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Newsletter Saque e Voleio: 15/01/2021

Divulgação/WTA
Imagem: Divulgação/WTA
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

15/01/2021 12h10

Os apoiadores do blog Saque e Voleio recebem semanalmente, todas as segundas-feiras, uma newsletter com resumo das notícias da semana anterior, o desempenho dos melhores brasileiros nos ATPs, WTAs, Challengers e WTTs, análises de tudo isso e prévias dos torneios que começam naquela semana. Hoje, 15 de janeiro, a newsletter foi disparada às 10h.

Excepcionalmente, reproduzo o conteúdo aqui no blog para que os leitores saibam como esse conteúdo é oferecido. E adianto: apoiar o blog é simples. Basta visitar o Apoia.se/saqueevoleio e contribuir com pelo menos R$ 15 mensais. Além das newsletters semanais, os apoiadores têm acesso exclusivo ao podcast Saque e Voleio (mais de 40 programas por ano) e a áudios de entrevistas, ganham direito de participar do Circuito dos Palpitões e podem ler algumas notícias antes dos demais leitores.

Newsletter Saque e Voleio - 15.01.2021

Bom dia e uma ótima semana tenística. Aliás, um ótimo 2021 tenístico, já que esta é a primeira newsletter do ano. Espero que as Festas de vocês tenham sido com saúde para todos e que o ano que acabou de começar traga coisas boas. Vamos, então, voltar a falar de tênis? Os primeiros ATPs 250 do ano acabaram, o WTA 500 de Abu Dhabi consagrou a embalada Aryna Sabalenka e sua série de vitórias nada comum, o quali do Australian Open terminou e, enquanto escrevo este texto, os tenistas estão rumo a Melbourne e Adelaide para o período de quarentena pré-Australian Open. Esta newsletter, então, repassa e analisa os resultados e as notícias recentes. E esta primeira edição de 2021 tem muito a comentar, então chega de introdução e vamos aos fatos!

Abu Dhabi: Sabalenka e as 15 vitórias seguidas

O primeiro torneio feminino do ano terminou com título de Aryna Sabalenka no WTA 500 de Abu Dhabi. Na final, a bielorrussa bateu a russa Veronika Kudermetova por 6/2 e 6/2. E que ninguém pense que a mera presença de Kudermetova na decisão seja sinônimo de chave fraca. Pelo contrário: o torneio teve quatro top 10 (Kenin, Svitolina e Pliskova eram as outras três, além de Sabalenka) e mais duas top 20 (Muguruza e Rybakina).

Para chegar ao título, Sabalenka, cabeça 4, também teve de superar Hercog, Tomljanovic, Jabeur, Rybakina e Sakkari. Kenin, a cabeça 1, foi superada por Sakkari nas quartas; Svitolina, cabeça 2, foi eliminada por Kudermetova também nas quartas; e Pliskova, cabeça 3, perdeu na segunda rodada para a qualifier russa Anastasia Gasanova.

Com a conquista em Abu Dhabi, Sabalenka agora acumula 15 vitórias seguidas. O número é impressionante, e a série não tem nada de comum, já que a bielorrussa não venceu três torneios em sequência-sequência. Ela foi campeã em Ostrava, na semana de 19 de outubro, depois venceu em Linz, na semana de 9 de novembro, e agora triunfou em Abu Dhabi, quase dois meses depois.

Resta à bielorrussa finalmente transformar esse bom "momento" em um grande resultado em um slam. Apesar de figurar no top 20 desde o segundo semestre de 2018, Sabalenka só chegou às oitavas de um slam uma vez - justamente no US Open daquele ano. Depois disso, o máximo que fez foi alcançar a terceira rodada duas vezes (AO 2019 e RG 2020). É muito pouco para quem tem um tênis capaz de incomodar qualquer adversária.

Mais Abu Dhabi: Luisa e Hayley são vice-campeãs

Foi um belo começo de ano para a brasileira Luisa Stefani e a americana Hayley Carter. A parceria foi vice-campeã do WTA 500 de Abu Dhabi, perdendo a final para as japonesas Shoku Aoyama e Ena Shibahara: 7/6(5) e 6/4. O resultado é o suficiente para que Luisa, atual #33 do mundo, apareça como #30 na próxima segunda-feira, quando o ranking será atualizado. Será a primeira aparição da brasileira no top 30.

Não foi só o resultado da dupla que teve sua relevância. A campanha teve belas vitórias: sobre Rybakina e Shvedova na estreia (6/3 e 6/3), em cima de Kasatkina e Kontaveit na sequência (6/3 e 6/4), contra Kudermetova e Potapova nas quartas (4/6, 6/4 e 10/4) e até sobre as campeãs do US Open, Siegemund e Zvonareva, nas semifinais (7/5, 1/6 e 10/8).

No fim, é uma campanha que alimenta o otimismo de que um grande resultado em um slam não está tão longe - Luisa e Hayley começam qualquer torneio com chance de título - e, consequentemente, a meta de ficar entre as 10 melhores do mundo e conquistar uma vaga olímpica não é um sonho tão distante.

Antália: chave fraca e final de sete minutos

Alex De Minaur terminou o ATP 250 de Antália, na Turquia, com o título após uma final que durou apenas sete minutos. Seu adversário, o cazaque Alexander Bublik, abandonou com dores no tornozelo. Ele sofreu uma torção na semifinal, quando superou Jeremy Chardy, fez tratamento e tentou disputar a decisão, mas não conseguiu. O placar mostrava 2 games a 0 para De Minaur quando a partida foi interrompida.

Com 21 anos, De Minaur agora soma quatro títulos no currículo. Ele também foi campeão em Sydney, Atlanta e Zhuhai em 2019. Na campanha em Antália, ele superou Malek Jaziri, Adrian Andreev, Nikoloz Basilashvili e David Goffin antes da decisão. O cabeça 1, Matteo Berrettini, perdeu para Bublik nas quartas; e o cabeça 2 era Goffin.

O torneio turco teve oito top 50 entre os cabeças de chave, o que é bom, mas acabou com uma lista da participantes bem fraca. O último a conseguir vaga direta foi Andrea Arnaboldi, #268, o que é inconcebível para um ATP disputado em condições normais. Antália, contudo, esteve longe das CNTP do circuito. Além de ser o primeiro evento do ano (e um evento de um ano só) e disputado durante uma pandemia, o ATP turco coincidiu datas com o qualifying do Australian Open. Isso afastou quase todos ranqueados entre 105-230 do mundo. O mesmo aconteceu com o ATP de Delray Beach, na Flórida.

Delray Beach: Hurkacz conquista segundo título

O polonês Hubert Hurkacz fez 6/3 e 6/3 em cima do americano Sebastian Korda e conquistou o título do ATP 250 de Delray Beach - aquele que tem o famoso yellowtennisballs.com no fundo de quadra. É o segundo troféu deste nível para a prateleira de Hurkacz, que também foi campeão em Winston Salem/2019.

O polonês, que terminou a semana sem perder sets, era o cabeça de chave 4, estreou nas oitavas e superou no caminho Daniel Galán (6/2 e 6/2), Roberto Quiroz (6/2 e 6/4) e Christian Harrison (7/6(4) e 6/4) antes da decisão. O torneio da Flórida também ficou mais fraco do que o normal pelos mesmos motivos citados acima e que afetaram Antália.

O cabeça 1, Cristian Garín, foi eliminado por Harrison, que acabou sendo o nome mais falado do torneio - para bem e para mal. O lado encantador da campanha de Christian, irmão mais novo de Ryan Harrison, é que ele voltou a competir em alto nível depois de oito cirurgias (teve uma infecção óssea). Atual número 789 do mundo (vai subir no ranking de segunda-feira), Christian furou o qualifying e avançou até as semifinais. O lado não tão bom de sua participação no torneio foi a multa recebida por não dar a entrevista obrigatória em quadra (usando máscara) após eliminar Garín.

Ele se recusou a usar a máscara, alegando que não é saudável usá-la no calor "por mais tempo do que o absolutamente necessário após uma partida dura." Harrison também disse ter a impressão de que o uso da máscara era opcional e que lhe foi dito que não haveria multa. No entanto, ele acabou multado em US$ 3 mil.

Mais Delray: os brasileiros

A chave de simples também teve Thiago Monteiro e Thomaz Bellucci, que duelaram logo na primeira rodada, com vitória do cearense por 6/3 e 7/5. O paulista demorou a se encontrar e, quando o fez, esteve bem em quadra, equilibrando o segundo set e obtendo até mais chances de quebra do que o cearense. Monteiro, contudo, segurou seu saque até vencer no primeiro game ruim de Bellucci na parcial.

Na segunda rodada, Monteiro reencontrou John Isner, com quem fez um duelo de quatro tie-breaks no Australian Open do ano passado. Aconteceu com o cearense o cenário inverso do jogo anterior. O brasileiro demorou um pouco a entrar na partida, viu o primeiro set passar rápido e equilibrou a parcial seguinte, mas sem conseguir break points. Isner fez 6/4 e 7/6(4), graças a dois mini-breaks no game de desempate.

O que se viu mais uma vez foi um Monteiro que se mostra perto de dar um salto de qualidade, equilibrando duelos com rivais de nível mais alto, só que ainda com um certo caminho a percorrer. Esperemos que a curta temporada sul-americana de saibro, com Córdoba, Buenos Aires e Santiago, sirva para ele conseguir os resultados que aparenta capaz de conseguir, mas vem deixando escapar recentemente. Obviamente, o Australian Open também será uma chance de Monteiro voltar a vencer em slams e mostrar que é mais do que um jogador de primeira e segunda rodadas.

Na chave de duplas, Marcelo Demoliner retomou a parceria com Santiago González, mas os dois perderam na estreia para Oliver Marach e Luís David Martínez: 6/2 e 6/3.

Australian Open: brasileiros fazem pouco no quali

Seis jogos, quatro derrotas. Mais uma vez, o Brasil não viu nenhum de seus representantes furar o qualifying de um slam. Gabriela Cé e Thiago Wild perderam na primeira rodada, enquanto Felipe Meligeni e João Menezes foram derrotados na fase seguinte.

Como já escrevi no blog, a campanha, de modo geral, não chega a ser surpreendente. Gabriela Cé vinha em uma fase pavorosa, de 11 derrotas seguidas, enfrentaria uma rival que nunca havia vencido e numa quadra dura. Acabou perdendo para a italiana Elisabetta Cocciaretto por 6/3 e 6/1.

Thiago Wild vinha de sete derrotas, mas tinha potencial para encerrar a série negativa. No entanto, esbarrou na experiência do veterano Robin Haase, que conduziu a partida de forma inteligente, desafiando o jovem brasileiro a atacar a maioria do tempo. O holandês agrediu pouco, mas o bastante para não deixar Wild confortável sem atacar do fundo de quadra. No fim, o plano de jogo de Haase foi o bastante para contar com erros de um Wild que também deixou a desejar nas devoluções de saque: 6/3, 4/6 e 7/6(8).

Ainda que tenha certa margem para não cair no ranking (o ranking congelado manterá os 250 pontos de Santiago até 2022 e os 80 de Guaiaquil até o fim deste ano), Wild precisa recuperar logo o nível de tênis que mostrou no começo do ano passado, na sequência Rio-Santiago-Copa Davis. Caso contrário, a série de derrotas pode dar origem a uma crise de confiança que nunca é confortável em um esporte individual como o tênis.

Felipe Meligeni anotou uma boa vitória na primeira rodada ao fazer 6/1 e 6/4 sobre o experiente Martin Klizan, o que impressionou para uma estreia em quali de slam. Ainda assim, era esperar demais que Felipe vencesse mais duas partidas. O campineiro acabou superado pelo tcheco Tomas Machac (#197) na segunda fase, por 6/1 e 7/6(4).

Por último, João Menezes foi à segunda fase deixando um sabor de "vida extra" para quem viu sua primeira rodada - fez 1/6, 7/6(8) e 6/3 após salvar três match points contra Andrea Collarini, que também sacou para o jogo e foi quebrado de zero. Na segunda fase, o brasileiro foi eliminado pelo holandês Botic Van De Zandschulp (#156) por 6/3, 6/7(1) e 6/4.

Mais Australian Open: casos de covid no quali

Dois casos positivos de covid foram divulgados. Um deles excluiu o argentino Francisco Cerúndolo, que estava vivo no torneio após estrear com vitória sobre Guillermo García-López. O outro, do americano Denis Kudla, rendeu uma grande polêmica. Ele venceu o marroquino Elliot Benchetrit por 6/4 e 6/3, mas, segundo Benchetrit, o positivo de Kudla foi revelado durante a partida.

Nas redes sociais, o marroquino contou que um dos supervisores do torneio foi à quadra informar o treinador de Kudla o resultado do teste. O americano teria, então, que desistir da partida na próxima troca de lados. O problema é que Kudla vencia por 6/4 e 5/3 e acabou fechando o jogo no game seguinte. Do jeito que os fatos se desenrolaram, Benchetrit foi eliminado e Kudla teve de abandonar o torneio.

A pergunta que fica no ar e ninguém respondeu até agora é a seguinte: por que diabos o Australian Open permitiu que Kudla entrasse em quadra sem que se soubesse o resultado de seu teste de covid?

Mais covid: Andy Murray e outros

A notícia mais quente desta quinta-feira foi a revelação de que Andy Murray testou positivo para covid e não vai embarcar para o Australian Open em um dos voos fretados pelo torneio para os tenistas. A ironia é que o escocês deixou de disputar o ATP de Delray Beach justamente por causa dos riscos de contágio em aeroportos e voos intercontinentais.

A imprensa britânica informou que Murray tentaria embarcar para a Austrália em uma data posterior, e o torneio soltou um comunicado informando apenas que ele não viajaria junto com os outros tenistas. O texto não informa sobre a possibilidade de Murray disputar o torneio chegando mais tarde e por conta própria.

Outros casos positivos de covid divulgados recentemente foram o de Amanda Anismova, que teve de se ausentar do WTA de Abu Dhabi e ainda tinha a esperança de competir em Melbourne, e de Nicolás Massú, técnico de Dominic Thiem. O chileno tampouco pôde embarcar com seu atleta. Ele tentará viajar em uma data posterior.

Por último, na noite de quinta-feira, o site Punto de Break noticiou que o espanhol Alejandro Davidovich Fokina também testou positivo para covid juntamente com seu treinador, Jorge Aguirre. Fokina também tentará viajar a Melbourne em uma data posterior.

Mais ausências: Isner e Federer

O americano John Isner decidiu não ir ao Australian Open. O veterano de 35 anos disse que fez essa escolha porque não queria ficar tanto tempo afastado da família. Ele se junta a outro "homem de família", Roger Federer. A história da não ida do suíço, contudo, é um pouco mais longa. Primeiro, seu empresário divulgou que o tenista não viajaria porque, após conversar com a equipe, o melhor seria voltar da lesão no joelho em outro momento. Alguns dias depois, porém, André Sá, executivo da Tennis Australia, disse em entrevista ao Bandsports que o suíço não foi ao Australian Open por causa de sua família.

Outra ausência motivada por questões familiares este ano será a do espanhol Carlos Moyá, técnico de Rafael Nadal. "É tempo de estar em família, pais e filhos, devido à delicada situação que se está vivendo na Espanha com o covid."

Masters 1000 sem juízes de linha em 2021

Se a profissão de árbitro de tênis já corria risco antes da pandemia por causa dos avanços de tecnologias como o Hawk-Eye e o Foxtenn, o número de casos de covid no mundo dificulta ainda mais a situação de quem vive da arbitragem. Para reduzir o número de pessoas nos complexos, a ATP decidiu que todos os Masters 1000 de 2021 jogados em quadra dura não terão juízes de linha. Todos eventos usarão o Hawk-Eye Live, que faz as chamadas eletrônica e instantaneamente. Os trio do saibro (Monte Carlo, Madri e Roma) ainda continuará com os juízes de linha.

Doping no top 30

A ucraniana Dayana Yastremska, atual número 29 do mundo, foi suspensa provisoriamente após testar positivo para mesterolona, um androgênio. A suspensão começou a contar no dia 7 de janeiro. Em um texto publicado no Twitter, Yastremska considera a hipótese de contaminação.

A ucraniana apelou da decisão da ITF e até viajou para Melbourne. Caso a suspensão provisória seja derrubada, ela poderá competir e aguardar o julgamento mais tarde. Também existe, é claro, o risco de Yastremska disputar o Australian Open e, posteriormente, perder os pontos e o dinheiro caso ela seja condenada pela ITF.

Avisos, pedidos e etc.

Como não haverá ATPs e WTAs pelos próximos 14 dias, esta edição da newsletter é quase "filha única". A não ser que algo espetacularmente inusitado aconteça, a próxima edição sairá no começo de fevereiro, após a semana com os ATPs, WTAs e ATP Cup e antes do Australian Open. Vocês também receberão os superguias do AO antes do início do torneio, e o podcast volta em breve, espero que com uma entrevista com algum dos tenistas que estão em quarentena em Melbourne.

Um abraço e até lá,
Alexandre Cossenza