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Com virada histórica sobre Nadal, Tsitsipas vai à semi no Australian Open

Reuters
Imagem: Reuters
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

17/02/2021 09h52

Até esta quarta-feira, Rafael Nadal tinha 223 vitórias e apenas uma derrota depois de abrir 2 sets a 0 em torneios do grand slam. Stefanos Tsitsipas, por sua vez, tinha no currículo somente um triunfo de virada após ficar 2 sets a 0 abaixo. Pois o grego, atual número 6 do mundo, desafiou as estatísticas, sobreviveu a um Rafa quase perfeito no terceiro set e iniciou uma reação furiosa que terminou com uma vitória memorável por 3/6, 2/6, 7/6(4), 6/4 e 7/5, após 4h05min de jogo, e uma vaga nas semifinais do Australian Open.

A única vez que uma virada assim aconteceu com Nadal em um slam havia sido no US Open de 2015, diante de Fabio Fognini. Para Tsitsipas, o triunfo significa segunda semifinal em Melbourne. Ele vai enfrentar o russo Daniil Medvedev, número 4 do mundo, que passou fácil pelo compatriota Andrey Rublev (#8), fazendo 7/5, 6/3 e 6/2, também nesta quarta-feira. Medvedev, que fará sua terceira semi em um slam, leva a vantagem no histórico de duelos, com cinco vitórias em seis encontros com o grego. Tsitspas, contudo, venceu o último desses jogos, que aconteceu na fase de grupos do ATP Finals de 2019.

Como aconteceu

O duelo começou equilibrado, com os dois tenistas confirmando seus serviços e mandando nos pontos no embalo de bons saques. Tsitsipas incomodava mais os games do espanhol no começo, mas não chegou a ter chances de quebra. O máximo que Tsitsipas conseguiu foi um 0/30 no sétimo game, mas Nadal venceu quatro pontos seguidos e confirmou. A diferença foi feita no oitavo game. Depois de abrir 30/0, Tsitsipas viu Nadal encaixar duas ótimas devoluções para chegar ao primeiro break point do jogo (veja uma delas no tweet abaixo). O grego errou uma direita, perdeu o serviço e viu Rafa fechar o set em 6/3 na sequência.

O segundo set começou bem diferente. Aproveitando o momento favorável, Nadal foi ataque e conseguiu a quebra já no segundo game - cortesia de dois winners seguidos. O primeiro foi uma passada de backhand. O segundo, um forehand vencedor de fora para dentro (veja abaixo). Com outra passada de backhand, Rafa conquistou mais um break point no quinto game. Uma direita de Tsitsipas ficou na rede, e o espanhol abriu 4/1 na parcial. Sem parar de sufocar o rival, Nadal seguiu sem ceder break points até fazer 6/2.

Erros bobos marcam início da virada

Tsitsipas não entregou os pontos e voltou bem para o terceiro set, equilibrando o duelo mais uma vez. O grego seguiu agressivo, mas arriscando um pouco menos e dando menos pontos de graça. Até o oitavo game, Stefanos somava apenas um erro não forçado. Com a devolução, contudo, seguia fazendo pouco. Rafa foi implacável durante todo o set e, em seis games de saque, cedeu apenas um ponto - e isso só aconteceu no 40/0 do 12º game. Assim, foi necessário um tie-break para decidir a parcial. O game de desempate foi o primeiro momento realmente ruim de Nadal no duelo. Rafa errou dois smashes e um forehand do meio da quadra, cedendo os mini-breaks que Tsitsipas precisava. O grego aproveitou, fez 7/6(4) e forçou o quarto set.

A partida mudou consideravelmente. O número 6 do mundo passou a ameaçar mais o saque de Nadal, que precisou de ótimos serviços para salvar um break point no primeiro game e mais dois no quinto. Rafa também saiu de um delicado 15/30 no sétimo game, mas não conseguiu evitar a quebra quando o placar mostrava 4/4. Em um momento de insegurança, o espanhol errou dois forehands seguidos e permitiu que Tsitsipas sacasse para o set em 5/4. O grego não vacilou e fez 6/4.

O quinto set foi equilibrado, com os dois sacadores levando ampla vantagem. Tsitsipas mostrava-se muito melhor fisicamente, mas Rafa reduziu seus erros não forçados e voltou a evitar que seu serviço fosse ameaçado. O grego, porém, sacava ainda melhor e perdeu apenas três pontos até o oitavo game. Esgotado, Rafa finalmente sucumbiu no 11º game. Com o placar em 5/5, o espanhol errou um forehand e dois backhands para ceder três break points. Logo no primeiro, errou mais um forehand e cedeu a quebra. O grego ainda precisou salvar um break point - uma última tentativa de reação de Nadal - mas confirmou o saque e completou a histórica virada.

O que significa

No fim das contas, Nadal pagou caro pelos dois smashes e o forehand fácil que errou no tie-break do terceiro set. É cruel resumir um duelo de 4h a um par de pontos, mas quando as margens são pequenas, a conta vem alta. Por conta dos erros bobos no game de desempate, o que parecia questão de tempo para um tenista que só tinha perdido um ponto com o saque até então naquele set se transformou em um duelo físico - num dia especialmente úmido, o que costuma ser bem ruim para Rafa - contra um rival de ânimo renovado.

Tsitsipas seguiu dominando seus games de serviço (o que, lembremos, já vinha fazendo no terceiro set), enquanto Rafa passou a ter problemas nos ralis. Sua intensidade diminuiu e, com ela, a precisão. Em razão disso, Nadal passou a arriscar menos, facilitando as coisas para o adversário. O grego foi mentalmente forte e executou tecnicamente bem o que tinha em mente.

Faltaram a Rafa variações táticas, algo em que ele costuma ser muito bom. Quase não tentou mudar a velocidade do jogo com slices, subiu pouco à rede e tentou poucas curtinhas. Nada disso seria garantia de uma mudança positiva, mas é raro ver o número 2 do mundo não promover mudanças quando a dinâmica de uma partida lhe é desfavorável. Talvez o cansaço tenha afetado. Talvez a lesão nas costas. De fora da quadra, é impossível saber.

Para Tsitsipas, é uma vitória enorme não só porque vem contra Rafa, mas porque vem de virada, vem num slam, vem num jogo em melhor de cinco sets e, claro, vem EM cinco sets. É o tipo de triunfo que leva o tenista de um patamar a outro, ainda que em seu próximo jogo, conta Daniil Medvedev, Tsitsipas vá representar novamente o papel do azarão.

Queda de Rafa garante recorde para Djokovic

Com a derrota de Rafael Nadal, atual número 2 do mundo, Novak Djokovic terá mais tempo com a liderança do ranking assegurada. A ATP confirmou que o sérvio ficará na ponta até pelo menos 8 de março, quando alcançará sua 311ª semana como número 1 do mundo. Ele ultrapassará o atual recorde, que pertence a Roger Federer e acumulou 310 semanas como líder da lista.

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