Humberto Gessinger.

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