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Australian Open em fevereiro pode ser bom para o Rio Open

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Imagem: Reuters
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

03/12/2020 04h00

O circuito mundial vive mais dias de indecisão neste fim de ano. Desde que a elite do tênis entrou de férias, o tema principal dos jornais é o Australian Open. Melbourne é uma das cidades com menos casos de covid no planeta, e isso se deve a um controle rígido por parte das autoridades locais. É justo que os governantes não queiram colocar em risco sua população por causa de um evento esportivo, por isso as conversas entre a Tennis Australia (federação de tênis do país e organizadora do AO) e o governo do estado de Victoria vêm se alongando em busca de denominadores comuns.

O cenário mais provável por enquanto é a realização do Australian Open a partir do dia 8 de fevereiro, o que afetaria a realização do Rio Open, marcado para começar no dia 15 (lembremos que o AO dura duas semanas). Só que esse possível atraso do grand slam do hemisfério sul pode não ser tão ruim para o único ATP brasileiro. Já explico.

Primeiro, o contexto. O chefe da Tennis Australia, Craig Tiley, mandou recentemente uma mensagem aos tenistas pedindo feedback e explicando que o Departamento de Justiça do estado de Victoria vem impondo restrições bastante sérias. Nos moldes sugeridos, os tenistas teriam de fazer quarentena de 14 dias na Austrália, chegando ao país no período de 15 a 17 de janeiro. Durante a quarentena, ninguém poderia ficar fora do quarto por mais de cinco horas diárias (para treino, academia e alimentação), tenistas só poderiam ter um acompanhante por dia no complexo tenístico, haveria cinco testes de covid durante esses 14 dias, e o qualifying seria disputado fora da Austrália. Depois da quarentena, tenistas e suas equipes poderiam circular à vontade. Haveria uma semana de torneios da ATP e, então, o Australian Open.

Isso tudo ainda está sendo discutido, e não dá para saber o que será aprovado e/ou aceito pelos tenistas. Mas, voltando à questão proposta no início deste texto, onde o Rio Open entra nisso? E em que cenários o torneio pode acabar sendo beneficiado pelas mudanças no Australian Open?

1. Rio Open pós-vacina

Se o Australian Open começar mesmo no dia 8 de fevereiro, é muito provável que os ATPs de Buenos Aires e do Rio busquem novas datas, e vai caber à ATP encontrar um espaço no calendário para encaixá-los. No cenário dos sonhos para o Rio Open, o evento seria transportado para alguma data em abril ou maio, quando é costumeiramente disputada a temporada europeia de saibro. É o período pré-Roland Garros. Sim, será difícil atrair tenistas nessa época do ano, mas não seria muito diferente do que já acontece na tradicional data de fevereiro. O que pesa a favor aqui é a possibilidade de que já haja vacinas contra covid disponíveis em abril/maio. Pouco me importa quem é a favor ou contra vacinas no meio do tênis, mas a simples existência e oferta de uma vacina já seria uma garantia de segurança aos tenistas. Hoje, com os números de covid que o Brasil apresenta (e a chance de eles aumentarem nos próximos dias), seria bem difícil atrair atletas de peso para um ATP 500 fora da Europa. Logo, uma mudança de data favoreceria o Rio Open nesse aspecto.

2. O peso da decisão

No cenário "normal" do tênis, sem considerar a hipótese de mudança nas datas do Australian Open, a organização do Rio Open tem um problemão nas mãos. É preciso decidir "se" e "como" fazer o torneio. E uma resposta precisa ser dada rapidamente porque é necessário tempo para erguer as arquibancadas provisórias para abrigar o público. Não me parece fazer sentido fazer o Rio Open sem torcida e, embora ninguém do torneio tenha me dito nada neste sentido, não imagino a IMM realizando a competição sem espectadores. De qualquer modo, seria uma decisão dura para qualquer torneio porque é impossível prever a quantas o país e a cidade andarão em fevereiro em casos de covid. No caso do Rio Open, a situação é mais delicada porque é um evento realizado com verba de lei de incentivo, ou seja, dinheiro público - no sentido amplo da coisa. O dano à imagem do evento pode ser irreparável dependendo do que acontecer.

Mas e se o Australian Open muda de data, forçando o deslocamento do Rio Open para outra parte do calendário? Isso tiraria o peso (ou, pelo menos, parte dele) da decisão das costas da IMM e do diretor, Lui Carvalho, que é a imagem pública do evento. Seria mais simples para todos declarar que "o Australian Open e a ATP forçaram o adiamento" do evento e tudo mais. Um cenário assim até abriria caminho para que a IMM optasse pelo cancelamento do torneio, jogando a responsabilidade para a dupla Tennis Australia + ATP. Seria muito menos complicado soltar um comunicado dizendo que "o atraso do Australian Open impediu a realização do Rio Open na sua data habitual e, diante da impossibilidade de fazer o torneio em uma data boa para a ATP e para o evento, o ATP carioca voltará em fevereiro de 2022." É claro que ninguém quer que isso aconteça, mas minimizaria a chance de dano à imagem (e aos cofres?) do Rio Open.

No momento, não dá para afirmar qual cenário é mais provável. Há muitas variáveis na equação. Tudo isso vai depender, primeiro, do resultado das negociações entre os tenistas, a Tennis Australia e as autoridades do estado de Victoria. Depois, a ATP terá de fazer os necessários ajustes em seu calendário. Por último, restará ver o status da pandemia no Rio de Janeiro. Só aí saberemos o que será do ATP 500 carioca. Boa sorte aos envolvidos.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.