PUBLICIDADE
Topo

Saque e Voleio

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Dominic Thiem está de volta e já mostra sua força no saibro

Reuters
Imagem: Reuters
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

04/05/2021 16h47

Ele não teve bons resultados nos primeiros meses do ano e decidiu se afastar do circuito. Deu uma entrevista falando sobre o esgotamento mental que sofreu depois de conquistar US Open, precisando seguir no circuito durante a pandemia. As sensações do primeiro título de slam, somadas às restrições nas viagens e à ausência de público nas arenas, "derrubaram" Dominic Thiem. O austríaco, então, deixou de competir em Miami, Monte Carlo e Barcelona. Nesta terça-feira, fez seu retorno ao circuito e deu ótimos sinais de que tudo parece em ordem novamente.

Não que Thiem tenha sido extremamente testado por Marcos Giron (27 anos, #91 do mundo), o adversário do dia, um tenista que faz várias coisas muito bem, mas nenhuma de maneira espetacular. Ainda assim, o austríaco marcou múltiplas caixinhas na coluna de "bem feito" durante a vitória por 6/1 e 6/3, dando um belo primeiro passo para se recolocar como um dos principais nomes do saibro e candidato - mais uma vez - ao título em Roland Garros.

Auxiliado pela quadra mais rápida e pela altitude de Madri, Thiem fez ótimo uso de seu spin, e isso ficou óbvio já no quarto game da partida, quando executou belas devoluções fundas, empurrando Giron para trás e forçando o americano a fazer seu segundo golpe já alguns metros atrás da linha de base e quase sempre com a bola perto ou acima da altura do ombro. As devoluções forçaram erros de Giron, conquistaram a primeira quebra da partida e deram o tom de um duelo que não mudaria de direção até o fim.

Com o serviço, Thiem também foi extremamente eficiente. Menos pelos cinco aces que disparou no jogo do que pelo uso tático do fundamento. Seu saque tem a potência para render pontos de graça, mas também tem o spin necessário para empurrar o rival para trás - ou para o lado - e neutralizar as devoluções. No caso de Giron, que não tem golpes tão potentes assim (e aqui a comparação é sempre nesse nível Masters 1000 de tênis), saques abertos já faziam estrago, e Thiem pôde manter uma porcentagem altíssima de primeiro serviço (80% na partida), sem dar chances. Não cedeu break points em todo o jogo e perdeu apenas oito pontos em todos seus games de saque.

Foi apenas um primeiro teste, mas os sinais foram positivos. Thiem agora encara De Minaur nas oitavas e pode enfrentar Andrey Rublev nas quartas e Rafael Nadal nas semis. Parece justo imaginar que, ao fim da semana, saberemos bem onde Dominic vai se encaixar no cenário rumo a Roland Garros. Vai ser interessante acompanhar.

Quer mais conteúdo? Conheça o programa de financiamento coletivo do Saque e Voleio e torne-se um apoiador. Com pelo menos R$ 15 mensais, apoiadores têm acesso a conteúdo exclusivo (newsletter, podcast e Saque e Voleio TV), lives restritas a apoiadores, além de ingresso em grupo de bate-papo no Telegram, participação no Circuito dos Palpitões e promoções imperdíveis.

Acompanhe o Saque e Voleio no Twitter, no Facebook e no Instagram.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL