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ATP Finals, dia 5: Nadal avança enquanto Melo e Soares encerram parcerias

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Imagem: Reuters
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

19/11/2020 20h32

A quinta-feira do ATP Finals não teve lá partidas espetaculares no torneio de simples, mas compensou em emoção. Primeiro porque Marcelo Melo e Lukasz Kubot encerraram sua parceria com vitória e com ambos claramente emocionados. Depois porque Rafael Nadal e Stefanos Tsitsipas fizeram uma bela partida que valia uma vaga nas semifinais e que só foi decidida no terceiro set. E como se não bastasse, o dia também teve a notícia inesperada da separação de Bruno Soares e Mate Pavic, que fazem seu último torneio juntos justamente agora, em Londres.

No que se mostrou o jogo mais importante do dia, Nadal fez 6/4, 4/6 e 6/2 em cima de Tsitsipas. A não ser pelo último game do segundo set e o começo da parcial decisiva, foi mais uma bela atuação do espanhol, que vem sacando bem, mostrando golpes calibrados e se mexendo muito bem tanto no fundo de quadra quanto em subidas à rede que quase sempre terminam com ótimos voleios. O triunfo poderia ter sido mais rápido. Nadal tinha perdido apenas um ponto com serviço em toda a segunda parcial, mas bobeou no décimo game, com 4/5 no placar, e foi quebrado com uma dupla falta.

O terceiro set começou estranho, com ambos bem abaixo do nível mostrado nas parciais anteriores. Depois de três quebras seguidas, Rafa finalmente saiu de 0/30 para confirmar o saque e abrir 3/1. Tsitsipas, que realmente não fez um fim de temporada brilhante, não conseguiu reagir depois disso. Rafa segue confiante para o que promete ser um duro duelo com Daniil Medvedev nas quartas de final. O russo ainda entra em quadra nesta sexta, diante de Diego Schwartzman, mas apenas para cumprir tabela. Já tem o primeiro lugar do grupo assegurado.

Antes disso, no primeiro jogo de simples do dia, houve pouca emoção. Dominic Thiem, que já estava classificado em primeiro lugar, jogou em modo econômico e ofereceu menos resistência do que de costume a Andrey Rublev. O russo, que já não tinha chances de passar às semifinais, fez 6/2 e 7/5 e terminou sua participação no Finals com uma vitória.

Melo e Kubot encerram parceria com vitória

A notícia apareceu no meio da partida por meio da imprensa polonesa: Marcelo Melo e Lukasz Kubot não vão mais jogar juntos em 2021. Por isso, a partida desta quinta contra Wesley Koolhof e Nikola Mektic tinha algo de especial. Brasileiro e polonês, que perderam seus dois primeiros jogos no Finals e não tinham mais chance de avançar, pelo menos conseguiram encerrar a parceria com vitória. Fizeram 6/4, 6/7(2) e 10/8, com direito a um ponto espetacular no match tie-break que lhes rendeu o primeiro match point. Veja acima!

Ano que vem, Marcelo Melo, 37 anos, fará parceria com Jean-Julien Rojer, veterano de 39 anos que nasceu em Curaçao e defende a Holanda no circuito. Rojer já foi número 3 do mundo (em 2015) e hoje é o 24º na lista da ATP. Kubot, por sua vez, atuará ao lado de Koolhof.

No segundo jogo de duplas do dia, Rajeev Ram e Joe Salisbury derrotaram Kevin Krawietz e Andreas Mies por 7/6(5), 6/7(4) e 10/4. Ram e Salisbury avançam em segundo lugar para as semifinais. O primeiro lugar já estava garantido com Koolhof e Mektic.

Bruno retoma parceria com Jamie Murray

Outra notícia que surgiu no meio dessa partida de Melo e Kubot foi a da separação de Bruno Soares e Mate Pavic, que tiveram muito sucesso em 2020, conquistando o US Open e vices em Roland Garros e no Masters 1000 de Paris. Em 2021, Bruno vai retomar a parceria com o britânico Jamie Murray, com quem foi campeão do Australian Open e do US Open em 2016. Pavic, por sua vez, atuará ao lado de Nikola Mektic.

O divórcio não foi exatamente amigável. O pedido veio de Pavic, e o brasileiro não ficou lá muito feliz. "Tivemos uma conversa depois da final do Masters 1000 de Paris. O Mate expôs que tinha outros planos e que não queria continuar a parceria. Não concordo com nada do que ele expôs, nós estávamos indo muito bem, ainda mais com o título no US Open e a final em Roland Garros, mas vida que segue. Realmente fui pego de surpresa", disse Soares em comunicado enviado por sua assessoria de imprensa.

A retomada com Jamie veio por inciativa do britânico, que entrou em contato ao saber da separação de Bruno e Mate. Atual número 23 do mundo aos 34 anos, o irmão mais velho de Andy Murray nem vinha em um momento tão ruim ao lado de Neal Skupski. Eles foram vice-campeões do Masters 1000 de Cincinnati, foram às quartas no US Open (perderam para Soares e Pavic) e em Roland Garros (perderam para os campeões Krawietz e Mies), foram vice no ATP 500 de Viena e conquistaram o ATP 250 de Sófia. A parceria, contudo, não conseguiu vaga no ATP Finals.

Coisas que eu acho que acho:

- Melo e Kubot atuaram juntos por quatro temporadas. Nesses quatro anos, eles conquistaram 13 títulos, incluindo um slam (Wimbledon/2017) e quatro Masters 1000 (Miami, Madri e Paris em 2017 e Xangai em 2018). Durante a parceria, Melo foi número 1 do mundo de julho a agosto de 2017 e de novembro de 2017 a abril de 2018. Foi bacana vê-los vencendo sua última partida como time, especialmente depois do ponto espetacular que abriu 9/7 no match tie-break.

- Após a derrota para Medvedev, Djokovic ficou em uma situação duríssima neste Finals. Primeiro, precisa superar Alexander Zverev nesta sexta para chegar às semis. Se conseguir, terá pela frente um Dominic Thiem que faz um excelente torneio (descontando a atuação preguiçosa desta quinta). Se, então, chegar à final, Nole terá que enfrentar o incansável Medvedev ou o mesmo Rafa que lhe deu um baile em Roland Garros. Promete ser um fim de semana nada, nada simples para o número 1 do mundo.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.