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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Nadal fora de Wimbledon e Tóquio: priorizando o longo prazo

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Imagem: Getty Images
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

17/06/2021 11h43

Quando a organização de Roland Garros tomou a decisão de adiar o torneio deste ano em uma semana, já se sabia que haveria uma transição difícil para Wimbledon, especialmente para os veteranos. Com apenas duas semanas de intervalo entre os slams do saibro e da grama, participar de ambos torneios com ambições de título exigiria muito do corpo.

O mesmo raciocínio vale para os Jogos de Tóquio. Wimbledon começa no dia 28 de junho e termina em 11 de julho. O torneio olímpico, disputado em quadras duras, tem seus primeiros jogos já no dia 24 - apenas 13 dias depois do slam da grama. Competir no Japão, além de exigir uma transição de piso e adaptação ao fuso horário, o que nunca é simples, colocará mais estresse no corpo de quem encarar a "tripleta".

Rafael Nadal, semifinalista de Roland Garros e vindo de uma sequência bastante exigente no saibro (22 partidas em dois meses aos 35 anos), foi o primeiro nome de peso a anunciar que está fora dessa. Bicampeão de Wimbledon, onde disputou cinco finais, e campeão olímpico em simples (Pequim 2008) e duplas (Rio 2016), o espanhol revelou nesta quinta-feira que não competirá nem no Reino Unido nem no Japão.

Obviamente, a notícia é ruim para os eventos, para os fãs e para o próprio Rafa. Ninguém de seu status e que ainda compete em altíssimo nível quer ficar fora de um slam ou dos Jogos Olímpicos. Entretanto, olhando de outro ângulo, existe um viés positivo que está quase escondido na declaração de Nadal. Ele afirma, em espanhol, que "nestes momentos de uma carreira de atleta, uma parte importante é a prevenção de qualquer tipo de excesso em meu corpo que possa me impedir de seguir lutando em médio e longo prazo pelos títulos."

É uma luz no (fim do) túnel literal da carreira de Rafa. Se, aos 35, ele deixa de competir em dois dos torneios mais cobiçados do tênis falando em "médio e longo prazo", é porque ele quer e acredita que pode seguir brigando por títulos. Tem lógica e tem fatos para basear essa linha de raciocínio. Se não esteve em seu melhor em Roland Garros este ano e, ainda assim, brigou pelo título, por que não pensar que pode voltar a Paris - ou Nova York ou Melbourne - com chances de levantar mais troféus?

Não deve ter sido uma decisão fácil, mas é o tipo de encruzilhada que aparece com mais frequência ao longo dos anos em um esporte individual que exige demais do físico e da mente. Não adianta brigar contra o corpo, e Rafa aprendeu bem essa lição ao longo dos últimos 15 anos.

Coisas que eu acho que acho:

- O mais provável é que Rafa volte no verão da América do Norte. A julgar por suas últimas temporadas, ele disputaria um dos Masters 1000 (Canadá ou Cincinnati) e o US Open. Com uma boa preparação e o corpo em dia, Nadal será, sim, candidato ao título em Nova York. E ainda pode ter a seu favor um punhado de rivais desgastados pela sequência RG-Wimbledon-Tóquio. A ver, porém, quantos tenistas da elite ainda desistirão de ir ao Japão.

Errata: o texto foi atualizado
Ao contrário do que informado anteriormente, Nadal nunca foi vice-campeão de Roland Garros.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL