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ATP Finals, dia 3: Thiem vence melhor jogo do ano, Melo é eliminado

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Imagem: Getty Images
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

17/11/2020 19h26

No circuito ATP, em melhor de três sets, nenhum jogo de 2020 teve dois tenistas atuando em nível tão alto e por tanto tempo quanto o Rafael Nadal x Dominic Thiem de hoje. E nesta terça-feira, assim como no Australian Open, o austríaco venceu todos os tie-breaks e saiu vitorioso: 7/6(7) e 7/6(4).

Foi lindo de ver, tanto tecnicamente, com todo tipo de golpe executado à perfeição, quanto taticamente, com os dois atletas usando cada ferramenta em busca de vantagem. Nadal buscou muito à rede - e teve bastante sucesso nas subidas e nos voleios - e Thiem ficou mais do fundo, tentando fazer valer sua potência. De modo geral, o austríaco foi melhor em sair da defesa para o ataque e ganhou mais pontos de graça com o serviço. Ainda assim, precisou de dois tie-breaks quase impecáveis para conquistar o triunfo.

Rafa teve suas chances, especialmente no primeiro set, quando sacou em 5/2 no game de desempate, mas não deu quase nada de graça. Thiem encaixou ótimas devoluções fundas, conseguiu se impor e recuperar os mini-breaks. Na segunda parcial, Nadal teve uma quebra de frente, mas Thiem devolveu imediatamente, fazendo o que ele classificou como seu melhor game em toda a partida - mais uma vez, sem ganhar quase nada de graça do espanhol.

O que concluir do jogaço? Antes de mais nada, que Thiem, além de classificado para as semifinais, é candidatíssimo novamente ao título. Ano passado, lembremos, ele bateu Federer e Djokovic na primeira fase em Londres. Além disso e apesar do resultado, que Nadal também vai dar bastante trabalho. Ele é favorito contra Tsitsipas na quinta-feira e vai incomodar quem quer que seja (possivelmente Djokovic) seu adversário nas semifinais.

No segundo jogo de simples do dia, Stefanos Tsitsipas derrotou Andrey Rublev por 6/1, 4/6 e 7/6(6) depois de salvar um match point - ou melhor, depois que o russo fez uma dupla falta sacando em 6/5 no tie-break do terceiro set. Foi uma boa partida, mas nenhum dos dois foi especialmente brilhante. Acho até que Tsitsipas jogou mal taticamente, usando poucas variações e aceitando o jogo de fundo de Rublev, que é muito bom dali quando consegue usar seu forehand. O grego, que tem mais recursos, um slice eficiente e é muito melhor junto à rede, poderia ter feito mais para descomplicar sua vida.

No fim, o resultado classifica Thiem para as semifinais e garante que Nadal x Tsitsipas, na quinta-feira, será um confronto direto por um lugar nas semifinais. Rublev, que já tem duas derrotas, está fora.

Melo dá adeus após segunda derrota

Nas duplas, a combinação não poderia ter sido pior para o Brasil. Primeiro, Marcelo Melo e Lukasz Kubot foram superados em dois sets por Kevin Krawietz e Andreas Mies: 6/2 e 7/6(5). Os alemães dominaram o set inicial, tirando vantagem principalmente dos games de saque de Kubot. A segunda parcial foi mais parelha, sem break points, mas Krawietz e Mies conquistaram um mini-break logo no primeiro ponto e mantiveram a pequena vantagem até o fim.

Para piorar, o segundo jogo de duplas desta terça acabou com vitória de Koolhof e Mektic sobre Ram e Salisbury: 6/2 e 7/6(5). O resultado eliminou Melo e Kubot. Agora Koolhof e Mektic, já classificados, lideram o grupo com duas vitórias, enquanto Ram/Salisbury e Krawietz/Mies têm um triunfo cada e vão se enfrentar na quinta-feira. Quem vencer avança às semifinais.

Coisas que eu acho que acho:

- Pelo que os dois mostraram até agora, Nadal é muito favorito contra Tsitsipas na quinta-feira. Thiem deve somar sua terceira vitória e avançar como primeiro colocado.

- Tsitsipas x Rublev mostrou bem um daqueles episódios em que o shot clock faz muito mal ao tênis. No tie-break do terceiro set, os dois jogaram um belíssimo e longo rali no 5/5. Rublev venceu, mas os dois terminaram a troca extremamente ofegantes. Por causa do relógio, o russo claramente sacou antes do que gostaria. Ainda estava se recuperando fisicamente. Resultado? Dupla falta. A solução? Usar o bom senso. Ninguém deveria precisar apressar um sacador no 6/5 do tie-break do set final. Do jeito que as coisas aconteceram, o shot clock foi, na prática, uma punição ao sacador por jogar um ponto longo em um momento crucial da partida. Não deveria ser assim.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.