PUBLICIDADE
Topo

Saque e Voleio

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Nota pública de Thiago Wild é covarde e não contribui para imagem do atleta

Fotojump
Imagem: Fotojump
Conteúdo exclusivo para assinantes
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

30/09/2021 18h14

Thiago Wild finalmente se pronunciou sobre as declarações de sua ex-namorada, a biomédica e influencer Thayane Lima, que fez uma série de denúncias e acusações após o fim de seu relacionamento com o tenista de 21 anos, atual número 2 do Brasil e 129º colocado no ranking mundial. O paranaense, que manteve-se em silêncio por mais de um mês, "falou" por meio de uma nota distribuída à imprensa a reproduzida em sua conta no Instagram (leia a íntegra no tweet abaixo).

É um texto pouco específico, mal escrito e covarde. Sim, covarde. Porque as declarações que danificaram a imagem de Wild vieram de uma jovem que gravou vídeos às lágrimas, falando sobre traição, relacionamento abusivo, comportamento manipulador e agressão física. São depoimentos que pintam o retrato de um rapaz mimado, sem direção e preconceituoso. O UOL publicou três reportagens sobre isso. Leiam aqui, aqui e aqui.

Vieram à tona frases e prints de conversas creditados a Wild com conteúdo gravíssimo. Entre outras coisas, o paranaense teria dito que "que carioca fala 'igual favelado", que "minha família por parte de mãe é nazista" e "se a minha opinião política não fosse igual a dele —e de fato não é—, ele me chamava de burra e dizia que eu tinha que ficar com os 'pretos fod...' que eu andava."

E como Wild e seu estafe decidiram responder a tantos vídeos gravados por uma jovem em lágrimas? Com um texto frio e escrito em juridiquês pobre. Na "defesa", o que Thiago faz é se esconder atrás de palavras geladas e pouco específicas. Já que não tiveram a coragem de colocar o garoto falando em um vídeo —e isso podia ter sido feito na TV, no Instagram ou onde fosse— que pelo menos tivessem redigido algo parecido com o vocabulário de um jovem de 21 anos. Em vez disso, foi distribuído um comunicado falando em "afirmações desairosas" e "práticas difamatórias e caluniosas que igualmente são objeto de processos cíveis e criminais já em curso".

Para efeito da imagem do tenista, pouco importa o que eu, Alexandre, acho. Porém, será que algum fã de tênis que lê um texto desses acredita que Wild disse alguma dessas frases? Será que Thiago sabe a diferença entre os artigos 138, 139 e 140 do código penal? Quantas vezes na vida ele usou o adjetivo "desairoso"? E quem deixou passar o horroroso "embora estarmos"?

Não cabe aqui julgar quem falou a verdade e quem mentiu. Não tenho elementos para condenar nem inocentar. Entretanto, a "defesa" de Wild joga mais contra do que a favor. Quem escreveu que "a preservação da intimidade era postura comum entre nós" viu os prints em que, segundo Thayane, Thiago a chamava de piranha em conversa com outra mulher? Quem incluiu a expressão "pessoas de bem" tinha noção que isso daria margem para interpretações com conotação política? E, no fim das contas, se é tudo mentira, por que o próprio Thiago não fala tudo isso por conta própria? Por que o silêncio durante um mês inteiro?

O Instituto Rede Tênis Brasil, onde o atleta treina, não deu uma palavra. A Octagon, que gerencia os contratos de Wild e já lhe deu vários convites para torneios grandes, também é omissa e silencia. Na melhor —e que nem é tão boa assim— das hipóteses, o que acontece com Thiago Wild é uma péssima demonstração de gerenciamento de imagem. E ainda há quem acredite que ganhar partidas de tênis (e dinheiro) resolve todos os problemas do mundo...

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL