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Em dia ruim de Serena, Osaka passa por cima e volta à final na Austrália

Getty Images
Imagem: Getty Images
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

18/02/2021 01h31

Naomi Osaka jogou três games muito ruins no início da semifinal contra Serena Williams, mostrando-se nervosa e errática. A japonesa, contudo, se recompôs a tempo de virar o primeiro set e testemunhar uma jornada ruim da americana, que empilhou erros e viu a rival disparar no placar. Osaka fez 6/3 e 6/4 e garantiu sua vaga na decisão do Australian Open mais uma vez.

Campeã em Melbourne em 2019, Osaka, 23 anos e número 3 do mundo, fará sua quarta final de slam na carreira. Ela venceu as três primeiras (US Open/2018, Australian Open/2019 e US Open/2020). Enquanto isso, Serena, 39 anos e atual #11 do ranking, volta para casa após fracassar mais uma vez na busca pelo 24º título de slam em simples, o que igualaria o recorde da australiana Margaret Court, maior campeã de slams em simples da história. Serena, dona de 23 troféus, perdeu as últimas quatro finais que disputou em torneios desse nível.

Na final, marcada para sábado - ESPN exibe ao vivo - Osaka vai enfrentar a americana Jennifer Brady (#24), que venceu a tcheca Karolina Muchova (#27) por 6/4, 3/6 e 6/4 e fará sua primeira decisão de slam na carreira.

Como aconteceu

Serena fez um bom começo de jogo, mas o que fez a diferença foi o início terrível de Osaka. A japonesa recolheu a bola várias vezes durante o movimento do saque, cometeu duas duplas faltas nos dois primeiros games de serviço e, com três games, já somava oito erros não forçados. Movimentava-se mal, não conseguia alongar pontos e errou algumas bolas por mais de um metro. Serena ganhou de presente uma quebra no primeiro game e teve um break point para abrir 3/0. A americana seguiu esperando erros da adversária, mas, ao não atacar, acabou permitindo que Osaka, aos poucos, encontrasse um ritmo melhor de jogo. A japonesa devolveu a quebra no quarto game, empatando o jogo em 2/2, e o duelo seguiu adiante mais equilibrado.

Osaka salvou mais um break point antes de fazer 3/2 e, nesse momento, as duas sacavam mal, com menos de 50% de aproveitamento no primeiro serviço, e somavam mais erros não forçados do que winners. Quando a japonesa melhorou seu rendimento, foi Serena quem começou a empilhar erros não forçados. Após duas direitas erradas, a americana cedeu mais uma chance de quebra, e Osaka aproveitou com um forehand vencedor na paralela. De 0/2, a japonesa saiu para 5/2 em pouco tempo. Serena quebrou a sequência ao confirmar o serviço no oitavo game, mas Osaka, sacando melhor, também fez seu game de saque e fechou a parcial em 6/3.

A veterana de 39 anos terminou o primeiro set com apenas quatro winners, mas 16 erros não forçados, e o começo da segunda parcial não foi muito melhor para ela. Serena cometeu mais dois erros e viu Osaka disparar duas bolas vencedoras de backhand para conseguir a quebra no primeiro game. Um set e uma quebra atrás, a veterana fez de tudo para se recuperar. Passou a vibrar mais, gritando quando ganhava pontos e tentando se motivar. Serena também passou a sacar melhor, mas a essa altura Osaka também vinha bem com seu serviço.

A dois games da final, porém, a japonesa teve seu pior game da partida, cometendo três duplas faltas e dando a quebra de volta para Serena. A partida parecia mudar, mas Osaka não deixou. No game imediatamente seguinte, deixou as falhas para trás, jogou pontos impecáveis, disparou três winners e quebrou Serena mais uma vez. Com 5/4 no placar e o momento favorável pela quebra, Naomi venceu os quatro pontos com seu serviço e garantiu seu lugar na final em Melbourne mais uma vez.

Serena terminou a partida com o dobro de erros em relação a winners (24 e 12, respectivamente), enquanto Osaka executou 20 bolas vencedoras e cometeu 21 falhas. A japonesa foi perfeita nas chances de quebra, convertendo todos quatro break points que teve, e ganhou 44% dos pontos no saque da adversária (contra apenas 22% de Serena).

O que significa

Osaka não fez uma partida espetacular, mas bastou se encontrar para se impor contra uma Serena errática e que foi forçada a jogar de forma defensiva pela maior parte do resto da partida. A japonesa sacou melhor, anulando a devolução da veterana (tarefa hercúlea) e conseguindo distribuir o jogo desde a linha de base. Somando isso aos erros de Serena, o resultado foi uma sequência de oito games vencidos em nove disputados que fez toda a diferença no resultado nesta quinta-feira.

Contra Brady, Osaka vai para final como favoritíssima. Um pouco pelo potencial de seu tênis, um pouco pela experiência de já ter disputado finais de slams, e mais um pouco ainda pelo histórico de três finais vencidas em três decisões jogadas. É um currículo nada desprezável.

Para Serena, pecado tão grande quanto o primeiro set abaixo da crítica foi não conseguir aproveitar o início pavoroso de Osaka. A americana poderia facilmente ter aberto 3/0, com duas quebras, e fazer uma partida totalmente diferente depois dali. Além disso, é impossível não registrar: é mais uma partida importante na qual ela deixa a desejar desde que voltou da gravidez em busca do recorde de Margaret Court.

Serena, lembremos, falhou nas últimas quatro finais de slam que disputou e sempre - sem exceção - jogou muito abaixo do que podia. Não foi diferença nesta quinta, numa partida que, coincidência ou não, era vista como uma final antecipada deste Australian Open. O 24º vai seguir esperando.

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