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Quem é quem no ATP Finals de 2020

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Imagem: Getty Images
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

15/11/2020 04h00

O ATP Finals de 2020, que começa hoje em sua última passagem por Londres, reúne os oito melhores tenistas do ranking mundial. Este post não trata de dizer quem são estes nomes mais do que manjados no circuito mundial. O objetivo aqui é analisar como cada um deles chega para o último torneio do ano e quem, aparentemente, tem mais chances em um evento tão equilibrado e com margens mínimas para jornadas ruins. Novak Djokovic é "o" favorito indiscutível? Quais as chances de Rafael Nadal finalmente levantar o troféu do Finals? Andrey Rublev chega tão embalado assim? Tento responder essas e outras perguntas nas próximas linhas. Quem me acompanha?

Grupo Tóquio 1970

Novak Djokovic

Atual número 1 do mundo, pentacampeão do ATP Finals, campeão de 17 slams e líder do ranking ao fim de seis temporadas, Novak Djokovic merece, hoje em dia, mais do que ninguém, o status de favorito em qualquer torneio não chamado Roland Garros. Não é por acaso que o sérvio perdeu apenas três partidas em 2020: uma num acidente bizarro no US Open, outra diante de um espetacular Nadal no saibro de Paris e a última em Viena, onde ele mesmo admitiu não ter jogado com tanta disposição assim.

Logo, Nole também é o favorito no Finals, onde jogou a final todas vezes que participou do torneio de 2012 a 2018 (ausentou-se em 2017). Obviamente, a natureza do evento, jogado em melhor de três, diminui um pouco um favoritismo que seria maior em melhor de cinco. Além disso, é difícil medir o momento de Nole. Depois do vice em Roland Garros, Djokovic só jogou em Viena, onde só precisava vencer dois jogos para garantir o número 1 até o fim do ano. Com a missão cumprida, pouco resistiu ao italiano Lorenzo Sonego.

Por outro lado, é de se imaginar que Djokovic chegará mais forte e com mais vontade em Londres. Como não passou da fase de grupos no ano passado, o torneio vale ainda mais. Se for campeão invicto, sairá do Finals com 1.300 pontos a mais, e cada um desses pontinhos é crucial para seu grande objetivo: ultrapassar as 310 semanas que Federer somou como número 1 do mundo. Nole tem 294 e só um milagre o fará perder a liderança em breve. Ainda assim, a obsessão do sérvio tem um efeito motivador extremamente potente.

Daniil Medvedev

Após um segundo semestre espetacular em 2019, Medvedev teve um 2020 abaixo da expectativa - algo até normal para quem se catapultou à elite de maneira relativamente rápida. No pós-paralisação, teve sua melhor campanha no US Open, onde foi até as semis. Depois, venceu apenas três em sete partidas até que se encontrou em Paris, onde foi campeão do Masters 1000 superando De Minaur, Schwartzman, Raonic e Zverev em sequência.

É justo dizer que o russo chega ao Finals em seu melhor momento na temporada. Se isso será o suficiente para brigar pelo título, só vamos descobrir quando o torneio começar. Porém, é seguro dizer que Medvedev, hoje, é muito mais perigoso do que duas ou três semanas atrás.

Alexander Zverev

Dos últimos 13 jogos, Sascha venceu 12, incluindo um triunfo sobre Rafael Nadal em dois sets. O alemão conquistou os ATPs 250 de Colônia I e Colônia II e foi vice em Paris, onde perdeu a final de virada para Medvedev. Em quadras indoor e mais rápidas, sem vento ou variação de temperatura, Zverev pode tirar o melhor de seu saque e fazer valer sua consistência. Ainda que o Zverev de hoje não seja tão agressivo quanto alguns gostariam, é difícil contestar um estilo de jogo que lhe deixou a um ponto do título do US Open e lhe deu tanto sucesso em sequência.

Além disso, podemos até considerar que o maior mérito recente de Zverev foi conseguir tantas vitórias em Colônia e Paris em meio às acusações de violência doméstica feitas pela ex-namorada Olga Sharypova. No período, Sascha também viu a ex-namorada Brenda Patea revelar nas redes sociais que teria um filho seu. Como Sascha reagiu? Negou ter agredido Sharypova, afirmou publicamente que vai assumir a responsabilidade e a criação do filho e venceu um punhado de jogos. O mais provável é que Zverev, Medvedev e Djokovic briguem pelas duas vagas nas semifinais.

Diego Schwartzman

Dieguito nunca foi favorito para estar entre os oito melhores do mundo, mas conseguiu chegar lá embalado principalmente pelo vice no Masters de Roma e pelas semifinais em Roland Garros. O argentino, contudo, até que teve bons resultados na temporada indoor, onde as quadras mais rápidas não lhe favorecem. Foi vice em Colônia II, onde perdeu para Zverev, e quadrifinalista em Paris, onde foi derrotado por Medvedev.

Os reveses vieram justamente contra os rivais de grupo, o que não faz muitos favores à confiança de Schwartzman. Ele é o óbvio azarão do grupo, mas se tem algo que Dieguito sempre fez foi quebrar barreiras e superar expectativas. E a pressão nos rivais (vencer Schwartzman é praticamente obrigatório para Medvedev e Zverev) pode dar ao argentino uma chance um pouco maior. Será?

Grupo Londres 2020

Rafael Nadal

Todo ano, é a mesma coisa. Volta o mantra do "Nadal vai finalmente conquistar o ATP Finals?" Honestamente, não acho vá fazer diferença alguma se o espanhol se aposentar sem vencer o evento de fim de ano. Trata-se de um torneio em quadra dura e indoor, condições que não são as melhores para seu tênis, e ainda vem na época em que Rafa costuma estar esgotado fisicamente. O fato de ser em melhor de três, o que coloca mais pressão sobre quem não tem um saque dominante, também tem seu peso. É como se tudo conspirasse contra Nadal em um torneio só. Além disso, nos poucos anos em que jogou realmente bem, Rafa tombou diante de Federer e Djokovic nas finais.

Este ano, porém, o cansaço não é um elemento. Nadal chega bem inteiro. Além disso, Federer não joga. O problema é que Rafa empolgou pouco em Paris. Alcançou a semifinal, é verdade, mas não jogou um tênis espetacular (para seus padrões) em momento algum. Logo, o atual número 2 do mundo não chega tão cotado assim. Em algumas casas de apostas, ele fica em terceiro, atrás também de Medvedev.

Dominic Thiem

O austríaco chega a Londres com um grande ponto de interrogação sobre sua cabeça porque faltam referências recentes. Os dois últimos torneios de Thiem foram Roland Garros, no saibro e há mais de um mês, e Viena, onde vinha jogando bem, mas teve bolhas nos pés nas quartas de final e não conseguiu oferecer tanta resistência para Rublev depois do primeiro set.

Logo, Thiem pode tanto fazer um começo de torneio instável quanto entrar em quadra atropelando, como fez no ano passado, superando Federer e Djokovic em partidas consecutivas. Nole chegou até a dizer que nunca tinha visto o austríaco jogando naquele nível. Foi realmente impressionante. Se ESSE Thiem aparecer em Londres, os outros sete que se cuidem.

Stefanos Tsitsipas

O atual campeão do Finals é outro que pouco fez desde Roland Garros. Jogou apenas três partidas e perdeu duas: para Dimitrov na segunda rodada em Viena e para Humbert na primeira fase em Paris. Nas duas ocasiões, o grego brilhou pouco e pareceu mal fisicamente. Não é para menos. A sequência Hamburgo-Roland Garros foi pesada e terminou com uma doída eliminação em cinco sets diante de Djokovic.

A questão a ser respondida aqui é o quanto Tsitsipas consegue se recompor a tempo de fazer um belo torneio em Londres. Não é muito diferente do cenário em que Nadal e Thiem se encontram. Por isso, é mais difícil fazer previsões aqui. As margens são mínimas, e quem estiver melhor já neste domingo, quando o grupo tem sua primeira rodada, levará enorme vantagem.

Andrey Rublev

Dos quatro desta chave, o russo foi quem mais conseguiu resultados recentemente. Rublev foi campeão do ATP 250 de São Petersburgo e do ATP 500 de Viena antes de ser superado por Stan Wawrinka nas oitavas em Paris. Há motivos, porém, para não superestimar essa grande sequência de Rublev. Em Viena, três de suas vitórias vieram sobre adversários com problemas físicos. Nas oitavas, Sinner desistiu após três games; nas quartas, Thiem teve bolhas; e, na semi, Kevin Anderson abandonou no segundo set. Rublev acabou fazendo a final contra o lucky loser Lorenzo Sonego. Resumindo? O russo fez o que tinha que fazer contra quem apareceu em sua frente, mas não achemos que ele se tornou imbatível a ponto de ser favoritíssimo no Finals.

A chave para Rublev ir bem no Finals é seu primeiro serviço. Embora isso possa ser dito para qualquer dos outros competidores, o russo precisa do fundamento para ganhar pontos de graça e jogar mais solto nos games de devolução. Veremos logo neste domingo, contra Nadal, a quantas andará seu saque.

Coisas que eu acho que acho:

- Vale lembrar: os direitos de transmissão para o Brasil são do SporTV. O canal vai mostrar todas as partidas de simples, mas não vai mostrar as duplas na fase de grupos.

- Quer ler mais sobre as duplas? Tem um ótimo guia no Match Tie-Break, da Aliny Calejon.

- A programação deste domingo começa às 9h (horários de Brasília) com Krawietz / Mies x Koolhof / Mektic. Às 11, Thiem encara Tsitsipas. A sessão noturna começa às 15h com Ram / Salisbury x Kubot / Melo. Por último, às 17h, Nadal encara Rublev.

- Na segunda-feira, com os mesmos horários, os jogo acontecem nesta sequência: Granollers / Zeballos x Peers / Venus, Djokovic x Schwartzman, Soares / Pavic x Melzer / Roger-Vasselin e Medvedev x Zverev.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.