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Azarão na Antuérpia fabricou máscaras e pedalou 220km para entregá-las

Divulgação/European Open
Imagem: Divulgação/European Open
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

21/10/2020 11h23

Essa é daquelas histórias para quem acredita que boas ações voltam para o autor cedo ou tarde. Chamem de karma ou do que quiserem, mas parece ser o caso do belga Zizou Bergs, de 21 anos, que ganhou um wild card para o ATP 250 da Antuérpia e conquistou sua primeira vitória numa chave principal de nível ATP ao derrotar o experiente espanhol Albert Ramos Viñolas por 7/5 e 7/5.

Bergs era apenas o número 521 do mundo quando o circuito parou por causa da pandemia, em março. O garotão, então, tentou ocupar seu tempo sendo útil. Primeiro, ofereceu-se para trabalhar em um supermercado local. Trabalhou sete horas por dia no local, fazendo as vezes de segurança e arrumador de prateleiras. No resto do tempo, pedalava por duas horas para manter a forma.

Depois, em abril, Bergs aprendeu a manusear máquinas de costura e começou a fabricar máscaras faciais de proteção contra o novo coronavírus. Faltava, porém, entregá-las, e Zizou decidiu assumir a tarefa por conta própria. De bicicleta, encarou mais de 220 quilômetros para doar as máscaras pela Bélgica - incluindo Antuérpia, onde hoje comemora sua vitória dentro de quadra.

"Fiz um apelo para saber se havia uma demanda por máscaras feitas em casa. Muitos fãs em toda a Bélgica reagiram positivamente e então surgiu a ideia de entregar as máscaras. Foi uma decisão impulsiva e, sem treinamento, me coloquei em um passeio de bicicleta de 220 km", diss o tenista ao site belga Tennisplaza.

"Eu estava um pouco nervoso para a viagem. A distância mais longa que já percorri foi de 55 km e me perguntei se conseguiria fazer isso. No final, também foi um excelente treinamento mental para mim, já que pedalei 160 km sozinho. Foi assim que percebi que preciso viver no 'aqui e agora' para poder curtir um passeio de bicicleta tão longo. E, claro, eu poderia deixar muitas pessoas felizes com um pequeno serviço, então isso se tornou uma situação em que todos ganharam", completou.

Não dá para dizer que o destino não recompensou Zizou Bergs. O jovem não estava inicialmente na lista de convidados do torneio da Antuérpia, mas o também belga Ruben Bemelmans testou positivo para covid há uma semana e não pôde participar do evento. Bergs "herdou" o convite e aproveitou a chance.

Antes desta semana, Zizou tinha disputado apenas três torneios de nível ATP: todos foram na Antuérpia e no qualifying. Ele foi derrotado em 2016 por Pierre Hugues-Herbert, em 2017 por Stefanos Tsitsipas e em 2018 por Félix Auger-Aliassime. Com o triunfo deste ano, ele deve subir para perto do 450º posto no ranking. A não ser, é claro, que consiga surpreender o russo Karen Khachanov, cabeça de chave 3, na segunda rodada. Se aprontar mais essa zebra, o céu é o limite para Zizou Bergs.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.