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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Final de Wimbledon: Berrettini é obstáculo a feitos colossais de Djokovic

Reuters
Imagem: Reuters
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

10/07/2021 12h47

Para Novak Djokovic, será a 30ª final em um torneio do Grand Slam, mas talvez a mais importante até agora. Neste domingo, contra Matteo Berrettini, está em jogo mais do que o possível sexto título de Wimbledon. O jogão, marcado para começar às 10h (de Brasília) - SporTV e Band exibem ao vivo - pode significar também o 20º título de slam da carreira do sérvio. Se levantar a taça, Nole igualará o recorde que hoje é compartilhado por Roger Federer e Rafael Nadal. Um feito e tanto para quem teve de abrir caminho em um circuito que já era dominado por espanhol e suíço 15 anos atrás.

Mais feitos históricos na mira

Para o atual número 1 do mundo, vencer Wimbledon também significará manter vivas as chances de completar o Grand Slam, ou seja, vencer os quatro maiores torneios do calendário na mesma temporada. O último homem a fazer isso foi o australiano Rod Laver, em 1969. Federer e Nadal nunca sequer venceram os dois primeiros slams - Australian Open e Roland Garros - no mesmo ano. Djokovic foi campeão de ambos em 2021, e um triunfo em Wimbledon aumentaria exponencialmente a expectativa para o US Open.

Um feito mais espetacular ainda que segue possível é o Golden Slam, como é chamado o conjunto de títulos dos slams mais a medalha de ouro olímpica em simples. Só uma pessoa fez isso na história: Steffi Graf, em 1988. Djokovic, diferentemente de muitos grandes nomes do circuito, estará em Tóquio atrás da medalha. Nadal não vai. Federer não é presença confirmada. É justo imaginar que as chances do sérvio serão maiores do que em Pequim (onde foi superado por Nadal), Londres (perdeu para Andy Murray) e Rio (perdeu para Del Potro, que também não vai competir no Japão).

Antes disso tudo, porém, Djokovic precisa passar por Berrettini neste domingo. O favoritismo do número 1 é enorme. As casas de apostas pagam entre 4,00 e 5,10 para um título do italiano. Em caso de vitória do sérvio, as casas pagam, em média, apenas 1,20 para cada real apostado. Tudo isso é justificável. Nole não perde há 17 jogos, está cheio de confiança, tem a melhor devolução do circuito e movimenta-se como nenhum outro na grama.

As armas de Berrettini

Apesar disso, é possível acreditar que Berrettini pode incomodá-lo e, quem sabe, até sair de quadra com o título no domingo. Seria preciso uma combinação de fatores, mas também é justo afirmar que o italiano tem três armas boas o bastante para causar problemas a Djokovic: um saque potente e preciso, uma direita avassaladora e uma esquerda consistente, principalmente com o slice, mas também com o backhand batido com top spin.

São as mesmas armas que o argentino Juan Martín del Potro já usou com sucesso diante de Djokovic em um par de ocasiões. Sem querer comparar o nível de tênis do argentino com o do italiano, é possível imaginar que o plano de jogo será o mesmo. Berrettini precisa: 1) ganhar pontos de graça com o serviço, seja com aces, saques que Djokovic não conseguir devolver ou até saques devolvidos com dificuldade, mas que permitam matar o ponto já na segunda bola do italiano; e 2) trabalhar os ralis de maneira a conseguir chamar o jogo para sua direita, com a qual pode agredir e matar os pontos.

O slice se faz importante na medida em que mantém a bola baixa, minimizando a capacidade ofensiva de Djokovic, já que devolver uma bola rasante de forma agressiva não é tão simples. Será melhor ainda se Berrettini conseguir direcionar seus slices para direita do sérvio. Com o forehand, Nole não gera potência de maneira tão natural quanto no backhand. Além disso, é bem possível que ao receber slices na direita, o número 1 do mundo opte por devolver da maneira mais segura, na cruzada. E é aí que o italiano terá as chances para atacar com seu melhor golpe.

Os porquês do favoritismo de Djokovic

Mesmo se tudo isso funcionar, nada garante sucesso a Berrettini. Vale lembrar que Del Potro, que já conseguiu fazer esse plano dar certo contra Djokovic, venceu apenas quatro dos 20 encontros com o sérvio. Além disso, o argentino é daqueles raros tenistas que não se deixam impressionar por momentos importantes. Berrettini fará sua primeira final de slam, e não se sabe ainda como o italiano se porta em ocasiões gigantes.

De qualquer modo, num dia bom, Djokovic tem as armas para responder ou pelo menos minimizar a eficiência do tênis do italiano. Primeiro: sua devolução é boa o bastante para fazer Berrettini jogar mais ralis do que contra qualquer adversário que enfrentou recentemente. Mais: Nole se mexe melhor e é mais consistente do fundo de quadra do que qualquer outro tenista, logo o italiano vai precisar bater mais direitas e buscar mais as linhas. Isso significa correr mais riscos e, de modo geral, quer dizer que o rival de Nole vai cometer mais erros não forçados do que em outras partidas. E um pequeno erro aqui e outro ali são o suficiente para que Djokovic faça a diferença nos pontos importantes.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL